Delação de ex-diretor da Petrobrás aumenta a apreensão em campanha de Dilma

Ricardo Galhardo, Andreza Matais
Estadão

A 28 dias da eleição, as revelações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em depoimento à Polícia Federal, colocaram em alerta o Palácio do Planalto e o comando da campanha da presidente Dilma Rousseff. Após Costa denunciar um esquema de desvio de dinheiro da Petrobrás, beneficiando cinco partidos, incluindo o PT e o PMDB, petistas temem que o tema da corrupção domine a disputa de agora em diante e ressuscite no eleitorado a memória do mensalão.

Em depoimentos à Polícia Federal na tentativa de fechar um acordo de delação premiada, Costa citou como beneficiários de um esquema de propinas na estatal o ex-governador Eduardo Campos, morto em acidente aéreo em 13 de agosto, e políticos de partidos aliados à presidente Dilma, de acordo com a revista Veja. Na lista estão o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (PMDB), a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), e o secretário de Finanças do PT, João Vaccari Neto.

São listados ainda seis senadores e pelo menos 25 deputados federais, entre os quais os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), como antecipou o portal www.estadao.com.br, e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), os senadores Romero Jucá (PMDB-RR) e Ciro Nogueira (PP-PI) e os deputados Cândido Vaccarezza (PT-SP) e João Pizzolatti (PP-SC) e o ex-ministro das Cidades Mário Negromonte.

O ESQUEMA

A suspeita é de que o esquema – com pagamento de uma comissão de 3% sobre o valor de cada contrato da Petrobrás assinado durante a passagem de Costa pela estatal (2004 a 2012) – abastecia as campanhas eleitorais. A reportagem da revista não traz detalhes nem documentos que comprovem a participação dos políticos mencionados.

Embora o discurso oficial no comitê da reeleição de Dilma seja o de minimizar as denúncias feitas por Costa, sob o argumento de que ele não apresentou provas, ministros e dirigentes do PT admitem que o escândalo pode empurrar a presidente para a defensiva no momento em que sua principal adversária, a ex-ministra Marina Silva (PSB), parou de crescer, como indicam as mais recentes pesquisas de intenção de voto.

Dilma foi surpreendida na sexta-feira com o teor da delação premiada de Costa. Ela pediu informações ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, ainda na sexta-feira, mas ele não teve acesso ao depoimento do ex-diretor, preso pela Polícia Federal no rastro da Operação Lava Jato.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA

Insatisfeita, Dilma convocou uma reunião de emergência, à noite, com o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante, no Palácio da Alvorada, para avaliar o impacto das denúncias em sua campanha. Em São Paulo, no sábado, ela conversou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Auxiliares de Dilma a orientaram a demonstrar compromisso com a apuração dos fatos, para neutralizar a agenda negativa. Foi por isso que, em entrevista neste sábado, 6, em São Paulo, a presidente afirmou que vai aguardar as explicações necessárias para tomar medidas efetivas. “Eu gostaria de saber direitinho quais são as informações prestadas nestas condições. Eu te asseguro que tomarei todas as providências cabíveis. Agora, não com base em especulação”, insistiu.

O diagnóstico no Planalto é o de que as acusações de Costa, se comprovadas, causarão um terremoto político na base aliada do governo, mas também na campanha de Marina Silva (PSB) devido à inclusão de Eduardo Campos na lista. Podem derrubar, ainda, a estratégia do PT de colar nos rivais o carimbo de “inimigos da Petrobrás”.

5 thoughts on “Delação de ex-diretor da Petrobrás aumenta a apreensão em campanha de Dilma

  1. Elio Gaspari

    Weffort viu a origem da caixa petista
    “O sindicato alemão (…) havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas!”

    O PROFESSOR Francisco Weffort, fundador do PT e seu secretário-geral de 1984 a 1988, publicou um surpreendente artigo na edição do “Globo” de terça-feira, intitulado “Lula, o pelego?” Começou com outra pergunta: “Que coisas tão graves em seus gastos na Presidência estará Lula procurando esconder da opinião pública?” Prosseguiu com uma maledicência: “É conhecida a ojeriza de Lula a qualquer controle sobre gastos”. Desembocou numa “historinha de 1980, bem no início do PT”, época em que o professor acompanhou Nosso Guia numa viagem pela Europa e pelos Estados Unidos. Uma historinha velha, porém horrível.
    Fala Weffort: “Chegando à Alemanha, fomos surpreendidos pela recepção agressiva do secretário-geral do sindicato alemão dos metalúrgicos. (…) O sindicato alemão que representava havia enviado algum dinheiro a São Bernardo e cobrava do Lula a prestação de contas!” (…) “Em Washington, tivemos um encontro com representantes da AFL-CIO, e ali repetiu-se o mesmo constrangimento.”
    O que Weffort narrou foi o amanhecer dos “recursos não contabilizados” que viriam a celebrizar o mensalão e a figura de Delúbio Soares. Em todas as épocas, o dinheiro andava em malas companheiras sem passar pelos controles do Estado. Os alemães e os americanos queriam uma prestação e contas, por mais simples que fosse, mal sabiam que nem isso conseguiriam.
    Nessa época, Lula dizia que a solidariedade do “povo brasileiro” levara para a caixa dos companheiros algo como US$ 250 mil. Pode-se suspeitar que os alemães e a central americana pingaram bem mais que isso.
    Weffort nunca participou da máquina arrecadadora de Lula, mas esteve ao seu lado na viagem de 1980, inclusive numa reunião com banqueiros e empresários alemães. Ele pode não saber tudo, mas sabe mais do que contou. Devia ir fundo, até porque tinha boa pontaria quando era estilingue na vidraça alheia. Em 1994, o senador Pedro Simon disse numa entrevista que sabia de roubalheiras instaladas na Comissão de Orçamento da Câmara, e o professor foi severo: “Se políticos como Simon sabiam, por que não denunciaram?” (…) “O homem honesto calou.”
    Em 1994, Weffort migrou para o tucanato e durante oito anos foi baronete da Cultura de FFHH. Seu artigo teve uma penosa marca da servidão voluntária. Ele se refere à mulher de Lula duas vezes. Na primeira, chama-a de “Marisa”. Na segunda, quando ela acompanha “dona Ruth”, mulher de FFHH, é promovida a “dona Marisa”.

  2. È a bala de prata da Casa Grande para reverter o quadro do Seu Hospedeiro-Corrupto.
    Se não for agora, já era…..
    Interessante é o Ministro da Justiça, afinal de contas para quem ele trabalha.????
    Será o famoso fogo amigo;.???
    eh1eh!eh!eh

  3. Como dizia a marchinha… é na hora do aperto…
    Sei não…
    Nessa hora do espanto, é que os personagens mostram a que vieram e também a diferença entre eles, no caso, entre os ministros da justiça, Thomas Bastos e José Luiz Cardoso…
    Também, não se poderia querer tudo, né?

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