Delegado que criou a Lava Jato diverge de Moro e critica as “provas ilícitas”

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Márcio Ancelmo acha melhor não incentivar as “provas ilícitas”

Deu na Agência Brasil

O delegado da Polícia Federal Marcio Anselmo, um dos principais investigadores da operação Lava Jato, disse nesta terça-feira (18) em audiência pública na Câmara dos Deputados ser contra a proposta do Ministério Público Federal (MPF) que prevê a possibilidade de validação de provas ilícitas, contanto que obtidas de boa-fé.

A proposta faz parte das dez medidas de combate à corrupção apresentadas pelo MPF ao Congresso Nacional e que conta com abaixo-assinado com a assinatura de mais de 2 milhões de pessoas, o que obriga a Câmara a instalar uma comissão especial para discuti-las.

“Não é possível aceitar”, disse Anselmo na comissão que discute o tema. “Acho muito difícil você aferir essa boa-fé do agente público, esse trecho não é compatível com nossa Constituição Federal”, afirmou ele.

PONTOS POLÊMICOS – A possível validação judicial de provas ilícitas, contanto que seja possível comprovar terem sido obtidas de boa-fé, é um dos pontos mais polêmicos das dez medidas de combate à corrupção propostas pelo MPF.

A medida foi defendida pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na primeira instância, na mesma comissão especial da Câmara, mas tem sido criticada por personalidades do mundo jurídico. Em agosto, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes disse que a proposta foi feita por “quem não conhece nada de um sistema”.

O delegado Marcio Anselmo também criticou a proposta do MPF, prevista entre as medidas, que prevê a aplicação de testes de integridade surpresa em servidores públicos, nos quais eles seriam submetidos a simulações para aferir como reagiriam diante da oportunidade de praticar atos corruptos. A medida também foi defendida por Moro.

FLAGRANTE ENSAIADO – “A utilização dessa ferramenta para efeitos criminais é questionável”, disse Anselmo. Ele argumentou que o STF já previu como impossível o uso de flagrante ensaiado e que a medida também viola tratados internacionais de direitos humanos.

Após a manifestação do delegado, o relator do projeto de lei sobre as dez medidas de corrupção, deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), antecipou que pretende dar parecer para que o teste de integridade se restrinja a uma esfera administrativa, sem efeito penal.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGNão se deve dizer apenas que o delegado Márcio Ancelmo é “um dos principais investigadores da Lava Jato”, porque na verdade ele foi o criador da operação, ao levantar irregularidades num posto de gasolina de Brasília, com lavagem de dinheiro do doleiro paranaense Alberto Youssef. O delegado Ancelmo, junto com três agentes federais, desenrolou o fio da meada e redescobriu o Brasil real. Devemos aplaudi-lo, sempre. (C.N.)

11 thoughts on “Delegado que criou a Lava Jato diverge de Moro e critica as “provas ilícitas”

  1. No nível de corrupção que o Brasil está, esse delegado vem dizer que o teste de integridade é questionavel e fere tratado de direitos humanos. Aaah pode parar! Tem medo de ser corrompido. Só pode.
    Ou o CN aprova medidas com esse estilo ou nossa cultura do jeitinho brasileiro irá continuar!!
    Olha o exemplo de Hong Kong. Deu certo, então por que não tentar no Brasil?

  2. Das dez medidas contra a corrupção que estão no Congresso, estas 3 citadas merecem uma análise melhor dos parlamentares.
    Nada que algum ser humano faça ou escreva está isento de críticas, de ser visto de pontos de vista diferentes. Isso quer dizer que ninguém é o detentor da verdade plena.
    Mais de 2 milhões de pessoas assinaram o abaixo assinado das 10 medidas, e eu me incluo, porque estão cansados de tanta corrupção, tanto descaso com o dinheiro público, tanta impunidade, e querem que algo seja feito para endurecer as penas e os mecanismos de combate à corrupção.
    Que o Legislativo exerça a sua função.

  3. Estranho… Então por que ele não critica a delação ensaiada do Machado que, com a anuência da PF, gravou seus “amigos” de corrupção? Ali ele falava e controlava quase todo o texto. Este teatro, sem outras provas, foi homologado pelo STF, mas isso não é o tal flagrante ensaiado? Só vão largar o osso com tapa na cara e chute no rim. Por meio de medidas “constitucionais” jamais!!!

  4. Conclusão sobre Moro. Tem personalidade medieval. Ao morrer deve ser sepultado na cova Torquemada. Vocês sabem quem é Torquemada? Tenho certeza que sabem. Quanto ao tipo de flagrante ensaiado. O correto é dizer: Flagrante forjado, que era praticado na época da ditadura de 1964. Pincipalmente pela polícia do governador Lacerda aqui no Estado da Guanabara. Os forjados eram de maconha, cocaina e também de contravenção: jogo dos bichos, prostituição, rufianismo e vadiagem.

  5. Não se impressionem com os que querem violência. Bater, matar, forjar e mais e mais brutalidade. São personalidades doentias. Frente a frente olho no olho se cagam todos. Tem espírito covarde. Não sabem o que é justiça e nem lei.

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