Demissões acentuam rumo errado da política do governo Dilma

Pedro do Coutto

Reportagem de Lino Rodrigues, manchete principal da edição de ontem de O Globo, revela que nos quatro primeiros meses do ano a indústria brasileira demitiu 50 mil trabalhadores, principalmente nos setores de eletrodomésticos e montadoras de automóveis. De acordo com informação da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica, a queda das vendas elevou-se a 15,5%. No setor imobiliário – matéria publicada também ontem, mas pela Folha de São Paulo – houve uma redução de 27% nas vendas de imóveis em São Paulo.

Os dados são preocupantes sobretudo porque, segundo Wilson Perico, presidente do Centro das Indústrias do Amazonas, o consumidor está com medo de perder o emprego e, por isso não assume as prestações de produtos duráveis. Ele, como é natural, só não pode deixar de comprar alimentos. As empresas concessionárias de veículos também estão eliminando vagas, ou seja praticando demissões sem substituições. Isso de um lado. De outro, Luciane Carneiro, também no Globo, assinala que a produção de eletrodomésticos encolheu 22,9% no primeiro trimestre deste ano.

O quadro, assim, revela-se bastante crítico, não apenas pelos números registrados, mas principalmente pela tendência ao declínio da produção que eles apontam. As perspectivas não são favoráveis, nem à economia, tampouco ao mercado de trabalho.

DESEMPREGO PODE DOBRAR

O desemprego hoje, segundo o IBGE, encontra-se na escala de 7,9% da mão de obra ativa, podendo elevar-se a praticamente ao dobro no final do ano. O Dieese calcula um teto de 13%. 10% significam 10 milhões de desempregados. 13% a mais 30% ou seja um contingente de 13 milhões de pessoas. Tal processo ascendente só pode tornar descendente o mercado de consumo, em face da retração da renda familiar brasileira.

Menos trabalho, em consequência menos dinheiro no bolso, e também menor arrecadação de impostos, o que influi na capacidade de investimentos tanto por parte do governo federal quanto por parte dos governos estaduais. Na área federal a retração atinge em cheio o volume do IR e do IPI. Nas áreas estaduais compromete o desempenho do ICMS.

POLÍTICA ABSTRATA

Portanto, a presidente Dilma Rousseff tem que mudar o rumo da política econômica colocada em prática, a qual, aliás não se sabe bem qual é. Pois se de um lado a meta é conter gastos públicos, de outro o objetivo parece ser o de ampliar os desembolsos, como é o caso da transferência de recursos do FGTS para o BNDES.

No Rio de Janeiro, a Universidade Federal viu-se obrigada a suspender as aulas por falta de pagamento dos serviços de limpeza e segurança do prédio. É o fim do mundo, uma vergonha logicamente inexplicável. Tudo isso sob o efeito do gigantesco assalto praticado contra a Petrobrás, tão grande foi que um dos implicados o ex-gerente Pedro Barusco devolveu mais de 150 milhões de dólares aos cofres da empresa. Se ele sozinho teve essa capacidade, imagine-se o total dos assaltos realizados.

Todos esses fatores convergem para uma só questão na qual se encontra a desestabilidade que envolve o Palácio do Planalto. A presidente da República precisa romper o sistema colocado em prática e que não está apresentando resultados positivos. Pois se estivessem o desemprego não estaria aumentando tanto quanto está. As dificuldades são grandes, enorme também é o desafio e maior ainda deverá ser o esforço para vencê-lo. A tarefa colocada a sua frente é urgente, mais urgente do que se pode supor à primeira vista. Isso porque a crise brasileira está crescendo sem parar.

6 thoughts on “Demissões acentuam rumo errado da política do governo Dilma

  1. Perguntar não ofende. Até 26 de outubro não tínhamos uma Economia sólida e robusta? Como pode acontecer esse tsunami? Depois a anta reclama e seus asseclas ainda querem defender o indefensável.

    • As variáveis econômicas foram estabilizadas artificialmente para dar a impressão ao povo de que tudo ia bem e que as políticas do governo de Dilma tinham feito milagre, pois, a Dilma era competentíssima, etc, etc, etc…

      Segurou tanto as variáveis que enterrou a Petrobras em dívidas e bateu record com o déficit público chegando a 6% do PIB.

      O resultado é esse aí que estamos vendo e que vai piorar bastante até o próximo ano.

      Se o povo tivesse a devida educação e cultura não teria caído no conto do vigário e teria defenestrado essa débil mental.

      Agora é tarde. Temos de aguentar.

  2. Todos esses fatores convergem para uma só questão na qual se encontra a desestabilidade que envolve o Palácio do Planalto. A presidente da República precisa romper o sistema colocado em prática e que não está apresentando resultados positivos. Pois se estivessem o desemprego não estaria aumentando tanto quanto está. As dificuldades são grandes, enorme também é o desafio e maior ainda deverá ser o esforço para vencê-lo. A tarefa colocada a sua frente é urgente, mais urgente do que se pode supor à primeira vista. Isso porque a crise brasileira está crescendo sem parar.

    PONTO 1) INFELIZMENTE A SITUAÇÃO TERÁ QUE PIORAR MUITO ANTES DE COMEÇAR A MELHORAR!

    PONTO 2) NÃO HÁ A MÍNIMA POSSIBILIDADE DE QUE A SITUAÇÃO COMECE A MELHORAR ENQUANTO A “ANTA PRESIDANTA” ESTIVER NO PODER! A QUEDA DELA É UMA CONDIÇÃO MAIS DO QUE NECESSÁRIA, TENHO MINHAS DÚVIDAS SE É SUFICIENTE!

    É UM PREÇO QUE TEMOS QUE PAGAR PELOS ERROS DE 54 MILHÕES DE JUMENTOS QUE REELEGERAM ESSE LIXO MORAL!
    E UMA ÚLTIMA PERGUNTA – QUEM TERÁ A CORAGEM DE COLOCAR O PRINCIPAL RESPONSÁVEL(O MULLA 9 DEDOS) POR TODAS ESSAS DESGRAÇAS ATRÁS DAS GRADES?

  3. 99,957 milhões segundo o IBGE, trocando em miúdos, somos 100 milhões de brasileiros compondo a População Economicamente Ativa (PEA).

    O que significa se a desocupação subir dos atuais 7,9% para 13%, seremos, de fato, 13 milhões de brasileiros desempregados.

    Não é uma situação impossível, infelizmente. Temos que ter em mente que, de agora para a frente, o quadro econômico tende a se agravar, e não há outro caminho a trilhar, pois, o governo terá de provocar um mal para evitar um mal maior. No caso, terá de aprofundar a recessão para promover um indispensável ajuste fiscal a fim de evitar a perda do padrão de país com gradação de investimento pelas agências de risco.

    Se o país optasse por continuar fomentando a economia artificialmente através da despesa pública desmesurada como vinha fazendo, aprofundaria sua incapacidade de honrar compromissos com os credores dos títulos públicos. Não pode, pois, o risco de calote se torna iminente, e os fundos de investimento de outros países são proibidos de investirem em países que não possuem “investment grade”.

    Se esses fundos estrangeiros pararem de investir no Brasil, cai o fluxo de dólares em direção ao país, isto é, o fluxo de dólares deixa de ser positivo para se tornar negativo em relação ao Brasil.

    Como a Balança Comercial, assim como todo as Transações Correntes de serviços produtos e rendas do Brasil com o resto do mundo são deficitárias (sai mais dólar do país do que entra), deixaríamos de compensar a maior saída de dólares das Transações Correntes com a maior entrada de dólares na conta Capital (que engloba os investimentos desses fundos) o que tornaria deficitário todo o nosso Balanço de Pagamento com a saída de dólares superior às entradas.

    Neste caso seria questão de meses, talvez uns trinta meses, para esgotarmos nossas reservas (atualmente em US$373,0 bilhões), o que nos forçaria a recorrermos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e a nos submeter a um arrocho muito maior do que este a que estamos nós mesmos nos submetendo com impactos muito maiores sobre o mercado de trabalho com desemprego aumentando, inclusive em todos os serviços públicos dos três entes federativos.

    Certamente que o FMI, para liberar empréstimos ao Brasil exigiria um ajuste muito mais profundo do que este que estamos vendo e com impactos recessivos muito maiores.

    Na atual condição que o país foi jogado por Dilma e Mantega – numa cilada estagflacionária -, não há escapatória para o Brasil, senão esta de promover um ajuste fiscal razoável movendo suas políticas monetária e fiscal de modo a causar uma certa dose recessiva.

    NÃO HÁ OUTRA MANEIRA, NÃO HÁ OUTRO MODO DE CORRIGIR O QUE DILMA E MANTEGA FIZERAM COM O PAÍS!

  4. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO vendo o efeito colateral da Política de Ajuste Fiscal,( conseguir 1,2% do PIB de Superavit Primário), e aperto Monetário ( aumento Tx. Juro Básica Selic, redução da emissão de Crédito, etc), Recessão Econômica que equivale a DESEMPREGO, recomenda que a Presidenta DILMA calibre a Recessão para ser a mínima possível. Também concordo.
    O competente Colega Sr. WAGNER PIRES em Comentário acima, explica magistralmente como chegamos a essa situação, ( para ganhar a Eleição Presidencial, DILMA/MANTEGA e demais Assessores Econômicos aumentaram o Deficit Público até +- 7% do PIB, Zeraram o Superavit Primário, e deixaram o Deficit do Balanço de Pagamentos Internacional chegar a +- US$ 100 Bi/Ano, etc.
    Passada a Eleição, se não se toma providência para reverter o quadro, se perde o Investment Grade, se queimam os +- US$ 373 Bi de Reservas rapidamente, e vamos de novo para o famigerado FMI.
    Agora, o grande Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO tem razão, o que foi ENTORTADO nos últimos 6 anos não pode ser consertado em 01 ano, sob pena de terrível Recessão e Desemprego. A Presidenta DILMA tem que calibrar melhor essa Recessão.

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