Definição, só em março

Carlos Chagas

Noves fora  a frase de efeito da presidente Dilma, sobre o Lula não precisar voltar, porque nunca saiu, permanece a mesma dúvida no PT e adjacências: caso a popularidade da sucessora não se recupere e até continue  em queda livre, terá o antecessor condições de negar-se a disputar o palácio do Planalto em 2014?

A resposta preliminar é óbvia. Se Dilma não puder sustentar sua candidatura, a única forma de preservação do poder pelos companheiros e aliados será a apresentação do Lula.

Não há prazo imediato  para a definição. Neste ano, pelo menos, nada ficará claro. Lá para março do ano que vem, no entanto, situa-se a encruzilhada. Mesmo se os concorrentes continuarem amorfos, insossos e inodoros, como estão,  será preciso uma decisão, amarga para os dois lados. Porque nem o ex-presidente sentir-se-á confortável atropelando a atual, nem ela encontrará forças para justificar o afastamento.

Por enquanto vale a partitura, apesar de a orquestra desafinar. Dilma é a candidata, comporta-se como tal e mais buscará recuperar o prestígio que as recentes pesquisas levaram. Pode reverter os números e assegurar o segundo mandato. Tudo depende dela, ou de seu governo. Um esforço extra precisará  desenvolver-se  nos diversos setores de atuação de sua equipe.  Há ministros visivelmente travados, daqueles que não conseguem  dizer a que vieram, a não ser para satisfazer os respectivos partidos, abrindo-lhes oportunidades nem sempre muito éticas de participação na máquina pública. Mas também existem ministros competentes, que apenas necessitam de estímulo e de condições para fazer o que não fizeram até agora.

NÃO HÁ VICE-PAPA

Francisco sorriu ao deparar-se com o vice-presidente Michel Temer na festa da despedida. Até gostou das palavras do substituto,  no hangar do aeroporto do Galeão. Apertou suas mãos, agradeceu e comportou-se como todo jesuíta que, mesmo contrariado, procura tirar o melhor proveito possível da contrariedade.

Mas que foi uma baixaria, isso foi, a decisão de Dilma Rousseff de não comparecer. Com todo o respeito ao vice-presidente,  cumpridor de  suas obrigações, fica no ar o  comentário que o  Papa não fez, mas poderia ter feito: “No Vaticano, não temos a figura do vice-Papa…”

PARA REVOLUCIONÁRIOS E HUMILDES 

De tantos pronunciamentos excepcionais da lavra do Papa, destacamos dois igualmente explosivos: os jovens devem ser revolucionários e os bispos, humildes. De que forma aqueles poderão exprimir sua revolução a não ser protestando nas ruas? E estes, senão abandonando a pompa, os luxos, a arrogância e o distanciamento das respectivas comunidades?

COMPREM GUARDA-CHUVAS, A TEMPESTADE VEM AÍ

Esta semana talvez não, porque os trabalhos parlamentares reabrem no dia em que Suas Excelências costumam ir embora, ou seja, quinta-feira. Na próxima, porém, são esperadas múltiplas escaramuças: dos presidentes da Câmara e do Senado  contra a presidente da República.  Do PT contra o PMDB, e vice-versa. Dos companheiros contra a companheira.  Dos pequenos partidos da base oficial contra o  palácio do Planalto.

Sobra o Judiciário, na hipótese de o presidente Joaquim Barbosa der solução cirúrgica e imediata aos embargos dos mensaleiros,  sinalizando o rumo da cadeia para os réus condenados.

 

  

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4 thoughts on “Definição, só em março

  1. Candidatar-se o “iluminado e messianico” Lula até pode. Tenho pra mim, que o Brasil mudou muito nos ultimos dias e o movimento dos jovens não praticará essa estultice. Talvez votem em Joaquim Barbosa ou o Papa Francisco…

  2. A baixaria vai continuar,os desmandos também,ninguém suporta mais essas figuras nefastas, que só querem mamar nas tetas da mãe gentil. Os jovens principalmente, irão clamar por mudanças.

  3. Ora, menos importa o nome e mais a ideologia para quem dela vive.
    .
    Dilma fala sério quando diz que Lula nunca saiu do governo.

    Ninguém melhor compreendeu a mentalidade totalitária do que H. Arendt:
    “Os movimentos totalitários são organizações maciças de indivíduos atomizados e isolados. Distinguem–se dos outros partidos e movimentos pela exigência de lealdade total, irrestrita, incondicional e inalterável de cada membro individual. Essa exigência é feita pelos líderes dos movimentos totalitários mesmo antes de tomarem o poder e decorre da alegação de que, já contida em sua ideologia, de que a organização abrangerá, no devido tempo, toda raça humana”.

    Substituir, para eles, significa tão-somente movimento, de peças, trocar de lugar, de espaço político:
    “Nada caracteriza melhor os movimentos totalitários em geral – e principalmente a fama de que desfrutam os seus líderes – do que a surpreendente facilidade com que são substituídos”

  4. as palavras da Sra. Dilma confirmam o porque da descida no canavial do governo. Com ébrio 51 como timoneiro não poderia dar outra. Lula quando presidente, tinha o snr. Henrique Meirelles para dirigir os negócios do governo. E como a Dilma correu com o Snr. Meirelles – êle não é louco trabalhar sob as ordens dela – não deu outra: 0 debacle inevitáel. E eu digo quanto mais cedo melhor – pois já estragaram o bastante tornando dificil uma recuperação. As mãos que batweram palmas pro ébrio 51 e para a dona dilma – irão jogar pedras nos dois. É só aguardar.

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