Defesa do ex-procurador Miller deu um xeque-mate em Janot, Temer e Gilmar

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Janot acusou Miller e terá de depor a favor dele

Carlos Newton

Não há dúvida de que o ex-procurador Marcello Miller, ao pedir exoneração para trabalhar na defesa de importantes réus investigados pela própria Procuradoria, agiu de maneira imoral e amoral, imitando Silvio Santos naquela jogada de “tudo por dinheiro”. Acontece que nem sempre o que é imoral ou amoral pode ser considerado crime. Justamente por isso, a defesa de Miller conseguiu dar um xeque-mate coletivo no procurador-geral Rodrigo Janot, no presidente Michel Temer e no ministro Gilmar Mendes.

Foi uma jogada de mestre a decisão de arrolar Janot e outros integrantes do Ministério Público Federal para que prestem depoimento sobre as suspeitas de que Miller teria ajudado os delatores do grupo J&F a negociar a delação premiada.

Em termos exclusivamente jurídicos, deixando a ética de lado, a defesa de Miller desarmou os três adversários. Foi como se os advogados tivessem requerido a chamada “exceção da verdade”, para desqualificar as acusações.

DENÚNCIAS VAZIAS – Desde o início da confusão, Temer deu sucessivas declarações denunciando o envolvimento de Miller, dizendo que ele teria recebido milhões e até beneficiado financeiramente Janot.  Gilmar Mendes também fez uma festa, afirmando que em Brasília todos sabiam da atuação ilegal de Miller, que teria sido “braço direito” de Janot. Desestribado, Gilmar foi adiante e chamou Janot de “delinquente”, “desclassificado”, “desequilibrado” e “bêbado”, não necessariamente nesta ordem.

E no pedido de prisão apresentado ao Supremo na última sexta-feira, dia 8, o procurador Janot também caminhou no limite da irresponsabilidade, ao acusar formalmente Marcelo Miller de ter atuado em favor da JBS enquanto trabalhava na Procuradoria.

Nenhum dos três tinha a menor prova das acusações que faziam. O que chegou mais perto foi Temer, ao se referir à bolada que Miller recebeu de luvas, mas ninguém sabe o montante, que agora está servindo para pagar aos advogados. Mas Temer também extrapolou e chegou a chamar Joesley Batista de “patrão” de Miller, um exagero fútil e leviano.

NOTA DA PROCURADORIA – Todos sabem que a raiva é inimiga da razão. No afã de se vingar de Miller, que nunca trabalhou diretamente com ele, Janot esqueceu que a própria Procuradoria tinha emitido uma nota oficial em maio, que inocentava Miller.

De acordo com a PGR, Miller não atuou na delação premiada da JBS, mas apenas no acordo de leniência firmado nos EUA. Diz a nota que o ex-procurador não atuou na esfera penal do caso, mas apenas nas infrações de natureza cível relacionadas à empresa.

Além disso, Miller nem estava obrigado a cumprir um período de quarentena entre sua saída da Procuradoria e seu ingresso no escritório de advocacia, pois o intervalo não é uma exigência legal. Mas Janot esqueceu tudo isso.

PERGUNTA-CHAVE – Ao convocar Janot e outros procuradores para serem testemunhas, a pergunta-chave é responder se, em algum momento, o ex-procurador da República lhes solicitou que “intercedessem de qualquer forma em favor” da J&F, holding do grupo.

A defesa também pediu dados da Procuradoria da República no Distrito Federal para verificar se Miller esteve no órgão entre outubro de 2016 a 5 de abril de 2017 – período anterior ao desligamento do ex-procurador.

Além disso,Miller se colocou à disposição para ser ouvido novamente – ele já prestou depoimento à Procuradoria na sexta-feira (dia 8), durante 12 horas – e também abriu mão de seus sigilos bancário e fiscal.

DESLIGAMENTO – Na manifestação ao Supremo, a defesa de Miller alega que ele decidiu deixar a PGR em 23 de fevereiro deste ano, após aceitar proposta de contratação pelo escritório de advocacia Trench, Rossi e Watanabe. O desligamento só veio em 5 de abril porque, segundo os advogados, ele ainda tinha férias vencidas a serem gozadas.

