Defender o voto impresso é mergulhar num passado que fragiliza o regime democrático

Charge do Gilmar Fraga (Agencia RBS)

Roberto Nascimento

No que diz respeito às reiteradas críticas à urnas eletrônicas, feitas pelo presidente Jair Bolsonaro e outras figuras do governo, especialmente o ministro da Defesa, general Braga Netto, trata -se de um retrocesso que precisa ser combatido com todo rigor pelo Congresso

De toda forma, está inteiramente fora de questão a volta dessa modalidade do chamado voto impresso, a ser preenchido na cabina para registrar o desejo expresso pelo eleitor no candidato ou no partido.

RESULTADO POSITIVO – Desde que foram criadas, em 1992, as urnas eletrônicas têm se mostrado seguras, com um antídoto contra as fraudes, que ocorriam na contagem anterior. Era comum as urnas contendo os votos serem roubadas e adulteradas no caminho entre as seções eleitorais e o Tribunal Regional Eleitoral, além de demorarem dias para conhecimento do resultado, com votos sendo adulterados também nas mesas de apuração.

A simples menção de retornar àqueles tenebrosos dias já denota o desejo de manipular as eleições de 2022. Configura-se como um desserviço à nação e traz o risco de invasão ao Congresso, tal e qual estimulado pelo presidente americano Donald Trump, que não aceitou a derrota para Joe Biden, alegando fraude, quase resultando em tragédia grega. E aqui no Brasil o presidente Bolsonaro vive a ameaçar a repetição desses fatos.

VOTO DISTRITAL – A Reforma Política, como está sendo desenhada por Arthur Lira, também caminha para o retorno ao tempo das trevas.

Querem o voto distrital, uma monstruosidade que não pode dar certo, porque estimula o voto de cabresto, elege artistas, figuras folclóricas, cães de guarda, milicianos, pastores, traficantes, todos sem nenhuma cor partidária, sem propostas e identidade com o noções de política.

O sistema democrático fica fragilizado e abre caminho para ditadores de plantão, que passariam a manipular as listas dos candidatos e a escolher por nós os representantes no Parlamento, que apenas referendarão as ordens do governante de ocasião.

AMEAÇAS À DEMOCRACIA – Portanto, o voto impresso e o voto distrital são ameaças à normalidade democrática num país em formação como o Brasil. Aprovadas essas aberrações, ficará mais difícil a alternância de poder.

O exemplo de Vladimir Putin, o ditador da Rússia, está aí diante de nós, para tirar qualquer dúvida a respeito do futuro do Brasil, se o Congresso der esses passos errados. Mais na frente, a História condenará os traidores da pátria.

30 thoughts on “Defender o voto impresso é mergulhar num passado que fragiliza o regime democrático

  1. Os congressistas só tem que estudar o seguinte: Quais foram os políticos, pelo menos os mais populares, que apoiaram o golpe militar/civil de 1964 e depois foram escanteados/cassados pelos militares?!!! Então; hoje apoiem e amanhã sofram.

    • São Paulo, quinta-feira, 01 de abril de 2004

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      Líderes políticos a favor do golpe de 64 ganharam, mas não levaram

      PLÍNIO FRAGA
      DA REPORTAGEM LOCAL

      Os governadores Adhemar de Barros (PSP-SP), Carlos Lacerda (UDN-Guanabara) e José Magalhães Pinto (UDN-MG)- principais lideranças políticas em defesa do golpe militar que derrubou João Goulart- amanheceram o 1º de abril de 1964 vencedores. Mas acabaram derrotados pelo regime instalado a partir dali.

      • O Cidadania se manifesta publicamente pela rejeição do chamado distritão, um sistema eleitoral arcaico que se transformará numa das piores ameaças à democracia brasileira na história recente. Trata-se de um modelo para a eleição de deputados federais que não é usado em nenhuma democracia relevante do mundo e que tornará os partidos políticos irrelevantes.

