Delação de Palocci contra Lula e Dilma é reforçada com excesso de provas

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Palocci mostrou como Lula chefiava o esquema do PT

Merval Pereira
O Globo

A delação do ex-ministro Antonio Palocci à Polícia Federal, finalmente homologada pelo TRF-4 e liberada para divulgação pelo Juiz Sérgio Moro, alegadamente para atender à defesa do ex-presidente Lula, caiu como uma bomba na campanha presidencial a seis dias do primeiro turno da eleição, e tem uma característica única: pode ser comprovada em grande parte pelas provas que já estão em poder do Judiciário, mais precisamente o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Também podem ser cruzadas com outras delações, de dirigentes da Odebrecht e de outras empreiteiras. As delações cruzadas tornam-se matéria de comprovação das denúncias. O ex-ministro do PT disse que as campanhas de Dilma Rousseff em 2010 e 2014 custaram respectivamente 600 milhões de reais e 800 milhões de reais, a maior parte em dinheiro sujo, quantia muitas vezes maior do que a declarada no TSE.

PROVAS ALARGADAS – As investigações sobre a campanha de 2014 foram amplas, e o relator do TSE, ministro Herman Benjamim, pediu a anulação da eleição por abuso de poder econômico e político. Os depoimentos dos executivos da empreiteira Odebrecht e dos marqueteiros Monica Moura e João Santana foram utilizados como “provas alargadas” pelo relator Herman Benjamim, que mandou acrescentar aos autos esses depoimentos, frutos de delações premiadas na Operação Lava Jato.

Segundo o relator e o vice-procurador eleitoral Nicolao Dino, houve abuso de poder econômico e fraudes na contratação das gráficas fantasmas por parte da chapa Dilma-Temer. Numa das delações premiadas de executivos da empreiteira Odebrecht, foi revelado que a chapa presidencial do PT-PMDB recebeu R$ 30 milhões de caixa 2 na campanha de 2014.

Os documentos em posse do relator do processo de cassação da chapa, Ministro Herman Benjamim, eram fortes o suficiente, para que pedisse, como fez, a cassação da chapa.  A revelação de financiamento direto na campanha, e outras, que indicam que a própria ex-presidente participou pessoalmente das negociações desse tipo de verbas não contabilizadas, foram confirmadas por Palocci.

NA BIBLIOTECA… – Segundo Palocci, no início de 2010 houve uma reunião entre ele, Lula, Dilma Rousseff e José Sérgio Gabrielli, então presidente da Petrobras, na biblioteca do Palácio da Alvorada, quando Lula mandou que Gabrielli encomendasse a construção de 40 sondas para “garantir o futuro político do país e do PT com a eleição de Dilma Rousseff, produzindo-se os navios para exploração do pré-sal e recursos para a campanha que se aproximava”.

Palocci acrescentou que seria “muito mais fácil discutir com OAS, Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa contribuições para campanhas eleitorais do que tentar discutir o mesmo assunto com empresas estrangeiras”. Em sua delação, Antonio Palocci coloca em xeque a capacidade de fiscalização do TSE, que “não tem como saber se a doação é ilícita, uma vez que não fiscaliza a origem do dinheiro”.

Palocci afirma que “a maior parte das doações registradas no TSE é de origem ilícita”.

EMENDAS EXÓTICAS – Segundo o ex-ministro de Lula e Dilma, houve pagamento de propina para a inclusão de “emendas exóticas” em 90% das medidas provisórias editadas nos quatro governos do PT.

Antonio Palocci disse para a Polícia Federal que o PT teve contas secretas no exterior, abertas pelo próprio partido ou por empresários, o que coincide com a delação de Joesley Batista, que disse que abriu uma conta em seu nome no exterior que era usada por Palocci e Lula.  As provas eram tantas que o relator do processo no TSE, ministro Herman Benjamim, ironizou a decisão de não cassar a chapa Dilma-Temer afirmando que fora tomada por “excesso de provas”. Agora essas provas em excesso poderão ter alguma utilidade.

9 thoughts on “Delação de Palocci contra Lula e Dilma é reforçada com excesso de provas

  1. Outro ponto deplorável, com respeito á Dilma, foi a manutenção dos seus direitos políticos contrariamente o que dizia a Constituição. Aparentemente foi uma trama entre o Lewando nodowsky, Renan e a parte podre do senado.
    O que causa repulsa nessa sujeira toda é a indiferença das autoridades responsáveis pela segurança nacional se prostrarem nos intramuros das sua fortalezas e fingirem que as instituições funcionavam harmonica e integradamente.
    Hoje há centenas de homens e mulheres protestando em Washington DC contra a indicação de um juiz para a Corte Suprema deles (a nossa virou Corte Baixa pelo servilismo dos seus juizes ao poder a alguns vagabundos abonados).
    Vamos ver se o Bolsonaro, com a ajuda do povo de bem, varre do mapa os charlatães nocivos ao país. Temos que nos envolver como os americanos fazem, se quisermos melhores dias para nossos descendentes.

    • Não é só o Lula o problema, mas, isto sim, o $istema todo, por inteiro. Por via das dúvidas quanto aos candidatos, e, sobretudo, em repúdio ao $istema, eu não voto em mais ninguém do $istema podre, mas, como o voto é personalíssimo, cada um que faça o que quiser com o seu voto. Vote em quem quiser. Eu não voto em mais ninguém do $istema podre, não quero mais correr o risco de, mais tarde, ser acusado de cúmplice de bandidos. Tenho dúvida só quanto a modalidade do meu não-voto: branco, nulo, ou abstenção, ante a inexistência da tecla ” vão à merda”, que poderia facilitar as coisas.

      • Também é verdade.
        Mas o povo gosta é de mentiroso, daqueles que fala as suas fantasias mansinho, ao pé do ouvido, no horário eleitoral!
        -Mas a realidade é DURA, cruel, trágica e, portanto, o candidato que disser o que precisa ser dito, será considerado um CANDIDATO DURO, fascista e sem amor ao próximo!

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