Demóstenes começa a armar a estratégia para evitar ser cassado. Será que conseguirá?

Carlos Newton

Como já se esperava, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) começou a lutar para manter o mandato, que vai até 2018, caso não seja cassado. Seu primeiro passo foi entregar a carta de desfiliação ao presidente nacional do DEM, José Agripino (RN).

Com isso, Demóstenes tenta eliminar uma grande fonte de matérias negativas, pois a desfiliação significa que não mais haverá o já anunciado processo de expulsão, que iria render uma sucessão de reportagens e artigos depreciativos, nume verdadeiro festival.

No texto, Demóstenes argumentou que discorda das afirmações de que tenha se desviado do programa partidário da legenda, vejam que cara-de-pau. “Diante do prejulgamento público que o partido fez, comunico minha desfiliação do Democratas”, disse.

Ao fazer tais afirmações, Demóstenes citou no ofício declarações de Agripino à imprensa de que seria inevitável instauração de processo para expulsão do senador goiano do partido. Mas Agripino nega que tenha havido prejulgamento. Segundo ele, foi dado a Demóstenes prazo de uma semana para defesa.

“Coisa que ele nunca fez”, destacou o presidente da legenda. E nem fará, pode-se acrescentar.

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CASSAÇÃO

Agora, Demóstenes aguarda o pedido de apuração protocolado na Mesa Diretora do Senado pelo PSOL. A legenda quer que o Conselho de Ética investigue as denúncias de ligação de Demóstenes com Cachoeira, preso pela Polícia Federal por envolvimento com máquinas caça-níqueis em Goiás.

Aí, sim, começará a contagem regressiva para a perda do mandato, porque o  procurador-geral da República, Roberto Gurgel, JÁ disse que não há qualquer ilegalidade nas apurações da Polícia Federal que levaram à conexão entre Demóstenes e o empresário-bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Demóstenes tem prerrogativa de foro por ser parlamentar, e sua defesa alega que a Justiça Federal de Goiás deveria ter obtido autorização do Supremo Tribunal Federal (STF) para investigá-lo. Como isso não ocorreu, seu advogado disse que entrará com uma reclamação no STF na próxima segunda-feira pedindo a nulidade das provas.

Para Gurgel, trata-se de uma estratégia que não terá respaldo no STF. “Claro que a defesa tem que procurar socorrer-se daquilo que lhe parece, já que o mérito está cada vez mais complicado”.

Segundo o procurador-geral, não há ilegalidade no trabalho da Justiça Federal em Goiás porque o senador não era o alvo da investigação, e sim Cachoeira. “Agora, o senador ligava com uma frequência imensa para Cachoeira, por isso há muitos áudios com o senador”.

Ele também garante que em nenhum momento foram iniciadas apurações a partir das falas de Demóstenes e que não houve ilegalidade na retenção do caso em Goiás por três anos. A seu ver, só haveria  ilegalidade “se a investigação tivesse avançado em relação a ele”.

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