Delegado do caso Adélio diz que Bolsonaro “reconheceu o esforço investigativo” da Polícia Federal

Relatório apontou que Adélio agiu sozinho em um crime sem mandantes

Fausto Macedo e Paulo Roberto Netto
Estadão

O delegado da Polícia Federal Rodrigo Morais Fernandes, responsável pelos dois inquéritos relacionados ao caso Adélio Bispo, relatou em depoimento que o presidente Jair Bolsonaro participou de reunião na última sexta-feira, dia 15, no qual foi informado sobre a conclusão das investigações sobre o crime e não teria se mostrado insatisfeito com as apurações.

O relatório assinado por Fernandes apontou que Adélio Bispo de Oliveira agiu sozinho em um crime sem mandantes. De acordo com o delegado, uma reunião no Palácio do Planalto contou com a presença de Bolsonaro, o ministro da Justiça André Mendonça e o diretor-geral da PF, Rolando Alexandre de Souza.

CONCLUSÕES – A explanação teria sido feita nos moldes de outra, feita no ano passado, e serviria para Bolsonaro, na condição de vítima, saber sobre as conclusões das investigações. “Que perguntado se nossa nova oportunidade o Presidente da República apresentou insatisfação com relação à investigação e/ou questionamentos, respondeu que houve questionamento no sentido de elucidar dúvidas, sendo que ao final, aparentemente, reconheceu o esforço investigativo, não se mostrando insatisfeito com o trabalho realizado pela Polícia Federal”, relatou Fernandes.

Outro depoimento prestando nesta quarta, 20, pelo superintendente da Polícia Federal em Minas aponta que Bolsonaro também não manifestou nenhuma reclamação sobre aprofundamento de investigações do caso Adélio Bispo na primeira reunião sobre as investigações, no ano passado.

CONTRAMÃO – As declarações vão na contramão de declarações recentes do presidente, que criticou a Polícia Federal sobre suposta falta de aprofundamento nas investigações do caso Adélio. Em pronunciamento após a renúncia do ex-ministro Sérgio Moro, o presidente afirmou que a PF se preocupar mais ‘com Marielle do que com seu chefe supremo’.

“E entendo, me desculpa seu ex-ministro, entre meu caso e da Marielle, o meu está muito menos difícil de solucionar, afinal de contas o autor foi preso em flagrante delito, mais pessoas testemunharam, telefones foram apreendidos, três renomados advogados em menos de 24 horas estavam lá para defender o assassino”, disse Bolsonaro, em abril.

OBSTÁCULOS – De acordo com o delegado Fernandes, responsável pelos dois inquéritos do caso Adélio, o presidente havia sido informado, também, de empecilhos jurídicos que barraram a apuração de uma linha de investigação. Por ordem do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), a PF não pode quebrar o sigilo do advogado Zanone Manuel de Oliveira Júnior, que defendeu Adélio Bispo. A intenção da PF era descobrir quem pagou os honorários do escritório da defesa. O caso aguarda análise no STF.

“A despeito disso, várias outras linhas de investigação foram traçadas e exauridas, inclusive apurando notícias veiculadas na imprensa e redes sociais que pudessem contribuir na investigação”, esclareceu o delegado.

DILIGÊNCIAS – Fernandes também destacou que os advogados que defenderam Bolsonaro no processo contra Adélio sugeriram diligências, ‘tendo sido acatadas pela autoridade policial e realizadas’. No âmbito judicial, Bolsonaro não apresentou recurso contra a sentença que considerou Adélio Bispo inimputável.

Ele esclareceu que teve plena liberdade para conduzir o cargo sem ter havido ‘ordem ou sugestão de linha investigativa’ por parte de seu superior hierárquico.

7 thoughts on “Delegado do caso Adélio diz que Bolsonaro “reconheceu o esforço investigativo” da Polícia Federal

  1. Se a moda pega…

    O Palácio do Planalto tirou o delegado da Superintendência da PF em Minas Gerais para que o Presidente pudesse ouvir dele as conclusões da investigação.

    O Presidente não usou nenhum dos seus advogados para ter acesso às conclusões do Inquérito Policial.

    O fato envolveu ele enquanto deputado licenciado e candidato à Presidência. Não como Presidente.

    Ou seja. O Delegado, que não cuida só de um Inquérito, saiu de MG até Brasília.
    Isso tem um custo pago pelo contribuinte…
    Diária paga ao servidor.
    Passagem aérea.
    Hotel (em alguns órgãos, caso o tempo total deslocamento mais o tempo de serviço exceda 8h)

  2. Mais uma prova inconteste de que o presidente da república não interferia na PF. Moro sim, blindava investigações e isso será revelado. Esse delegado supracitado deverá explicar na CPI do Adélio, que em breve será instaurada no Congresso Nacional, a motivação para o encerramento apressado do inquérito, pois que para o ministério público há outras diversas evidências que não foram consideradas pela Polícia Federal.
    O Brasil precisa saber, quer saber e saberá, quem mandou matar Jair Bolsonaro.

    • Que encerramento do inquérito, filhão (?)
      Não é assim não!
      O inquérito foi concluído. Mas o MPF é que, ao recebê-lo, avaliará se é o caso de arquivamentos, ou nao, podendo requerer mais diligências.

  3. lobo solitário com dez celulares, dois notebooks, R$14.000 nos bolsos, cartões de débitos, e finalmente, quatro advogados top vindo defendê-lo ???

    só mesmo o PF do pilantrel para dizer tamanha idiotice e pretender encerrar o processo.

    • Pessoas com transtornos vivem noutro mundo
      Tem os que juntas coisas sem bem um sentido.
      Os dois notes dele e aparelhos não bem prestavam
      Relé tinha recebido grana de rescisão.
      Cartões de débito nem sabe se são antigos sem validade (eu mesmo tenho vários aqui, de crédito e débito com validade vencida desde adolescente numa caixa)
      Os advogados nem são top. Aí falou uma merda. Porque muitos em caso até assumiriam a causa devido à exposição na mídia, ou, por considerar a missão profissional acima de tudo.
      Mas considerando que fossem pagos, eu mesmo pagaria se tivesse muito dinheiro. O caso com forte exposição na mídia e pessoas desejando vingança poderia resultar num excesso acusatório. Então valia garantir uma assistência defensiva adequada.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *