Delcídio pode ser cassado antes de votação sobre afastamento de Dilma?

Cassação de Delcídio Amaral é apenas uma questão de tempo

Mariana Haubert
Folha

O senador Delcidio do Amaral (ex-PT-MS) corre o risco de ter seu mandato cassado por quebra de decoro parlamentar antes que o plenário do Senado decida sobre o afastamento temporário da presidente Dilma Rousseff. O Conselho de Ética da Casa aprovou nesta terça o relatório pela perda definitiva do mandato do senador por ter se envolvido em tentativas de obstruir as investigações da Operação Lava Jato e pela suspeita de participar do esquema de corrupção da Petrobras.

Delcídio já admitiu envolvimento no petrolão e fechou acordo de delação premiada, implicando 74 pessoas no esquema. Seu processo pode ser analisado pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado nesta quarta-feira (4).

Se o colegiado referendar a decisão do conselho e aprovar o relatório que pede a cassação, o processo pode ser levado ao plenário da Casa ainda nesta semana.

DILMA PRESSIONA

Segundo a Folha apurou, a presidente Dilma Rousseff tem pressionado o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), responsável por levar o caso à pauta do plenário, para que ele acelere o processo a fim de impedir que Delcídio possa votar no afastamento da presidente, o que está previsto para acontecer em 11 de maio.

Delcidio foi líder do governo Dilma em 2015 até ser preso em 25 de novembro. Logo após o episódio, dirigentes do PT condenaram as atitudes do senador que se sentiu abandonado pelo partido e pelo Planalto.

Ele foi solto em 19 de fevereiro e, pelas regras do Senado, poderia ter retomado os trabalhos na Casa. O parlamentar, no entanto, tirou cinco licenças médicas e, até esta terça, não havia retomado o exercício do mandato.

Delcídio já disse a diversos veículos de imprensa que pretende votar a favor do impeachment da presidente, a quem apoiava até ser preso.

FALTA O PARECER

Os planos da petista, porém, podem ser prejudicados caso o relator do processo na CCJ, o senador de oposição Ricardo Ferraço (PSDB-ES) postergue a entrega de seu parecer.

É justamente isso que Dilma quer impedir. Se A Comissão do Senado não votar o caso de Delcídio nesta quarta-feira, o processo pode ser pautado na quinta (5) ou na próxima terça (10).

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NOTA DA REDAÇÃO DO PLANALTO
Coloquei uma interrogação no título da reportagem, porque cassar Delcídio ainda não é assunto prioritário no Senado,  isso não acontecerá nos próximos dias. E onde se lê “Dilma” nesta matéria, por favor, leia-se “o Planalto”. A presidente já não manda nem no garçom que lhe levava cafezinho. (C.N.)

6 thoughts on “Delcídio pode ser cassado antes de votação sobre afastamento de Dilma?

  1. O PT se colocou em uma situação perversa. Se o Delcídio for cassado , o Brahma volta para o Dr. Moro.
    Por falar em Moro, a ” Operação Limpa Pátio ” está a pleno vapor, já abriram mais 4 vagas na carceragem da PF/PR.

  2. No documento publicado pelo Estadão, Rodrigo Janot diz:

    “A respeito desse fato, há diversos outros elementos, tais como e-mail com comprovante de agendamento da reunião entre Lula e Delcídio no Instituto Lula, no dia 8 de maio de 2015; comprovantes de deslocamento efetivo do senador para São Paulo compatível com esta data; outros documentos que atestam diversas outras reuniões entre Lula e Delcídio no período coincidente às negociatas envolvendo o silêncio de Nestor Cerveró, além de registros de diversas conversas telefônicas mantidas entre Lula e José Carlos Bumlai e entre este e Delcídio”.

  3. Delcídio entregou ‘elementos’ que incriminam Lula, diz Janot

    Por Julia Affonso, Ricardo Brandt, enviado especial a Curitiba, Mateus Coutinho e Fausto Macedo

    04/05/2016, 11h17

    Na denúncia ao Supremo, em que acusa ex-presidente de tramar contra a Lava Jato por meio da ‘compra do silêncio’ de Nestor Cerveró, procurador-geral aponta documentos cedidos por senador.

    O senador Delcídio Amaral (ex-PT-MS) entregou à Procuradoria-Geral da República uma série de documentos que, segundo ele, comprovam seu encontro com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para tramar contra a Operação Lava Jato. Lula foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF) por obstrução à Justiça.

    O procurador também pediu a inclusão do petista no inquérito mãe que investiga dezenas de políticos por suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobrás.

    Delcídio relatou ao Ministério Público Federal que foi chamado por Lula, em meados de maio de 2015, em São Paulo, para ‘tratar da necessidade de se evitar que Nestor Cerveró fizesse acordo de colaboração premiada’.
    Segundo o senador, Lula o teria incumbido de ‘viabilizar a compra do silêncio de Nestor’ para proteger o pecuarista José Carlos Bumlai, amigo do ex-presidente.

