De Zweig a Dilma

Sebastião Nery

Em 22 de fevereiro de 1942, exilados na tranquilidade das montanhas de Petropolis, tão longe de sua Áustria, da Alemanha, de Hitler e da guerra, os dois, Stefan Zweig, nascido em 28 de novembro de 1881, e a mulher, numa crise de desespero, suicidaram-se, mataram-se. Como diz hoje a juventude, em sua linguagem dura e crua, “tacaram-se”.

Logo ele,o magnifico biografo de lutas e conflitos:-“Joseph Fouché”, “Maria Antonieta”, “Triunfo e Tragédia de Erasmo de Roterdam”, “Maria Stuart”, “O Mundo de Ontem”. Mas tambem autor de esperanças e amanhãs, como esse outro hino nacional : – “Brasil, Pais do Futuro”.

Futuro que o Brasil não discute. Fica amassando o barro do passado.

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LESSA

Ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, ex-presidente do BNDES, professor emérito do Instituto de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp), o lucido mestre Carlos Lessa não se conforma:

1. – “Temos uma frente espetacular para nos lançarmos no futuro, mas não se discute o futuro. A idéia do planejamento não é a idéia de uma economia de mercado. Planejar é construir o futuro que você deseja pessoalmente enquanto a “economia de mercado” pensa no futuro que será bom para o “mercado” (os banqueiros). A base sólida de um crescimento é a elevação da taxa de investimento produtivo. E a taxa de investimento brasileiro é medíocre. O Brasil andou com taxas inferiores a 20% do PIB, quando deveríamos ter pelo menos 25%. O ideal seria 30%.’

2. “Não consigo ser pessimista em relação ao Brasil. Quando eu nasci, o país era um cafezal. Quando cheguei à maturidade, o Brasil já era a oitava economia industrial do mundo. Agora, na minha velhice, é a décima. Mas pode resgatar a antiga posição. Pode ver a integração latino-americana avançar. O Brasil não está condenado a nada, a não ser a uma mediocridade que parece ser uma opção nossa”.

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FURTADO

Lessa foi professor de economia, na Unicamp, de Dilma Rousseff e de José Serra. Ao lado de Maria da Conceição Tavares, são herdeiros militantes do pensamento econômico brasileiro que teve em Celso Furtado a sua principal referência. Credencial que o autoriza a dizer:

– “A situação brasileira infelizmente não é virtuosa nem no setor público, nem no setor privado, nem na economia familiar. A taxa de crescimento do Brasil ao longo prazo é de uma mediocridade atroz nos últimos vinte e tantos anos. O nosso crescimento é como um vôo de galinha. Nós estamos expandindo a dívida pública sem elevar o investimento produtivo público”.

Traduzindo em números: em 2011 a rolagem da dívida pública custará R$ 230 bilhões. Enquanto o investimento em saúde receberá R$ 72 bilhões e para a educação pouco mais de R$ 40 bilhões.

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RODRIK

Mas não apenas bravos brasileiros pensam e falam assim. Dani Rodrik, professor de Política Econômica Internacional de Harvard (EUA):

1. – “O crescimento de médio a longo prazo no Brasil será mais afetado pelo que ocorre no próprio país do que na economia do mundo. O importante é que as políticas adotadas estejam direcionadas a essas transformações internas, sem se preocupar muito com o que se passa nos EUA, na Europa e no contexto global. Se compararmos Ásia e América Latina nos últimos 15 anos, vemos que cerca de dois terços da diferença de crescimento nas duas regiões explica-se pela rápida mudança estrutural nos asiáticos e algo lento nos latino-americanos, cujos setores modernos não estão se expandindo rapidamente na absorção de empregos.”

2. – “Muito do crescimento brasileiro se deve aos altos preços das commodities. É muito cedo para dizer se os atuais índices de crescimento poderão se manter. Se você olhar desde 2000, o índice brasileiro de crescimento em termos per capita foi bastante lento se comparado ao registrado entre 1950-80. O Brasil possui um grande potencial, mas suas ambições foram reduzidas. Há sinais de transformações estruturais, mas o crescimento só poderá ser sustentado se mais trabalhadores forem para setores mais avançados.”

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PALMAS

O arcebispo de Canterbury, Rowan Williams, primaz da Igreja Anglicana, escreveu no jornal britânico “Financial Times” que “é hora de “desafiarmos os ídolos das finanças”.

Há muitos anos, desde JK e Jango, raramente bato palmas para presidentes, mesmo quando neles votei. Mas a presidente Dilma merece palmas por seu tom e altivez, seu discurso e comportamento firme, na reunião do G-20, em Cannes. O Brasil não pode ser lacaio dos banqueiros e seus cães de fila nos governos,jornais,imprensa.

“O Globo” denuncia em manchete na primeira pagina:-“Industria Brasileira Tem Maior Queda Desde Abril”. E logo abaixo explica:- “Itaú Tem o Maior Lucro de Todos os Tempos” (quase 30%).

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