“O requerente jamais se utilizou de informações às quais tinha acesso em razão de sua posição, para beneficiar quem quer que fosse”, diz um trecho do documento.

A defesa de Miller também argumenta que o fato de ele estar em “processo de integração” no escritório não o impedia de “prestar esclarecimentos ou tirar dúvidas de caráter geral de determinados clientes”.

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P.S.
A defesa sustenta que Miller não recebeu ou pediu qualquer valor da J&F; estava afastado das investigações da Lava Jato desde julho de 2016; não acessou documentos ou dados do caso desde o início do ano passado e nunca investigou a J&F enquanto estava na PGR.

P.S. 2Confirma-se, portanto, a informação exclusiva da “Tribuna da Internet”, no sentido de que Miller pode ser acusado de amoral, ganancioso, antiético e argentário, mas não existe crime que possa ser atribuído a ele. Justamente por isso, o procurador Janot agora vai passar essa vergonha de prestar depoimento a favor de um ex-colega que ele próprio transformou em réu.

P.S. 3 – As únicas provas consistentes contra Miller são uma passagem aérea no dia 10 de fevereiro e um e-mail mostrando que ele já assessorava o escritório de advocacia, mas em caso que nada tinha a ver com a delação premiada. (C.N.)

8 thoughts on “Defesa do ex-procurador Miller deu um xeque-mate em Janot, Temer e Gilmar

  1. Caro Newton, Janot escorregou na maionese, mas, com milhares de “casos”, suas ações em favor da moral administrativa, merece perdão, que ele tenha a humildade, de pedir desculpas, pela “falha”, os Assessores dele, o teriam alertadoI?
    Pior dessa “merda toda”, é termos os Presidentes dos poderes, e legislativos, na qualidade de criminosos hediondos.acusados, e continuarem a humilhar o Brasil perante o Mundo. Que Deus nos ajude.

  2. UM BRASIL SEM BRASA!

    No BRASIL, ideologicamente falando, nunca houve esquerda nem direita. O que sempre existiu, na verdade, são súcias de casuístas que ambicionam o poder por métodos só aparentemente diferentes. Eles recorrem a acusações mútuas, sátiras, ameaças e outros subterfúgios como formas falaciosas e acovardadas de exercerem suas militâncias.
    A transformação vertical, a presúria propriamente dita, é algo incômodo a esses segmentos que detêm poder de recrutamento. A ninguém, senão a eles, interessa o estado de arrivismo e o conformismo das massas oprimidas.
    -Quem dispõe de poder de mobilização é cúmplice dos seus próprios interesses, contra os quais não vai conspirar. -Quem tem motivos para se rebelar, além de belicamente impotente, ainda é hostilizado pela doutrina intimidadora: “Ovo não briga com pedra”……. É beato da catequese resignante: “Aos humildes pertencem o reino dos céus”

  3. Estou com o Sr Théo Fernandes; e mais.
    De meu ponto de vista, se o Janot não tivesse feito o que fez naquele momento; continuaria a ser atacado incessantemente. Eles nunca esperavam que ele fizesse o que fez e aí estou com o TF, o Janot assume o que fez, pede desculpas, paga o que tiver que pagar sabendo que conseguiu neutralizar a sanha dos canalhas do quadrilhão que querem “abafar” a Lava Jato.
    Sr Théo, por suas palavras em outros comentários, vejo que o senhor conhece profundamente a doutrina espírita e deste modo vamos ter fé e confiar na Lei do Progresso, sabendo que não estamos regredindo e sim falhando em provas atuais, mas no final estaremos andando no caminho da Luz.
    Bom dia a todos.

  4. Os e-mails do escritório de advocacia mostraram que em fev/17 o MIller já estava tratanto dos Frigoboys, e passando informações.
    Não tem xeque-mate aqui, está mais para harakiri.

  5. Depois que o Lula esculhambou o Janot conforme as gravações, o mesmo se comportou partidário e muito grato ao PT. E foi muito rápido nas flechas em direção ao PMDB, esse foi o erro crucial. O procurador levantando uma bandeira politica, O Janot nunca de fato laçou flechas em direção ao PT.

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