    Janot anotou em manifestação ao STF. “A respeito desse fato, há diversos outros elementos, tais como e-mail com comprovante de agendamento da reunião entre Lula e Delcídio no Instituto Lula, no dia 8 de maio de 2015; comprovantes de deslocamento efetivo do senador para São Paulo compatível com esta data; outros documentos que atestam diversas outras reuniões entre Lula e Delcídio no período coincidente às negociatas envolvendo o silêncio de Nestor Cerveró, além de registros de diversas conversas telefônicas mantidas entre Lula e (o pecuarista) José Carlos Bumlai e entre este e Delcídio”, afirma o procurador-geral da República. “Todos esses elementos estão encartados no aditamento de denúncia dos autos 4170.”

    Delcídio afirmou que o filho de Bumlai, Mauricio Bumlai, pagou R$ 250 mil à família de Cerveró, ‘por interferência de Lula’. De acordo com o senador, Lula ‘pediu expressamente’ a Delcídio que ajudasse Bumlai, amigo do petista.

    O ex-líder do governo contou em delação premiada. “O Lula tinha especial preocupação com a situação de José Carlos Bumlai porque eles ficaram muito próximos durante a primeira campanha de Lula à Presidência da Republica e depois disso, Bumlai se tornou o grande conselheiro de Lula, com forte influência em diversos negócios do governo, além de ter sido avalista de um empréstimo milionário obtido pelo PT junto ao Banco Schahin e de ter ajudado a construir, estruturar e organizar o Instituto Lula, entre outros.

    O procurador-geral da República ainda levou em consideração, no pedido de aditamento à denúncia contra Delcídio, as gravações captadas por Bernardo Cerveró, filho de Nestor Cerveró. Em novembro de 2015, foi entregue por Bernardo Cerveró à Procuradoria-Geral da Republica um áudio ‘revelador da grande trama criminosa envolvendo a obstrução da presente investigação, por meio da compra do silêncio de Nestor Cerveró’.

    “A partir daí as investigações ganharam novos contornos e se constatou que Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai e Mauricio Bumlai atuaram na compra do silêncio de Nestor Cerveró para proteger outros interesses, além daqueles inerentes a Delcídio e a André Esteves, dando ensejo ao aditamento da denúncia anteriormente oferecida nos Autos 4170/STF”, afirma Janot.

    “Os depoimentos de Nestor Cerveró deixam evidente que a intenção dos articuladores do silêncio de Nestor era esconder fatos ilícitos envolvendo Luiz Inácio Lula da Silva, José Carlos Bumlai, André Esteves, Delcídio Amaral, além de outras pessoas que possivelmente também integram a organização criminosa objeto deste inquérito.”

    COM A PALAVRA, A ASSESSORIA DE LULA:

    ” A peça apresentada pelo Procurador-Geral da República indica apenas suposições e hipóteses sem qualquer valor de prova. Trata-se de uma antecipação de juízo, ofensiva e inaceitável, com base unicamente na palavra de um criminoso.

    O ex-presidente Lula não participou nem direta nem indiretamente de qualquer dos fatos investigados na Operação Lava Jato.

    Nos últimos anos, Lula é alvo de verdadeira devassa. Suas atividades, palestras, viagens, contas bancárias, absolutamente tudo foi investigado, e nada foi encontrado de ilegal ou irregular.

    Lula sempre colaborou com as autoridades no esclarecimento da verdade, inclusive prestando esclarecimentos à Procuradoria-Geral da República.

    O ex-presidente Lula não deve e não teme investigações.“
    ( OESP )

  4. Tchau Querida….

    Quarta-feira, 04/05/2016, às 11:27, por Gerson Camarotti
    Impeachment ficou irreversível com pedido de investigação de Dilma

    No núcleo do Palácio do Planalto, avaliação realista é de que o pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, para investigar a presidente Dilma Rousseff junto ao Supremo Tribunal Federal e a denúncia apresentada contra o ex-presidente Lula sepultaram todas as chances de o governo tentar reverter o impeachment da presidente na votação final do Senado.

    Para interlocutores próximos de Dilma, esse é o pior cenário num momento em que o Senado deve admitir o pedido de impedimento da presidente, porque contamina as pedaladas fiscais com as investigações da Lava Jato. Para o governo, isso terá grande impacto na opinião pública e esvazia a estratégia de restringir o debate exclusivamente à questão das pedaladas.

    Com isso, o governo, que ensaiava uma ofensiva, ao criar uma narrativa de que o pedido de impeachment era uma tentativa de golpe parlamentar, volta ao estágio inicial de ter que se defender das investigações em torno do escândalo de corrupção na Petrobras.

    Há quem já considere como uma imprudência a decisão de nomear o ex-presidente Lula como ministro do governo para ganhar foro especial e escapar da mira do juiz federal Sérgio Moro.

    “Isso levou a Lava Jato para dentro do Planalto”, lamentou um auxiliar da presidente.

    Há também o reconhecimento de que o governo perde o discurso de tentar politizar a Lava Jato. Recentemente, petistas e a própria Dilma atacavam diretamente o juiz Sérgio Moro, numa estratégia para partidarizar as investigações. Mas quando o pedido de investigação de Dilma e a denúncia contra Lula por agir para comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró partem do procurador Rodrigo Janot, o discurso de partidarizar a Lava Jato perde sustentação. Isso porque Janot foi indicado e reconduzido para o cargo pela própria Dilma, reconhecem auxiliares da presidente.

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