Defesa diz que acusado de atacar Porta dos Fundos só volta ao Brasil se prisão temporária for revogada

Fauzi diz que ataque foi um “ato simbólico, belo e moral”

Fábio Grellet
Estadão

O economista Eduardo Fauzi, de 41 anos, acusado pela Polícia Civil do Rio de ser um dos responsáveis pelo ataque à produtora do grupo humorístico Porta dos Fundos, só deve voltar ao Brasil se a Justiça revogar a ordem de prisão temporária por 30 dias que vigora contra ele desde 31 de dezembro. A afirmação foi feita nesta quarta-feira, dia 15, por três advogados que defendem Fauzi.

Ele está na Rússia desde 29 de dezembro, quando sua prisão ainda não havia sido decretada – e tem passagem comprada para retornar ao Brasil em 30 de janeiro. O atentado com coquetéis molotov ocorreu no Humaitá (Zona Sul), na madrugada de 24 de dezembro.

SEM PREVISÃO – Um habeas corpus em favor do economista foi ajuizado no Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) e distribuído, segundo os advogados, ao desembargador Jose Muiños Piñeiro Filho, da 6ª Câmara Criminal, mas ainda não há previsão de julgamento.

“Acredito que o habeas corpus seja julgado antes do dia 30 e concedido, e então meu cliente retorna ao Brasil para responder à acusação em liberdade. Se (o pedido) for negado, vamos ao Superior Tribunal de Justiça”, afirmou Diego Rossi Moretti, um dos advogados.

RECOMENDAÇÃO – Segundo ele, se a prisão for mantida, a orientação será para que Fauzi permaneça na Rússia. “Assim que soube da ordem de prisão, ele queria voltar ao Brasil imediatamente, cancelando os compromissos que tem na Rússia. Mas a equipe de advogados recomendou que ele permanecesse lá. Consideramos a ordem de prisão injusta”, classificou Moretti.

O advogado diz que as imagens de que a Polícia dispõe mostram pessoas com capuz lançando os artefatos contra a produtora, e, em outro momento, Fauzi sem capuz. “Não dá para concluir que ele lançou algum artefato”, disse Moretti, que admite uma “participação simbólica” de seu cliente no crime.

“É um absurdo indiciá-lo por tentativa de homicídio. A Polícia só fez isso porque, se o acusasse apenas por explosão, não caberia prisão temporária.” 

DELAÇÃO – Segundo os advogados, Fauzi se dispõe a prestar depoimento direto da Rússia, por videoconferência, e a Polícia Civil teria proposto uma “delação premiada”: se ele contar quem são as outras pessoas que participaram do ataque teria benefícios como a redução da pena. “Mas a função de investigar cabe ao Estado”, disse Moretti.

Os advogados negam que Fauzi conste da lista de procurados da Interpol (Polícia Internacional), como a Polícia do Rio informou. Segundo a defesa, existe um pedido de inclusão na lista, mas ainda não foi atendido. Informada pela reportagem sobre as críticas feitas pela equipe de advogados, a secretaria de Polícia Civil do Rio informou apenas que “as investigações correm sob sigilo”.

“SIMBÓLICO” –  Por meio dos advogados, Fauzi divulgou nesta quarta-feira uma carta em que classificou o ataque como “puramente simbólico” e planejado para “que não houvesse nenhuma vítima ou dano material”. Fauzi defendeu o crime que cometeu, assumido por um grupo que se definiu como integralista. O economista presidia a seção fluminense da Frente Integralista Brasileira. A entidade repudiou o ataque e expulsou o acusado.

“O ato foi belo e moral e a única alternativa possível ao criminoso Especial de Natal do Porta dos Fundos”, escreveu. Fauzi disse que se tornou “perseguido político”, “atacado da forma mais covarde e cruel por sua defesa de Deus”.

CENSURADO – O Especial de Natal do Porta dos Fundos chama “A Primeira Tentação de Cristo” e retrata Jesus Cristo como um homossexual que se envolve com Lúcifer. Nessa versão, Maria trai José com Deus. O especial de Natal chegou a ser censurado pela Justiça do Rio, a pedido da Associação Centro Dom Bosco de Fé e Cultura, mas foi liberado por ordem do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
As alegações da defesa de Fauzi atentam contra à inteligência alheia e ao bom senso. Dizer que assim que soube da ordem de prisão ele quis voltar ao Brasil imediatamente, cancelando os compromissos que tem na Rússia, é piada. E de mau gosto. Quem acredita ? É permitido que mintam, mas que sejam mais convincentes e inteligentes em seus discursos. Em tempo, se Fauzi acredita mesmo que seu ato foi “simbólico, belo e moral” por que não permaneceu por aqui para receber as congratulações? (Marcelo Copelli)

2 thoughts on “Defesa diz que acusado de atacar Porta dos Fundos só volta ao Brasil se prisão temporária for revogada

  1. O fato de que querer voltar ou não é irrelevante. Quanto a participação “simbólica”, isso sim, não existe ou participa ou se afasta. Apesar de não ser a mão que atirou, sua presença lá, serviu de apoio e inspiração para o membro que fez. Quanto a tentativa de assassinato, a partir do momento que se atira um objeto deste, há que se ter em mente que alguém pode vir a óbito, mesmo intencionando apenas uma forma de protesto mais incisivo. Não se pode contudo deixar de se colocar a culpa do estado por este incidente. Em algum momento isso iria acontecer e pode se repetir, mesmo com ações de repressão mais contundentes como esta. O estado é laico, mas o catolicismo é a religião preponderante neste país. Isso ofende aos devotos e se dependermos do Judiciário brasileiro, Toffoli que o diga, entramos em guerra campal por isso.

  2. Esse ignorante completo chamado toffoli não passa de um mal encarado que, não sei por que escusas razões, chegou à posição atual. Não tenho religião mas respeito profundamente a crença ou descrença alheia. Tenho profunda admiração por Jesus Cristo e sua filosofia. Essa tal porta dos fundos deveria ser derrubada e incendiada. Eu queria ver a coragem desses humoristas em um país muçulmano!

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