        Um sistema do século XIX que esvaziará o conteúdo programático das candidaturas para a Câmara dos Deputados, perpetuará mandatos já conquistados e irá privilegiar candidatos conhecidos, como celebridades, ou de alto poder aquisitivo. Se o que vale é o voto única e exclusivamente personalista, os partidos deixam de fazer sentido.

        O sistema eleitoral tem de caminhar na direção de fortalecer e diminuir o número de legendas, de tal forma a reforçar o caráter ideológico e programático da representação política, o que facilitará a governabilidade. Não no sentido de transformar cada um dos eleitos em um partido, fazendo das legendas meros cartórios de registro de candidaturas.

        Segundo levantamento da Folha de S.Paulo, estivesse valendo em 2018, o distritão desprezaria 70% dos votos válidos para deputado federal: 68 milhões dos quase 100 milhões de votos não teriam influência alguma na distribuição das 513 vagas da Câmara.

        Aprovar tal aberração instituirá o reinado do voto individual, fazendo do Parlamento casa de indivíduos, não de partidos, e será o início do fim da democracia representativa. Um total retrocesso que não contará com os votos do Cidadania.

        • Ednei de Freitas, que comentário estupendo. Você sabe das coisas.
          Sua inteligência flutua acima de todas as espectativas.
          Muito obrigado.

          • Obrigado pela sua grande compreensão, Sr. Roberto Nascimento. Sinto-me enaltecido com os seus elogios. Espero que caminhemos juntos para tentar pensar ideias que melhorem a vida política nacional.

            Um grande abraço e um feliz domingo e mais ótima semana vindoura.

            Atenciosamente,

            Ednei José Dutra de Freitas

    • Respondo a você José Pereira Filho:
      Juscelino e Carlos Lacerda. Os dois, candidatos a presidente na eleição marcada para 1965, que obviamente nunca ocorreu. Tivemos uma longa noite de espera, que durou 21 anos. Esses dois excepcionais políticos de todos os tempos, não tiveram outra oportunidade. Pagaram um preço alto pelo erro, inclusive com a perda dos direitos políticos. Foram cassados.

    • Eufemismo para cédulas, que são depositadas em urnas fajutas, facilmente manipuláveis. Só quem tem medo do eleitor, defende essa anomalia demode.

  2. O voto distrital merece reflexão aprofundada, acho que trará aprimoramento na eleição de candidatos mais sintonizados com a região onde residam ou têm domicílio eleitoral. Cada distrito pode cobrar melhor do representante que elegeu.

  3. Aprecio muito quando o Editor posta um artigo de um comentarista, ainda mais dotado de cultura, conhecimentos, larga visão política, social e econômica, além de um texto sempre agradável de se ler.

    O meu amigo Roberto Nascimento reúne qualidades em demasia, logo, suas postagens merecem a nossa atenção e, invariavelmente, apoio pelo que divulga.

    Dito isso, vou inverter o que penso do artigo em tela, iniciando pelo seu final:
    “Mais na frente, a História condenará os traidores da pátria.”

    Tenho mais idade que tu, Nascimento, porém sou um semianalfabeto.
    De pouco valeria a minha experiência a mais de vida, se não tenho currículo acadêmico, logo, a minha análise estará prejudicada por esta falta de estudos, que tu os esbanjas em cada artigo ou comentário postado.

    Mas, também não posso desmerecer a idade que tenho, 71, às vésperas de completar 72, e digo o seguinte:
    “Mais na frente, a História condenará os traidores da pátria.”
    Nascimento, a História condenará O POVO BRASILEIRO pela sua omissão, irresponsabilidade, COVARDIA, de ter se deixado dominar de tal forma, que sequer reclama dos 550 mil mortos pela pandemia, onde uma boa parte dessas centenas de milhares de óbitos podemos atribuir ao governo federal!

    Sabendo que a sua derrota é iminente, Bolsonaro inventa e bate pé no voto impresso, que significará uma eleição sub júdice, sabe-se lá até quando, impedindo que tenhamos as devidas substituições nos cargos eletivos.

    “Solução” que encontrou para não entregar o poder para seu sucessor, ainda mais se o povo continuar sendo punido impiedosamente pelos deuses da política, se Lula for eleito!
    Em outras palavras:
    Morto por ter cão, morto por não tê-lo, assim nos encontramos para as eleições de 22.

