Declarar doações à Justiça Federal nada tem a ver com a corrupção

Charge do Junião (junião.com.br)

Pedro do Coutto

Em reportagem publicada na edição de domingo da Folha de São Paulo, Angela Boldrini focaliza um lado importante que envolve as chamadas doações eleitorais feitas por grandes empreiteiras do país. Conclui que os números de todas coincidem com a versão do ex-diretor da Transpetro, Sérgio Machado. Com isso, a primeira vista, pode-se dizer que Machado falou a verdade. Mas isso quanto aos recursos declarados por candidatos e partidos nas prestações de contas que apresentaram ao tribunal Superior Eleitoral. A questão, entretanto não se esgota aí.

O fato de haver doações que aparentemente coincidem com seu registro não significa um elo efetivo no caminho da corrupção que invadiu principalmente a Petrobrás. É preciso verificar se os desembolsos registrados foram exatamente os mesmos que os destinados aos que as receberam através de Sérgio Machado. Em segundo lugar é necessário a operação Lava-Jato confrontar as datas relativas a entrega do dinheiro com a aplicação de termos aditivos em contratos firmados entre as empresas doadoras e a estatal que resultaram no superfaturamento das obras.

A reportagem de Angela Boldrini, sem dúvida, representa uma ponte capaz de ligar a corrupção às aparentes doações eleitorais.

MEIO DO CAMINHO – Essa ponte, porém, vai apenas até o meio do caminho, na medida em que credencia e fortalece as várias versões de Sérgio Machado em relação aos diversos acusados por ele de desvios ilegais.

O caminho completo, entretanto, exige o prosseguimento da construção da ideia que certamente, pelas coincidências que vai apresentar, funcionará para desvendar toda a trama que dominou o país ao longo, principalmente, dos últimos 13 anos.

Sim, porque não existe débito sem crédito e, portanto se o dinheiro saiu de alguma fonte foi captado por outra. Porém, no meio da corrente evidentemente verificaram-se novas destinações as quais seguramente não vão coincidir com as quantias registradas na Justiça Eleitoral.

BASTA CONFRONTAR – Esses números provavelmente vão coincidir com os valores originários dos acréscimos de preço nas obras da Petrobrás e no fornecimento de materiais destinados a empresa. Basta confrontar os acréscimos com as datas assinaladas por Sérgio Machado para as tais doações espontâneas feitas pelo empresariado.

Depois do absurdo contido no fato de uma empresa privada doar recursos para o PCdoB, o percurso da corrupção passou a se mostrar extremamente vulnerável em face das contradições que embutem e das coincidências que aparecerão no calendário dos desembolsos.

DOAÇÕES DECLARADAS – Existe ainda uma outra escala facilmente possível de ser percorrida. Trata-se de comparar as doações das empresas com suas declarações de imposto de renda. Claro as doações, pela lei não eram, não são dedutíveis. Porém, entre a dedução e a informação existe um espaço obrigatório a ser preenchido através do sistema tributário. Pois é possível, e talvez até provável, que as doações tenham sido computadas como custos operacionais.

Não custa nada verificar este aspecto. Já que os demais encontram-se suficientemente claros à luz dos fatos.

2 thoughts on “Declarar doações à Justiça Federal nada tem a ver com a corrupção

  1. Quem pediu dinheiro ao Sergio Machado, sabia de onde ele vinha.
    O referido cidadão, não tirava grana do próprio bolso e também não tinha máquina de fazer dinheiro, o pedinte já imaginava a fonte.
    As empresas “doadoras”, eram apenas repassadoras do roubo aos cofres da Petrobras.
    Dizer que foi tudo declarado, é o mesmo que dizem os receptadores de produtos roubados nas delegacias. Eu não sabia que era roubado.
    Como se dizer ignorante quanto a procedência não cola, são culpados também.

  2. O TSE virou lavanderia de dinheiro sujo dos Partidos… Todos dizem que as doações são legais e aprovadas pelo TSE, mas se era dinheiro de PROPINA, como podem ser legais?

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