Decisão de Alexandre de Moraes explode o governo Bolsonaro e antecipa desfecho da crise

Charge do Cícero (Jornal Ação Popular)

Pedro do Coutto

No final da tarde de ontem, a jornalista Natuza Nery, da GloboNews revelou a decisão do Ministro Alexandre de Moraes aceitando a inclusão do presidente Jair Bolsonaro no inquérito das fake news por suas atitudes contrárias à democracia e à Constituição Federal na medida em que, sem provas, acusou a eficiência do sistema eleitoral de votação e ameaçou o país com a não realização do pleito presidencial de outubro de 2022.

A manifestação dos ministros do Supremo talvez não seja unânime por causa da posição do ministro Nunes Marques, mas de qualquer forma a posição do STF foi imediata e frontal no enquadramento do presidente da República.

SEM SAÍDA –  Jair Bolsonaro ficou sem saída. Ou ele parte para concretizar as suas ameaças de ruptura institucional, sugerindo uma atitude de força contra a democracia e a liberdade ou terá, na prática, renunciado ao cargo para o qual foi eleito em 2018. Não há meio termo. Ou desaba o titular do Planalto ou a democracia.

É praticamente impossível que as Forças Armadas apoiem as ameaças de Bolsonaro. Não tem cabimento nenhum tais atitudes. O país está se tornando centro de atenção de vários olhares internacionais. O governo terminou, pois o maior oposicionista do poder central é o próprio Bolsonaro a esta altura dos acontecimentos. Não há clima para se chegar a um cenário conciliador.

O clima excedeu as expectativas e acelerou uma solução que não tem mais retorno. O governo perdeu o poder e o Brasil precisa efetuar a substituição de Bolsonaro pelo vice Hamilton Mourão, de forma urgente através do Congresso Nacional. A crise desaba no Planalto e as instituições devem prosseguir resistentes às ações golpistas. Não são as primeiras, mas Deus queira que sejam as últimas. No vazio de poder, Bolsonaro já não comanda mais o país.

ANA MARCELA, NOVA HEROÍNA  –  Foi efetivamente heroica a conquista de Ana Marcela Cunha ao vencer a maratona aquática de 10 quilômetros nos Jogos de Tóquio. Com seus cabelos verde e amarelo, a baiana de Salvador fez uma ótima prova e deixou para trás suas adversárias na reta final. Ela completou a distância de 10 km em 1h59min30s8, pouco à frente da holandesa Sharon van Rouwendall (1h59min31s7). O bronze foi para a australiana Kareena Lee, com 1h59min32s5.

Da mesma forma que outros heróis do esporte brasileiro, e são tantos, Ana Marcela alcança a glória eterna e devolve a todos nós, no fundo, um orgulho de pertencermos a este país que, apesar dos governantes catastróficos, pulsa e se emociona com exemplos de superação de atletas que encontraram dificuldades para exercer as suas vocações.

ESPELHO – Mas isso é próprio da história do esporte e da história da arte, faz parte do próprio destino humano que conduz a encontros e desencontros. Na verdade, nós não somos somente nós. Somos nós e os outros e até mesmo nós nos outros, atravessando um espelho para encontrar uma expressão que caracterize momentos de emoção, de alegria, mas também de sofrimento e de tristeza. Glória ao esporte brasileiro.

As reportagens de Bruno Marinho e Letycia Cardoso, O Globo de ontem, figuram entre as que mais destacaram a importância da conquista de Ana Marcela. Em tempo, até o momento em que escrevo, Bolsonaro não enviou uma palavra de apoio sequer aos nossos atletas olímpicos.

11 thoughts on “Decisão de Alexandre de Moraes explode o governo Bolsonaro e antecipa desfecho da crise

  1. “Bolsonaro não enviou uma palavra de apoio sequer aos nossos atletas olímpicos”.
    Taí nem aí com povo.
    A única preocupação dele, depois de enfiar cloroquina guela abaixo, é se reeleger.

  2. O problema é que Bolsonaro até hoje não assumiu o cargo de presidente do Brasil e dos brasileiros.
    Ele se considera ainda um ex militar, um ex deputado.
    Tal como outros maus líderes ele quer ser homenageado como o líder da Coreia do Norte.
    O medo dele é que algum atleta brasileiro medalhista fale que não é Bolsonarista, ou coisa pior.
    Já concedeu 3 medalhas p sua atual esposa, em breve vai lhe autoconceder também.