    Reeleger Bolsonaro, e seguirá a nossa via crucis;
    eleger Lula, e voltaremos a percorrer outro caminho de pedras, assistindo a depredação do erário e patrimônio nacionais!

    Justamente porque fomos muito bem adestrados, CASTRADOS POLITICAMENTE, o povo tudo permite em seu nome.
    Adoramos criticar, porém detestamos agir.
    Nesta imensurável distância entre a omissão e a ação, os poderes constituídos tomaram conta do povo e do país.

    Agora, resolverem (as autoridades) os gravíssimos problemas nacionais não temos ninguém!
    Para Bolsonaro salvar o seu governo, e não uma administração voltada para o povo, para o Brasil, mas manter-se no poder, simplesmente nos deu de bandeja para o Centrão.

    Bolsonaro finalmente confessa a sua corrupção;
    demonstra quem são seus aliados preferidos;
    sem qualquer vergonha e pudor, coloca na Chefia da Casa Civil um dos símbolos maiores de desonestidade, indecência, corrupção, ladroagem, vagabundagem, a legítima ralé parlamentar, o senador que me nego até de escrever o seu nome, “para salvar o meu governo”.

    O voto impresso está vinculado à corrupção, à permanência no poder, a impedir que as eleições transcorram normalmente porque com o Centrão nada é normal, a não ser roubar!

    Sabe, Nascimento, coloco-me no lugar do general Heleno, durante aqueles breves minutos que devem estar lhe remoendo a alma até agora, quando decidiu entoar uma paródia contra o Centrão, antes das eleições, lembras, né?

    Hoje, a humilhação desse general, a vergonha, o fiasco que está sendo exposto, mereceria de seus pares no Exército, a devida reação contra Bolsonaro.
    Não se pode trair um amigo desta forma, ainda mais se ele tem uma hierarquia superior a do atual presidente no meio militar.

    Bolsonaro limpou os pés com a lealdade, seriedade, honestidade e amizade porque “tenho de salvar o meu governo”.

    O voto impresso é o galho que precisa para não se afogar no mar de lama que se tornou o seu GOVERNO!

    Abração.
    Saúde e paz.

    • Sou seu admirador extasiado Francisco Bendl. De coração, aprendo muito com você. Subscrevo todas as linhas descritas por ti. O general Heleno nem toca mais no assunto da música para o Fantástico, que ele cantou entusiasmado: ” se gritar pega Centrão, não fica um meu irmão”. Provavelmente já terá uma narrativa, tipo: coisa de internet, tirada do contexto.

  4. O que está dito neste artigo sobre voto impresso é o que se chama de “fake news”.

    É falsa a informação de “volta dessa modalidade do chamado voto impresso, a ser preenchido na cabina para registrar o desejo expresso pelo eleitor no candidato ou no partido.”

    Impressiona como ainda exista gente que caia nessa conversa de que seria para retornar às cédulas de papel. O mesmo está sendo dito e propagado pelo ministro Barroso, para esconder a verdade.

    Com essa mentira, tenta-se manipular a informação para fazer crer aos otários que seja para voltar ao voto em cédula de papel, quando na realidade o que se está propondo é a “continuidade da urna eletrônica”, mas com uma impressora acoplada para imprimir o voto e depositá-lo automaticamente sem contato manual.

    Não se divulga adequadamente que existem urnas eletrônicas de 1ª, 2ª e 3ª geração e que o Brasil ainda usa urnas de 1ª geração, da década de 90, que não permitem a impressão nem a recontagem dos votos, querendo se fazer crer na confiabilidade de um programa “fechado” de totalização de votos no servidor (computador central) do TSE. Além do Brasil, só Bangladesh e Butão ainda usam esse modelo defasado de urna eletrônica sem o comprovante do voto impresso. Os outros países que têm votação eletrônica usam máquinas com impressora.

