Decisão para uma sexta-feira, 13

Carlos Chagas

Pela primeira vez no ano, um dia 13 cai na sexta-feira. É bom tomar cuidado, quem se dedica a superstições. Para começar, o ex-presidente José Sarney, além de Michel Temer, Geddel Vieira Lima, Edison Lobão, Sérgio Cabral e outros tantos defensores do apoio do PMDB à candidatura Dilma Rousseff. Porque hoje, em Curitiba, estará sendo coordenada a realização de ampla reunião do partido,  marcada para o fim da próxima semana, destinada a levantar a proposta da candidatura própria  à presidência da República.

O governador Roberto Requião decidiu transpor o Rubicão. Vai patrocinar um encontro de lideranças regionais e nacionais do PMDB na capital do Paraná  para darem o grito de resistência e até de revolta contra os dirigentes já engajados na aliança com a candidata do presidente Lula.

De Pedro Simon a Orestes Quércia, Luiz Henrique, Jarbas Vasconcelos, Paes de Andrade, Zaire Rezende e mais  grande número de  líderes estaduais sem nome nacional mas com poder decisório – estarão todos decretando não propriamente um cisma, porque dissidentes,  eles entendem, são os adesistas que correram para o  regaço da ministra chefe da  Casa Civil.

Um pronunciamento pela candidatura própria levará, quinze minutos depois, a especulações sobre quem poderá ser o candidato do PMDB. Os ventos indicariam o próprio governador do Paraná,  se ele não os impedisse de soprar,  por enquanto.  Pretende separar as etapas, estabelecendo primeiro a majoritária tendência pelo lançamento de um candidato do maior partido nacional.  Seria exigido da direção nacional que marcasse para março uma convenção  nacional, a fim de resolver a questão. E com  a cautela de evitar decisões de cartas marcadas, como já aconteceu no passado.  Depois, será o  que Deus quiser, lembrando-se que o PMDB dispõe de diretórios em todos os 5560 municípios do país, além do maior número de prefeitos, vereadores, deputados estaduais, federais, senadores e governadores.  Com esse potencial, seria suicídio permanecerem a reboque dos companheiros do PT,  sob a alegação de possuírem seis ministérios no governo Lula.  Elegendo o futuro presidente da República, terão trinta e seis…

Enquadrou mesmo

Ficou claro que  José Serra enquadrou para valer o DEM. Se o ex-PFL quiser manter a aliança com os tucanos, deve preparar-se para aguardar o momento certo do lançamento do candidato presidencial,  jamais impondo prazos,  como o do mês que vem.   Serra é o nome óbvio, mas não aceita imposições. Talvez por isso os dirigentes do DEM venham avançando opiniões em favor de Aécio Neves, mas devem preparar-se até para  não indicar o candidato a vice-presidência. Porque o governador paulista não perdeu as esperanças de ter o governador mineiro como seu companheiro de chapa. Hipótese que jamais poderia consolidar-se este ano, mas apenas no próximo, depois que Aécio se conscientizar de que a chapa pura, senão imbatível, chegaria perto.

Exageros

De vez em quando as oposições parecem  haver perdido o senso do ridículo. Estão apregoando o fim da candidatura Dilma Rousseff por conta do apagão da última terça-feira. Debitam à candidata o ônus pela interrupção de  energia em  metade do país pelo fato dela ter sido ministra das Minas e Energia. Ora, há três anos que deixou a pasta, assumindo outras obrigações, aliás, bem maiores, como chefe da Casa Civil. Decolar ou não como pretendente ao palácio do Planalto é outra história, que os próximos meses revelarão, mas vê-la alijada da corrida sucessória por conta de um incidente energético é bobagem.

Minas e a Bahia

De Marx a Lênin, a moda era dizer que a História só se repetia como farsa. Pode  não ser bem assim, em especial para quem acredita que nada de novo acontece sob o sol, desde que o mundo é mundo.

No segundo semestre de 1959  a UDN estava em ebulição, com a maioria de suas bases e muitas cúpulas despencando-se para a candidatura Jânio Quadros. Era o fenômeno nacional, apesar da alta popularidade com que Juscelino Kubitschek terminava seu  mandato.

O diretório udenista  da Bahia insurgia-se contra a adesão a um candidato praticamente sem partido,  alertando para aventura que seria, e acabou sendo, do apoio a Jânio.  Até porque, a Bahia tinha um candidato, o seu governador, Juracy Magalhães.

Em novembro realizou-se no palácio Tiradentes, no Rio,  a convenção nacional que decidiria a questão. A maioria inclinava-se pelo ex-governador de São Paulo, com    Carlos Lacerda, deputado, à frente.

Juracy lutou como um leão. Tinha a seu lado nomes  eminentes e bravos,  como Aliomar Baleeiro, Rui  Santos e até o jovem Antônio Carlos Magalhães.  Não adiantou, a maioria indicou Jânio Quadros, ensejando a que Juracy, no seu discurso final, repetisse os versos de Carlos Drumond de Andrade a respeito do “José”, para quem a festa havia acabado. Referia-se ao presidente do partido,  José Magalhães Pinto.

Cinqüenta anos depois, o partido que mais se assemelha à antiga UDN é o PSDB, liberal e conservador. A maioria de seus líderes apóia o governador de São Paulo, José Serra, não propriamente um Jânio Quadros, mas surpreendente como ele.

Não é mais a Bahia que se levanta contra ele, mas Minas, fechada em torno do governador Aécio Neves. Condenado a perder a convenção do PSDB,  se ela vier a se realizar.  Mas capaz de repetir Juracy  Magalhães, se lhe for dado pronunciar-se diante de Serra: “e agora, José?”

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