Defender a Petrobrás é punir os ladrões e blindá-la contra roubos

Pedro do Coutto

O título, a meu ver, é uma síntese bastante expressiva do que de fato significa defender a estatal, medida aliás que já deveria ter sido colocada em prática há muito tempo, sobretudo a partir do instante em que se projetou publicamente, através da imprensa, a onda de assaltos contra a empresa com apropriação criminosa de seus bens numa escala que envolveu bilhões de dólares e de reais ao mesmo tempo.

Defender a Petrobrás é preservar e destacar sua imagem, não brigar na rua e partir para o confronto físico entre governistas e opositores, como propôs o presidente do PT-RJ, Washington Quaquá, também prefeito da cidade fluminense de Maricá. Afirmação destacada na reportagem de Juliana Castro e Marcelo Remígio, O Globo edição de 26 de fevereiro.

Aliás, a defesa legítima da Petrobrás, como lembra meu amigo Afonso Castilho, representa um comportamento político importante que deveria ter sido colocado e assumido pela oposição que, assim, perdeu a oportunidade de ampliar o raio de repúdio da opinião pública aos ladrões de casaca e de roupa comum que subtraíram parcelas enormes que abalaram a estrutura da empresa.

Perdendo uma chance de ouro, sob o ângulo político, de se antecipar no debate delineado, resta ao PSDB sustentar ser falso o argumento de que defender a Petrobrás é livrá-la de um plano obscuro para privatizá-la, através do pretexto de apurar os assaltos em série contra ela. Nada disso. A cada dia que passa aumentam as revelações dos roubos efetuados e dos atores responsáveis direta e indiretamente por eles. São inegáveis, sobretudo porque partem da voz de réus confessos que recorreram à figura da delação premiada. Isso para evitarem o desabamento sobre suas cabeças de penas capazes de se alongar no tempo, como ocorreu com Marcos Valério no episódio do mensalão de 2005: 47 anos de prisão, o mais penalizado de todos levados a julgamento.

OS CONFRONTOS DE 13 E 15 DE MARÇO

Dentro da atmosfera a que foi conduzido o tema Petrobrás pelo ex-presidente Lula quando em ato na ABI referiu-se “ao exército do MST”, que tem como líder principal João Pedro Stédile, divisam-se e temem-se os resultados de dois confrontos que podem marcar as manifestações de 13 e 15 de março, tendo como palco principal o centro da cidade de São Paulo. A 13 de março, a manifestação PT-MST, a favor da legenda e do governo. Dois dias depois, no mesmo local, a manifestação contra a administração Dilma Russeff. O mais provável é que o choque das duas correntes aconteça no dia 15, já que não pode haver interesse das oposições em deslocar sua ofensiva política para o campo da violência. Claro. Elas estão avançando de maneira pacífica, não vão querer mudar o atual roteiro.

O mesmo conceito não se pode atribuir às facções governistas, petistas e que também integram a CUT, presidida por Vagner Freitas. Pelo contrário, na esperança e na tentativa (equivocada) de recuperar o tempo e o espaço perdidos, lhes interessa tumultuar o panorama e bloquear os efeitos dos processos judiciais que envolvem dezenas e corruptos, corruptores e intermediários, acrescidos na semana que começa pelos acusados pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, de deverá divulgar a lista dos políticos e autoridades que têm de ser investigados e julgados pelo Supremo Tribunal Federal.

As perspectivas, como se vê, não são das melhores em matéria de ordem pública, as quais podem conduzir a desfechos extremamente críticos. Para o país.

7 thoughts on “Defender a Petrobrás é punir os ladrões e blindá-la contra roubos

  1. Pedro Couto , o titulo e o resumo perfeito da questao. Quanto a bem provavel violencia , faz dois dias que venho postando que nas convocacoes para as manifestacoes ja deveria vir um aviso se caso houver violencia ja fica marcada uma carreata para o dia 22. Isso anula o papel dos Blacks Bostas e sindicalistas a soldo do governo.

  2. O ilustre e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, de forma genial, sintetiza a situação do Controlador da Empresa Mista Petrobras SA, Governo Federal, de que “Defender a Petrobras é punir os Ladrões e blindá-la contra Roubos”. É o que o Governo deve fazer, e o mais rápido possível. Ato contínuo, a Petrobras SA que opera atualmente com Lucro Líquido baixo de +- 6% do Faturamento, deve batalhar para passar para um patamar de Lucro Líquido de +- 15% do Faturamento. Com medidas assim, as coisas logo começam a “ir para os eixos”.

  3. No meu entendimento essa empresa a Petrobras, nunca deveria ter sido criada. Não é função do estado,
    exercer qualquer atividade empresarial.
    Nos EUA, hoje a gasolina dizem, custa em torno de R$1,50, enquanto no Brasil, em determinadas regiões ela
    ultrapassa os R$4,00 reais. Alguém conhece la na América do Norte alguma empresa, que seja do governo
    e se chame PETROUSA? Eu pelo menos não conheço.
    Quando o estado se mete a fazer negócios, o resultado é este que estamos vendo. Corrupção generalizada, porque os que vão gerir o negócio público, passam a ver nele a grande chance de enriquecer, ainda mais,
    quando o poder político também resolve tirar suas vantagens e todos na crença que no Brasil é assim mesmo, quem puder mais, vai chorar menos.
    Se o FHC tivesse tido coragem suficiente, esta Petrobras, Banco do Brasil, CEF e tantas outra empresas públicas, hoje seriam privadas, o PT estaria falando pelos cotovelos, como fala até hoje, mas pelo menos
    não teria havido esta roubalheira que esta colocando o pais a beira do precipício.
    Estado empresário só interessa para “cumpanhero” dono de CONSULTORIA.

