Defesa diz que Forças Armadas são obedientes à Constituição e trabalham por estabilidade do país

Charge do Iotii (gauchazh.clicrbs.com.br)

Gustavo Uribe
Folha

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, publicou nesta segunda-feira, dia 20, um comunicado oficial no qual afirma que as Forças Armadas trabalham com o propósito de “manter a paz e a estabilidade do país”, obedecendo à “Constituição Federal”.

O documento foi divulgado após integrantes do Legislativo e do Judiciário terem pressionado o Palácio do Planalto a se posicionar sobre a participação do presidente Jair Bolsonaro, no domingo, dia 19, em manifestação que defendeu uma intervenção militar no país.

ESTABILIDADE – “As Forças Armadas trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição Federal. O momento que se apresenta exige entendimento e esforço de todos os brasileiros”, ressaltou o comunicado.

Mais cedo, o ministro participou de teleconferência com os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica. Nesta segunda-feira, a cúpula militar convenceu o presidente a modular o tom. Ele disse, na entrada do Palácio da Alvorada, que defende a democracia e a liberdade “acima de tudo”. No dia anterior, o presidente discursou em frente ao quartel-general do Exército a um grupo de apoiadores que pregava a edição de um novo AI-5, o mais radical ato institucional da ditadura militar (1964-1985).

ÂNIMOS ACIRRADOS – Após o protesto, Bolsonaro se reuniu com ministros do núcleo militar e, segundo relatos feitos à Folha, recebeu a avaliação de que a sua presença poderia ter sido evitada e acabou acirrando ânimos, sobretudo em um momento em que se exige esforço conjunto em combate à pandemia do coronavírus.

Neste domingo, em cima da caçamba de uma caminhonete, diante do quartel-general do Exército e se dirigindo a uma aglomeração de apoiadores pró-intervenção militar no Brasil, Bolsonaro afirmou que “acabou a época da patifaria” e gritou palavras de ordem como “agora é o povo no poder” e “não queremos negociar nada”.

SEM NEGOCIAÇÃO – “Nós não queremos negociar nada. Nós queremos ação pelo Brasil”, declarou o presidente, que participou pelo segundo dia seguido de manifestação em Brasília, provocando aglomerações em meio à pandemia do coronavírus. “Chega da velha política. Agora é Brasil acima de tudo e Deus acima de todos.”

Já nesta segunda-feira, o presidente procurou mudar o tom. “Peguem o meu discurso. Não falei nada contra qualquer outro Poder. Muito pelo contrário. Queremos voltar ao trabalho, o povo quer isso. Estavam lá saudando o Exército brasileiro. É isso, mais nada. Fora isso é invencionice, tentativa de incendiar a nação que ainda está dentro da normalidade”, disse Bolsonaro nesta manhã.

INCÔMODO – Bolsonaro se mostrou bastante incomodado com as críticas que recebeu por ter participado de ato de apoiadores pró-intervenção militar, com faixas com pedidos de golpe, gritos contra o Congresso e o Supremo Tribunal Federal e pressão pelo fim do isolamento social recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde) contra a pandemia.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, solicitou ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para investigar manifestações do último domingo. O objetivo de Aras é apurar possível violação da Lei de Segurança Nacional por “atos contra o regime da democracia brasileira por vários cidadãos, inclusive deputados federais, o que justifica a competência do STF”.

“O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional”, afirmou o procurador-geral.

REAÇÕES – A fala de Bolsonaro e sua participação no ato de domingo em Brasília, no Dia do Exército, provocou outras fortes reações no mundo jurídico e político. O presidente do STF, ministro Dias Toffoli, afirmou que não há solução para o país fora da democracia. A declaração de Toffoli ocorreu em reunião em que recebeu o texto do “Pacto pela vida e pelo Brasil” de entidades como OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

“As seis entidades têm no DNA o conhecimento do quão nefasto é o autoritarismo, do quão nefastos são os fundamentalismo, do quão nefasto é o ataque às instituições e à democracia. Neste momento é bom sempre relembrar a importância que essas seis instituições tiveram na redemocratização do país”, disse.

Um dia antes, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse ser uma “crueldade imperdoável” pregar uma ruptura democrática em meio às mortes da pandemia da covid-19.