    Quem conhece informática sabe perfeitamente que o sistema atual de apuração de votos usa um programa fechado, uma caixa preta, cujo código-fonte não é divulgado.

    Sobre as eleições presidenciais de 2014, ao contrário do que se divulga, o que o PSDB concluiu foi que por ser esse sistema fechado não permitia a checagem sobre se houve ou não fraude.

    O autor deveria se informar melhor, para não divulgar mais informações falsas.

    • Desculpe, amigo Marcos Franco, mas o articulista disse exatamente o mesmo que você, e logo no início do texto: “De toda forma, está inteiramente fora de questão a volta dessa modalidade do chamado voto impresso, a ser preenchido na cabina para registrar o desejo expresso pelo eleitor no candidato ou no partido.”

      Sua posição é igual à do Dr. Roberto Nascimento.

      Abs.

      CN

      • Caro Carlos Newton,

        Gostaria que realmente fosse isso, mas não é o que parece, pelo contexto do que ele apresenta ao longo do texto. Caberia ao próprio se pronunciar e esclarecer o que realmente quis dizer.

        Porém, ao contrário do que ele diz logo no parágrafo seguinte e muitos também propagam, há inúmeros casos relatados de fraudes nesse sistema de totalização no TSE dos votos das urnas eletrônicas.

        Inclusive um colega meu de trabalho, que se candidatou a deputado federal em 1998, ia acompanhando no computador a sua votação pelo site do TSE. Ele imprimia as folhas com os prints das telas de seus votos totalizados pelo sistema do TSE.

        Qual não foi a surpresa quando o número de votos dele foi diminuindo. Ele me mostrou as telas impressas, com os respectivos horários registrados nas telas. Fui então acompanhando junto com ele a divulgação pelo site do TSE. E a situação continuava a acontecer. O número de votos dele realmente ia diminuindo. Ora, num sistema informatizado, isso significa fraude.
        Recorreu, mas nunca lhe responderam.

        A partir dali, percebi a fragilidade de se ter um sistema fechado, em que não se pode contestar nem checar possíveis fraudes, como essa que relatei.

  5. A verdade é uma só : a quem interessa essa trevas sobre a contagem dos votos na mão de poucos que podem ser corrompidos ?

    Manter o voto NÃO auditável por que ?

    Será que é para manter o poder legislativo em rédeas curtas pelo poder judiciário ?

    Quando vemos no congresso políticos como : Rodrigos Mais , Renans , Azis , Liras , tiriricas entre outros ..
    É urgente e necessário o voto auditável !!

  6. Acho que o articulista não entendeu o que querem…comparar o voto o auditável com o voto de antigamente, é no mínimo ignorância…O voto continuará ser eletrônico, somente terá um comprovante, que no final deverá bater com o que está na urna…

  7. Voto distrital não pode ser descartado. Acho que o colunista está confundindo voto distrital com distritão, esse sim muito inadequado. O melhor sistema seria o distrital misto, metade dos deputdos eleito por distritos e outra metade pelo voto proporcional a fim de votos de minorias não sejam prejudicados, assim por exemplo, politicos que defendem o meio ambiente, muito provavelmente terão muito mais chances de ser eleitos pelo voto proporcional do que pelo voto distrital. E politicos regionais terão muito mais chances de serem eleitos pelo voto distrital. Ambos são uteis e ambos tem que ser considerados, dai a importancia da adoção do voto distrital misto. .

  8. Que vergonha para esta tribuna colocar um texto de uma pessoa absolutamente desinformada sobre o que está escrevendo, ou será má fé mesmo?
    Alguém poderia me informar, como criar um sistema de backup aumenta as fraudes? Sério gostaria de uma explicação. Toda a argumentação contra o voto impresso se resume ao fato do Bolsonaro ser a favor, pronto então tem que contra. Incrível ver pessoas que se dizem letradas caírem em uma esparrela destas.

  9. Sandoval;
    O voto distrital misto é uma boa forma de nos defendermos do sistema corporativo atual.
    Os funcionários das estatais (minorias organizadas) elegem seus representantes, e nós, grande maioria dispersa, nem se lembra no deputado que votou.

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