Delúbio cita Jesus Cristo em vão e se afunda ainda mais

Pedro do Coutto

Impressionante o baixo nível do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, revelado no texto que encaminhou ao Supremo Tribunal Federal encerrando sua defesa prévia como réu do mensalão e responsável pelos empréstimos elaborados junto ao Banco de Minas Gerais e ao Banco Rural.

Impressionante sobretudo porque citou Jesus Cristo em vão, buscando uma comparação entre ele e o trágico desfecho da cruz há 1978 anos em Jerusalém. Bastava este argumento alucinado, no qual só o autor pode acreditar, para assegurar sua condenação. Já condenado pelo desprezo que a opinião pública lhe atribui, não existe qualquer possibilidade de escapar de ser punido pelo STF. Claro. Pois sua defesa prévia nada mais é do que um deboche à própria Corte Suprema e ao país. Inclusive ele confessa o crime cometido, embora tentando deslocá-lo para o abastecimento de um caixa 2 partidário, e não para a compra de apoios no Congresso ao governo Lula.

Delúbio, uma figura que desperta repugnância, afirmou-se não apenas vítima (e não réu) tanto de uma perseguição histórica milenar, como também atingido por uma nova versão da terrível intolerância de Hitler, refletida nos meios de comunicação. Procurando escapar, da mesma forma que Marcos Valério, a meu ver confessou por ação tácita e tornou a sentença previamente definida. Não só ele, outros acusados também.

José Dirceu, por exemplo. Qual a sua defesa? Nela, acentua elogios que recebeu do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Roussef. Que tem isso a ver com o processo do mensalão? Que disse o ex-chefe da Casa Civil do decreto de Lula demitindo-o do cargo de ministro? Se ele sustenta inocência no processo de captação e distribuição de dinheiro, então, implicitamente, acusa o ex-presidente Lula de ter sido injusto exonerando-o. E acusa também a Câmara Federal que, por maioria absoluta de votos, cassou seu mandato de deputado por São Paulo. E não foi só: considerou-o inelegível por oito anos.

A cassação, é evidente, somente aconteceu porque para ela o então presidente da República mandou acender o sinal verde. Alguma dúvida quanto a isso? Dirceu e Roberto Jefferson, este também cassado e seu principal acusador. Aliás,  Jefferson, no episódio de 2005, desencadeado por entrevista sua à jornalista Renata Lo Prete, manchete da Folha de São Paulo, tornou-se um personagem shakespeariano. Isso porque, para torpedear José Dirceu, acusou-se a si mesmo. É, sem dúvida, a maior testemunha de acusação de todo processo. Afirmou ter recebido 3 ou 4 milhões de reais do ministro-chefe da Casa Civil para financiar a campanha municipal do PTB em 2006 e faltou informar qual o destino que deu a tais recursos. Deverá sentar no banco da Corte Suprema tanto na condição de réu quanto na de testemunha.

Nas últimas semanas, piorou sensivelmente a situação dos acusados. O panorama se complicou bastante. Tanto pela dificuldade de se defenderem à luz da lógica, quanto pelo conteúdo das razões que expuseram ao STF. Inaceitáveis. Pessimamente elaboradas. Esbofeteiam a inteligência e o mais simples senso comum. Não poderão escapar. Como o título da antiga coluna de O Globo, década de 50, eles próprios selaram seu destino. No final, as penas podem ser leves. Eis uma saída. Mas a consciência fica pesada.

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