  3. Pedro do Coutto, como sempre brilhante!

    Tanto Bolsonaro encrencou com o STF, que agora terá de enfrentá-lo legal ou ilegalmente.
    Ou se submete às decisões do Supremo ou rompe exatamente com os fragilíssimos elos de nossa democracia, que somente existe para as castas, elite e poder econômico.

    De fato, o presidente está na corda bamba.

    Agora, cabe raciocinar o seguinte:
    Se Bolsonaro optar pelo golpe, na verdade não será “apenas” contra o povo, país e CF, porém contra seu vice, general de Exército Mourão, um oficial de 4 estrelas!

    De que lado a caserna se encontrará?
    Apoiando um ex-capitão, que não foi expulso por detalhes ou pelo oficial general, de uma Folha de Alterações impecável?!

    Se as FFAA repetem incessantemente que não permitirão a quebra da democracia, deixarão de honrar o compromisso por que Bolsonaro foi um colega de farda?

    Como se percebe, existem mais problemas a serem sanados com a permanência de Bolsonaro que a sua saída.
    No entanto, caso renunciar, para evitar ser impedido, poderá concorrer em 2022 ou estou errado?
    Se existe uma chance real, poderosa, eu diria absoluta, de Bolsonaro voltar a ser presidente será renunciar, colocando-se na posição de vítima.

    Ora, se Lula foi colocado na condição de elegível pelo STF, em um dos maiores escândalos da História, e foi o mesmo STF que, de certa forma, obrigará o atual presidente a renunciar, Bolsonaro retorna nos braços do povo, a meu ver!

    Caso Bolsonaro tiver mesmo assessores inteligentes, de visão política, estrategistas – acho impossível, diante de tantas asneiras cometidas -, ele tem uma possibilidade única, simplesmente magnífica de voltar a ser presidente, deixando a sua cadeira para Mourão por menos de dois anos!!

    Se sai um militar do Planalto entra outro, e bem mais capacitado que o primeiro.
    As FFAA não perdem, pelo contrário, ganham e muito, pelo fato de que mantiveram o compromisso de salvaguardar a democracia!

  4. Estamos sem governo desde 2019.

    Antes tínhamos governo ruim ou arremedo de governo.

    Agora o Escritório do Crime (com seu gabinete do ódio) mudou de mala e cuia do Rio de Janeiro para Brasília.

    É a milícia no ilusório p(h)oder.

    De 2019 pra cá dois assassinos de aluguel milicianos foram criados de balas como queima de arquivo:

    adriano da nóbrega (unha e carne da familícia boçalnalha) e lázaro barbosa (ligado a fazendeiros goianos).

    Passando da hora de INTERDITAR esse ex-coiteiro de milicianos

    … antes que dobremos o número de centenas de milhares de mortes EVITÁVEIS por mantermos um genocida na presidência do país.

  5. Mailson da Nóbrega, Celso Ming e mais nove entre dez economistas, acham que Guedes, perdeu o controle da Economia e que só está preocupado com a campanha de reeleição de Bolsonaro.
    Paulo Guedes, o atual ministro da Economia está perdido no comando da Pasta. Perdendo poder para o Centrão, vem agora com mais essa proposta de calote dos precatórios, o qual ele mentirosamente nega, com a maior cara de pau. Sendo assim, o confisco da Poupança, executada por Zélia Cardoso de Mello, não passou de mero empréstimo circunstancial.
    Ora, o que Guedes realmente quer é acumular recursos do Tesouro em 2022 para turbinar o Bolsa Família 2.0, um míssel de dinheiro para o povão votar em Bolsonaro e garantir o emprego dele por mais quatro anos.
    Por essa razão, da sua sobrevivência, Guedes fala em vender todas as estatais e repassar os dividendos para a massa que vota.
    Ele já tentou o imposto do cheque, o imposto das transações da Internet ,( pix e biticoin) e vai continuar tentando.
    Arthur Lira, presidente da Câmara, apesar de negar, está fechado com Guedes e o governo. Certos políticos, quando dizem Não, querem dizer Sim.

  6. O Brasil está definitivamente pelo avesso!
    Grandes juristas, afirmam taxativamente, que esta abertura de processo é ilegal.
    O congresso se acovardou diante desta situação.
    A autorização da abertura do inquérito, tinha que partir do legislativo.

    E agora….

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