    • Coberto de razão NennoG. Defender a Petrobrás é privatizá-la. Essa baboseira de que o petróleo é nosso não passa de nacionalismo vira-latas. Fonte de corrupção e corporativismo no pior sentido da palavra, as estatais todas deveriam ser simplesmente privatizadas para o bem das contas públicas e da moralidade.

    • Discordo frontalmente dos comentaristas, o NennoG e o Ivanaraguaia, que nomes horríveis!

      Como podem afirmar que a Petrobrás nunca deveria ser criada, que absurdo!

      A Petrobrás, desde a sua criação foi duramente combatida por agentes internos e externos, pois significava uma expectativa de autosuficiência em petróleo, importantíssima para a entrada do país na era industrial. Na época, em 1953, o empresariado privado não tinha e não até hoje, condições de investimento para construir Refinarias, que custam muito caro e levam 10 anos para o retorno do investimento realizado.

      Corrupção sempre teve no Brasil e no mundo e não foi menor do que está sendo agora, meus caros. Um ex-presidente da Petrobrás, da década de 70, é hoje o maior big boss do petróleo do Texas, a frente da família Bush. As empresas de petróleo da Europa e dos EUA já foram envolvidas em escândalos de corrupção. O ex- presidente Sarkosy da França está envolvido em escândalo vergonhoso envolvendo um grande multinacional francesa. E aí, é só aqui cara pálidas. No resto do mundo é o paraíso e aqui é o inferno?

      O que precisamos é de punição severa, quando os fatos corruptores são constatados e provados, só assim, reduz-se a demanda por mais corrupção. A impunidade é que gera as distorções. Uma coisa boa no atual momento, trata-se do envolvimento e da prisão dos empreiteiros, antes, somente os corruptos públicos pagavam pelos seus erros. Agora, graças a coragem do juiz Sérgio Moro, executivos amargam as grades e se forem julgados e condenados depois da ampla defesa e do contraditório, terão que cumprir as penas e devolver o produto da corrupção.

      Veja agora, mesmo, o mega escândalo do Banco HSBC da Suíça. Se as teses dos senhores fossem corretas e não são de maneira alguma, o HSBC deveria falir e ser banido da Suíça, lógico que não. Apura-se a roubalheira dos empregados do banco, puna-se os envolvidos e vida que segue.

      A Petrobrás é maior do que tudo que estamos vendo diariamente na mídia, é o orgulho nacional que todo brasileiro sente na pele, sabendo que é uma das 10 melhores empresas do mundo comprovando que somos competentes no que fazemos, quando deixam é claro. Um grupo pequeno manchou de óleo podre a empresa, mas logo eles passarão e novos dirigentes compromissados com a ética assumirão os cargos vagos.

      Agora, pedir para privatizá-la e entregar na mão de quem? Das construtoras envolvidas na Lava Jato? Ou daquele empresário que queria ser o primeiro brasileiro mais rico do mundo e que hoje está falido? A Petrobrás é nossa, do país, da sociedade brasileira e pode sim, ser administrada com competência por agentes públicos. Não esqueçam que a empresa é de economia mista, caros cidadãos.

      Privatizar uma empresa, ao menor sinal de dificuldades pontuais, significa tirar o sofá da sala, quando o marido vê sua amada deitada no sofá com outra pessoa.

      Alea jacta est

  4. Me desculpe, amigos e colegas da TI, tentar simplificar o já simplificado.

    Faz tempo que estamos chovendo no molhado.

    A coisa é simples demais e óbvia.

    Defender a Petrobrás é obrigação de todos: povo, governo, funcionários, etc.
    Buscar saída para que as empresas envolvidas não venham a falir ou fechar, também é lógico. É preciso manter empregos, trabalhos, desenvolvimento, etc.

    Mas para que isto aconteça, investir é preciso. Disponibilizar recursos financeiros e humanos também.

    O que é dispensável são os corruptos, os ladrões da pátria. É contra estes indivíduos inescrupulosos que precisamos investir forte e definitivamente, com medidas e punições exemplares e na medida certa. São criminosos, independentemente da sua condição profissional ou funcional: empresários, empregados, legisladores ou autoridades governamentais.

    Este é o omelete do momento e que, para ser feito, tem-se de quebrar os ovos!

    Quem diz que defende/defenderá a Petrobrás e, ao mesmo tempo, se coloca ao lado dos corruptos, ladrões, criminosos que a assaltaram e jogaram-na no descrédito atual, mentem. No fundo, o que desejam é salvar o “rabo comprido dos malfeitores”.

    E não importa em que governo ou quem começou. Pois que sejam pegos, julgados e condenados os de hoje, os de ontem e os de sempre.

    O ato patrocinado por Lulla e seus seguidores, rotulado de “EM DEFESA DA PETROBRÁS” e que ao final registrou ameaças e a confirmação da existência de um “exército paralelo”, com identificação de João Pedro Stédille como “el comandante”, é caso de polícia e de justiça. Tratar-se de afronta à democracia e à Constituição Federal.

    Assim, é preciso formalizar-se ação para responsabilizar Lulla, ex-presidente e atual “agitador de massas”. A ficar assim, sem denúncia, julgamento e punição, fica aberta a grande porta da impunidade, da irresponsabilidade e da insensatez.

    Afinal de contas, para que existem e são pagos Ministério Público, tribunais/juízes, forças policiais e o próprio exército?

    Estamos, a passos largos, na direção de vermos nosso país transformar-se da “terra do nunca antes” na “nação da coisa nenhuma”.

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