Defesa do senador Fernando Bezerra Coelho, alvo da PF, diz que ação foi ‘retaliação política’ de Moro

Callegari criticou operação nos gabinetes do parlamentar

Breno Pires
Estadão

O advogado criminalista André Callegari, coordenador da defesa do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), classificou a operação policial realizada nesta quinta-feira, dia 19, nos gabinetes do senador, como uma retaliação pela atuação do parlamentar contra abusos de órgãos de investigação.

“Primeiro, teve uma declaração dele sobre o Moro ser esquecido. Mas, enfim, é uma retaliação no contexto político de tudo que está acontecendo”, disse Callegari. A frase a que o advogado fez referência foi dita por Bezerra Coelho ao Estado no início do mês.

LAVA TOGA – Como exemplos, o advogado disse que o “senador tem defendido à não abertura da CPI da Lava Toga, tem na realidade se colocado contrário a algumas posições que ferem direitos e garantias fundamentais, tem sido incisivo em alguns pontos relativos a investigações sem uma prova robusta, a interferência entre Receita, Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), etc. Eu acho que isso desagrada a determinados setores”.

O defensor, em seguida, disse que não enxerga uma retaliação direcionada por uma autoridade. “Não tô dizendo pessoa específica. O que me chama atenção é uma medida desse porte, que não guarda relação. Nem a resposta do ministro Luís Roberto Barroso me convence”, disse.

DECISÃO TÉCNICA – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso, em nota à imprensa, disse que a decisão autorizadora da operação policial é “técnica e republicana, baseada em relevante quantidade de indícios da prática de delitos”.

Barroso defendeu as competências da Polícia Federal para investigar fatos criminosos e do Supremo para a supervisão de inquéritos. “Não constituem quebra ao princípio da separação de Poderes, mas puro cumprimento da Constituição”, afirmou. 

CRISE – A operação da Polícia Federal, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, que vasculhou gabinetes do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho, abriu uma nova crise entre os Poderes. Após a ação, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), reagiu e disse que questionará a ofensiva na Corte.

Bezerra e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE) – também alvo da operação –, são suspeitos de receberem R$ 5,538 milhões em propinas, segundo a PF. Alcolumbre, porém, contestou a realização de busca e apreensão nos gabinetes da liderança do governo e do parlamentar – na época dos fatos investigados, Bezerra não tinha mandato de senador. A Procuradoria-Geral da República havia se manifestado contrária a essa medida, solicitada pela PF.

O episódio desgastou as já conturbadas relações entre STF e Senado. Dentro da Casa, parlamentares pressionam Alcolumbre para autorizar a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar ministros do tribunal – a CPI da Lava Toga. Outro foco de tensão são os pedidos de impeachment protocolados no Senado contra integrantes da Corte.

SURPRESA – A ação da Polícia Federal que teve como alvo Fernando Bezerra Coelho pegou de surpresa senadores, que manifestaram preocupação com o futuro da articulação política do Planalto na Casa e com uma eventual saída de Bezerra do cargo. Após colocar o cargo à disposição do presidente Jair Bolsonaro, Fernando Bezerra foi até à residência de Alcolumbre para tentar esclarecer os fatos da investigação. Os senadores Tasso Jereissati (PSDB-CE) e José Serra (PSDB-SP) também participaram da conversa.

Alcolumbre se disse surpreso com a investigação e com a ação da PF no Senado. Ele ainda criticou o fato de a busca ter sido determinada individualmente por Barroso. Bolsonaro não se manifestou sobre o assunto, nem em redes sociais nem na live que costuma fazer às quintas-feiras. Apesar das críticas dos senadores, há precedentes na Corte. Ministros do STF já autorizaram em decisões monocráticas operações de busca e apreensão nas dependências do Congresso.

CRÍTICAS – Em 2017, por exemplo, o relator da Operação Lava Jato, ministro Edson Fachin, autorizou a atuação de policiais federais nos gabinetes de Lúcio Vieira Lima (MDB-BA) e de Rocha Loures (MDB-PR), que na época eram deputados federais.

“A drástica interferência foi adotada em momento político em que o Congresso Nacional discute a aprovação de importantes reformas e projetos para o desenvolvimento do país. Mostra-se, desse modo, desarrazoada e desnecessária, em especial pela ausência de contemporaneidade, pois os fatos investigados ocorreram entre 2012 e 2014”, criticou o presidente do Senado em nota.

PRAXE – Em declaração a jornalistas, Alcolumbre afirmou considerar a ação uma “diminuição do Senado Federal”. “Eu não vou deixar que isso aconteça.” Alcolumbre e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), foram avisados da operação pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, e colocaram a Polícia Legislativa à disposição da PF, medida considerada de praxe.

