Decisão da Riotur pode extinguir escolas de samba dos grupos inferiores.

Lucas Alvares

No carnaval de 1997, apenas uma Grande Sociedade apareceu para desfilar na Avenida Rio Branco. Era o momento final de uma tradição de 150 anos que se encerrava em uma melancólica procissão de algumas dezenas de foliões com fantasias do ano anterior, préstitos mal cuidados e uma tosca bandinha a entoar sucessos do passado.

Perguntados sobre as razões para a decadência e extinção das Grandes Sociedades Carnavalescas, seus remanescentes respondem em uníssono: o abandono por parte da Riotur. Relegadas a subvenções insuficientes para manter viva a tradição do carnaval carioca e sem receberem intermediação do órgão municipal para apoios e patrocínios, as manifestações centenárias viveram seus últimos dias no mais completo esquecimento.

Após 14 anos, é a vez de nova decisão da Riotur colocar em risco a continuidade de verdadeiras instituições sagradas do carnaval carioca. A proposta apresentada à Associação das Escolas de Samba de reduzir as escolas dos grupos C, D e E, atualmente quarta, quinta e sexta divisões até 2014 levará ao fechamento compulsório de escolas tradicionalíssimas do carnaval carioca, responsáveis por sambas históricos e desfiles memoráveis.

Atualmente, há 72 escolas de samba em atividade no Rio de Janeiro. A determinação da Riotur é que em apenas três carnavais este número seja reduzido para enxutas 60. Se considerarmos que o atual Grupo E tem 12 escolas, isto significa extinguir uma divisão inteira.

Desfilam pelo último grupo nas terças gordas da Intendente Magalhães, em Madureira, escolas do quilate da Unidos de Lucas, União de Vaz Lobo e Canários de Laranjeiras, todas muito tradicionais e que representam suas comunidades há décadas.

A alegação da Riotur é distribuir com maior justiça as subvenções, hoje insuficientes para colocar uma escola de samba na rua. Mantendo-se o valor e reduzindo-se o número de escolas, a matemática pura prevê um valor maior a cada uma. Ao estimular a competição excessiva entre estas agremiações, não é de se espantar que logo todas elas sejam financiadas diretamente pelo capital ilícito para passar pelo “corte” e conseguir sobreviver.

Reduzidas as outras pelo neoliberalismo do samba a duas alternativas: a extinção ou transformação em blocos de enredo, transformando-se em cinzas fora da quarta-feira suas tradições e legados, tal qual a prefeitura deixou acontecer com as Grandes Sociedades.
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