De volta o grande circo

Welinton Naveira e Silva

As grandes corrupções envolvendo políticos, empresários e militares, são de sempre e incontáveis, muito antigas, demais conhecidas. Infelizmente, quase todas impunes. E até agora, nada de efetivo foi feito para estancar a roubalheira do dinheiro público, ainda que pela metade, a não ser velhos teatros como esse de agora, por sinal, gigantesco. Só que em plena crise mundial do sistema capitalista, gravíssima demais para que o Brasil invista tanta atenção e energias nesse grande circo.

Tamanha preocupação e cobertura no julgamento do caso “mensalão”, que até parece ser a materialização da velha revolta e indignação pública, cansada de tanta bandalheira – a grande mídia resolve tomar o pinhão na mão – revestida de pudor e patriotismo, subitamente assume o comando da revolta centrando fogo num cenário de bandidagem das elites dominantes, tudo espontaneamente, sem interferências de grupos econômicos daqui nem de fora, simplesmente por si só, livre e consciente, a grande mídia resove dedicar todo o empenho e energias na cobertura desse exemplar julgamento.

Dada à envergadura dessa cobertura midiática, é para crer que mais nada de importante existisse a ser divulgado, esclarecido, sugerido e questionado. Mais, como se toda a Nação acreditasse que após isento, esplêndido e exemplar julgamento, a grande corrupção no Brasil estaria com os dias contados logo após sumária condenação dos culpados, pelo menos, automaticamente reduzida à 80% (já estaria muito bom). Só mesmo os lunáticos, loucos ou cínicos, poderiam acreditar em semelhante resultado.

Em toda democracia capitalista, mais grave ainda nas do terceiro mundo, o montante de recursos extraviados dos cofres públicos por conta dos corruptos, entreguistas e/ou incompetentes, é de ordem astronômica. Acontecem sob as mais variadas formas, recursos, artifícios, manobras mil, configuradas em leis indevidas, licitações fraudulentas, favorecimentos, superfaturamentos, propinas, obras sem o devido planejamento, compras desnecessárias, fiscalizações tipo “vista-grossa”, desperdícios, modelo econômico favorecendo os maiores juros do mundo, escandalosas remessas de lucros para o exterior, etc.

Isso, para não falar dos sumários leilões de privatização de riquíssimas empresas estatais (FHC/PSDB). Por isso mesmo, que o povo apesar de trabalhar muito, continua pobre, enquanto as elites cada dia mais ricas, alegres e impunes. Uma festa.

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