Os policiais passaram a manhã nos gabinetes de Bezerra, no Senado, e no de Fernando Filho, na Câmara. No encontro com o senador, o presidente da Casa manifestou solidariedade ao líder do governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
– E nessa situação, Bolsonaro acabou em uma sinuca de bico, aumentando ainda mais a sua paranoia de que tudo é feito para colocá-lo contra a parede. Se deixar como está e não der pitaco, fica diante de uma situação incomoda, com o líder do governo acuado. Se comprar o barulho do senador, se indispõe com o chefe da PF e por tabela com Moro. Tem gente apostando que a ação foi para abalar o clima pra lá de bambo nessa disputa de forças. Outros enxergam além das aparências e tentam criar hipóteses conspiratórias, a exemplo das buscas não terem sido apoiadas pela PGR, a insatisfação da Polícia Federal com os últimos acontecimentos, as ameaças contra Valeixo, fora a indicação de Aras que revoltou uns e outros. Vai saber o que há sob esse angu. (Marcelo Copelli)

14 thoughts on “Defesa do senador Fernando Bezerra Coelho, alvo da PF, diz que ação foi ‘retaliação política’ de Moro

  1. Qual advogado vai falar a verdade e bater de frente com o STF? Bota a culpa no Moro, na Lava Toga, no clima seco, mas “cojones” para citar quem de fato assinou a ação, esse aí jamais terá.

  2. Quando o advogado vem com esse cunversê de perseguição, retaliação, é porque o meliante já lhe confessou que fez, e fez mesmo, a porcariada.
    Depois, vai procurar – como o bugre Toron – peninhas para criar teses revolucionárias. E sempre há um orangotango em tribunal dito suprassumo para topar, desde que beneficie seus amigos, compadres e patrocinadores.

  3. Peço permissão ao nosso moderador Dr. Carlos Newton para usar uma expressão que por ele é usada quando piadas estão contidas em artigos, e dizer que esta fala do advogado criminalista André Callegari, coordenador da defesa do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), classificou a operação policial realizada nesta quinta-feira, dia 19, nos gabinetes do senador, como uma retaliação pela atuação do parlamentar contra abusos de órgãos de investigação. E ainda que, segundo este advogado, a “ação foi ‘retaliação política’ de Moro”

    Mas, meu prezado editor Carlos Newton, esta não merece seu a Piada do Ano ? Então, Bezerra e seu filho, o deputado Fernando Coelho Filho (DEM-PE) roubam, com os documentos probatórios do crime nas mãos do Ministro do STF Luís Roberto Barroso, e o advogado desses bandidos dizem que o que foi roubado não foi roubado, mas sim o que está acontecendo é que a “ação foi ‘retaliação política’ de Moro” ?

    Sinceramente, o que o ministro Sérgio Moro tem a ver com isto e com este roubo ? Quem acusou, com indícios e provas foi o Ministro Luís Roberto Barroso, do STF , e não o ministro Moro. Disse, com todas as palavras, o Ministro Luís Roberto Barroso o seguinte:

    “A decisão autorizadora da operação policial é “técnica e republicana, baseada em relevante quantidade de indícios da prática de delitos”.

    Barroso defendeu as competências da Polícia Federal para investigar fatos criminosos e do Supremo para a supervisão de inquéritos. “Não constituem quebra ao princípio da separação de Poderes, mas puro cumprimento da Constituição”, afirmou.

    Sinceramente, meu caro Editor, as outras piadas do ano perderam a graça, porque esta é a Piada do Ano mais cara de pau que li na TI , já nos longos tempos que acompanho esta Tribuna.

  4. Mas meu prezado comentarista Alex Cardoso, assim você está competindo comigo sobre qual é a piada do ano, porque o que está contido no link http://bit.ly/2lZaMve que você enviou, é também hilário, e matéria candidata a ser a Piada do Ano. A matéria é extensa, proteica, esclarecedora. Não dá para reproduzi-la na TI por falta de espaço, mas entre os trechos hilariantes, separei um para dar uma mostra da quantidade de imbecilidades e piadas do ano que a matéria carrega em seu bojo:

    “Na visão da gestão Bolsonaro, a população tradicional — indígenas e quilombolas — é um empecilho à presença do estado no local. Segundo o projeto, a “situação econômica do Brasil” e os paradigmas do “indigenismo”, do “quilombolismo” e do “ambientalismo” eram entraves do passado. O “novo paradigma”, com o governo Bolsonaro, com o “liberalismo” e o “conservadorismo”, traz “nova esperança para a Pátria”. “Brasil acima de tudo”, diz o slide, repetindo o slogan de campanha do ex-deputado”

    Isto até seria cômico, se não fosse trágico !.

  5. A responsabilidade final da operação é do Barroso, que a ordenou. Atribuir a responsabilidade ao Moro para quê? Para a patota se sentir mais motivada para retaliações? Ou Bezerra e seus advogados já arranjaram como o gringovaldo alguma “prova” de que Moro controla o ministro Barroso?