AUTORITARISMO – “O mundo inteiro está unido contra o coronavírus. No Brasil, temos de lutar contra o corona e o vírus do autoritarismo. É mais trabalhoso, mas venceremos”, escreveu Maia. “Em nome da Câmara dos Deputados, repudio todo e qualquer ato que defenda a ditadura, atentando contra a Constituição.”

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ser “lamentável” que o presidente “apoie um ato antidemocrático, que afronta a democracia e exalta o AI-5”. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) também chamou de “lamentável” a participação de Bolsonaro. “É hora de união ao redor da Constituição contra toda ameaça à democracia.” O governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), afirmou que “democracia não é o que presidente Bolsonaro pratica”.

COMPROMISSO RASGADO  – O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo, disse que “só pode desejar intervenção militar quem perdeu a fé no futuro e sonha com um passado que nunca houve”. Gilmar Mendes, também do STF, disse que “invocar o AI-5 e a volta da ditadura é rasgar o compromisso com a Constituição e com a ordem democrática”.

O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Felipe Santa Cruz, disse que “a sorte da democracia brasileira está lançada” e que esta é a “hora dos democratas se unirem, superando dificuldades e divergências, em nome do bem maior chamado liberdade”.

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ÍNTEGRA DA NOTA DO MINISTÉRIO DA DEFESA:

As Forças Armadas trabalham com o propósito de manter a paz e a estabilidade do país, sempre obedientes à Constituição Federal. O momento que se apresenta exige entendimento e esforço de todos os brasileiros. Nenhum país estava preparado para uma pandemia como a que estamos vivendo. Essa realidade requer adaptação das capacidades das Forças Armadas para combater um inimigo comum a todos: o coronavírus e suas consequências sociais. É isso o que estamos fazendo.

8 thoughts on “Defesa diz que Forças Armadas são obedientes à Constituição e trabalham por estabilidade do país

  1. PARA TUDO, “o problema é o fio da bobina”, a selva Brasil foi enganada de novo, elegeu o Leão errado e o Novo tb errado, e daí o velho que já morreu entrou em pandemônio, com o Leão errado, o impostor político temporal, démodé, entrando em parafuso, tocando fogo nas próprias vestes. Daí vem o PGR e diz que “O Estado brasileiro admite única ideologia que é a do regime da democracia participativa. Qualquer atentado à democracia afronta a Constituição e a Lei de Segurança Nacional “. Mas o diabo é que a democracia partidária e a ditadura militar, as duas únicas opções políticas praticadas pelo Brasil, até está parte da história da república, entram em colapso e combustão juntas, e o QG dela$, Brasília, infelizmente, revelou-se uma espécie de Ilha da Fantasia do sistema apodrecido, que só labora com duas opções como solução à problemática gerada pelas próprias opções que são a ditadura militar e o partidarismo. Face à quais a realidade temporal e espacial nos impõe tb apenas duas opções, a saber: ou nos reinventamos como nação, e saímos por uma Terceira Via de Verdade, evolutiva e alvissareira, que nos coloque em condições de competitividade face ao mundo desenvolvido, ou então não temos saída, é ficarmos em casa mesmo, em eterna quarentena, esperando a morte chegar, iguais carneiros, calados, chorando, orando e rezando. Mais claro do essa interpretação da realidade, só desenhá-la.

  2. Pensamento reinante na cabeça dos fanáticos bolsominions: quem não é a favor da ideologia da extrema direita ultrapassada do Bolsonaro, é comunista, esquerdista, socialista e o diabo a quatro.
    Parece mentira, mas todos os dias são cometários desse tipo, como o samba de uma nota só, aparecem neste blog democrático.

    • Outro dia num grupo, discutindo política de desarmamento, falei que era favorável a uma liberalização excetuando as de guerra.

      Aí se uns bolsominions surpreenderam e falaram: ué, mas você não é Comunista?

      Mais à frente, complementei falando ser contra qualquer criminalização de porte: arma ou drogra. O crime de porte só favorece a corrupção policial. O que deve ser agravado é o crime cometido com(sob) o uso de…

      Aí deu parafuso neles. Falaram que sou meio de direita e meio de esquerda.

  3. Quáaa
    “O documento foi divulgado após integrantes do Legislativo e do Judiciário terem pressionado o Palácio do Planalto”.
    Esses ‘integrantes’ são os tais do Gabinete da Bem Aventurança que combatem como mouros o Gabinete do Ódio?

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