  6. A quadrilha do senador com o filho já foi denunciada a tempos,duvido que qualquer um de nos que opinamos na tribuna vai ter a presença da policia em suas residências e Bolsonario e conivente com isso pois como parlamentar que foi conhece todos esses ratos da politica.

  7. REVISTA CRUSOÉ

    EXCLUSIVO: O LÍDER DELATADO PELOS AGIOTAS (COMO POLÍTICOS AGIRAM PARA ENFRAQUECER MORO)

    Caro leitor,

    O repórter Fabio Serapião teve acesso com exclusividade ao conteúdo de duas novas delações que envolvem um dos políticos mais influentes do Brasil.

    Ele é o líder do governo Bolsonaro no Senado.
    E, nas últimas duas décadas, teve papel de destaque nos governos de Lula, Dilma e Temer.
    O senador Fernando Bezerra foi delatado por dois notórios agiotas de Recife.

    A delação fala na movimentação de milhões de reais para o financiamento de campanhas.
    Os delatores afirmam também que empreiteiras participaram do esquema.

    O fio começou a ser puxado com a queda do avião que matou o então candidato à Presidência Eduardo Campos, em 2014.

    Confira um trecho da reportagem que cita os agiotas, identificados como Lyra e Ventola:

    “Na época da denúncia, Lyra e Ventola negaram atuar em operações para as empreiteiras. No entanto, diante de provas irrefutáveis, optaram por um acordo de delação premiada no ano passado, em que confirmam ter atuado tanto para as empresas como para os dois políticos. Nos depoimentos, mostram detalhes de como eram levantados recursos financeiros para campanhas eleitorais.

    Os fatos narrados compreendem os anos de 2010 a 2014. Basicamente, são três situações descritas por Lyra e Ventola: empréstimos pagos por empreiteiras, remessas para o operador pessoal de Bezerra e retiradas de dinheiro em espécie em empresas de São Paulo.”

    A reportagem chega ao nível dos detalhes.
    E oferece uma descrição do esquema de financiamento de campanhas envolvendo empreiteiras, segundo os delatores.

    O trecho a seguir mostra como, segundo os delatores, o atual líder do governo recorria aos operadores para levantar dinheiro para campanha:
    “Em 2014, quando foi candidato ao Senado, Bezerra voltou a bater na porta de Lyra e Ventola meses antes do início da campanha.

    O pedido era por um empréstimo de 1,7 milhão de reais que seria honrado pela mesma OAS por meio de contratos fictícios. A dupla arranjou o dinheiro. Aí se dá uma situação curiosa. Passadas algumas semanas, a empreiteira não só deixou de pagar essa dívida, como solicitou os serviços da dupla para que eles arrumassem recursos para bancar outra despesa de campanha de Bezerra, no valor de 600 mil reais. Os agiotas reclamaram, pois Bezerra estava contraindo mais uma dívida com eles sem pagar a anterior. Entretanto, para não perder a clientela, resolveram fazer o serviço. Os recursos foram entregues pela dupla ao publicitário André Gustavo Vieira, dono da Arcos Propaganda, que também já foi preso na Lava Jato (ele operava para o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine). Ocorre que até hoje nem o 1,7 milhão nem os 600 mil foram pagos aos agiotas.”

    A reportagem tem muito mais informações.
    Você não lerá nada parecido em outro lugar.
    A matéria também ajuda a compreender por alguns congressistas se uniram para retirar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, o Coaf, da aba do ministro da Justiça, Sergio Moro.
    O relatório número 14.463 do próprio Coaf, órgão que fiscaliza operações financeiras consideradas suspeitas, dá o caminho.

    Leia o trecho a seguir:

    “Muito embora os informes produzidos pelo órgão já tenham resultado em dores de cabeça para políticos de toda estirpe e coloração partidária, esse, em especial, deu início a uma investigação que resultou no acordo de colaboração premiada de dois operadores financeiros pernambucanos. Um dos citados é o atual líder do governo Jair Bolsonaro no Senado, Fernando Bezerra Coelho, do MDB. Justamente o relator da medida provisória cuja tramitação legislativa acabou por tirar o Coaf de Moro.

    Para prosseguir nessa apuração, conte com o jornalismo independente da Crusoé

    https://www.oantagonista.com/copy/exclusivo-o-lider-delatado-pelos-agiotas/?utm_source=oa-site&utm_medium=post&utm_campaign=lideragiota&utm_content=190919&utm_term=fr1

  8. Carlos Marchi (via Facebook)

    Perguntar a Moro se a PF está “fora de controle” porque investigou um parceiro do governo significa que:

    Na concepção de Bolso, polícia é para perseguir e prender os adversários.

    Os parceiros, não – é sacanagem. Os parceiros podem tudo – roubar, meter a mão no Erário, fazer todo tipo de farra.

    Será que Moro entendeu? Será que ele vai gostar de ouvir isso?

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