Depois da China, a América Latina

Carlos Chagas

Depois da China, a América Latina. Mais do que uma rima, trata-se de uma necessidade. A presidente Dilma Rousseff  passa a semana do outro lado do mundo,  mas, quando voltar, em termos de política externa, deverá dedicar-se à América Latina. Pretende visitar nossos vizinhos e afins, dentro do espírito de solidariedade e colaboração, ainda que com características diversas daquelas adotadas pelo presidente Lula.

Porque o antecessor, com todo o respeito, foi complacente demais com nossos hermanos. De uma posição de supremacia que nos é inerente, acabou dando  a impressão de fraqueza diante do Paraguai, Bolívia, Equador, Venezuela e até Argentina. Não é o que  vai repetir-se no atual governo.  O Brasil estará pronto a dialogar com todos, até mesmo a celebrar acordos capazes de beneficiar economias mais fracas, mas jamais aceitará jogos de cena,  imposições ou declarações mal-educadas.

O Paraguai continuará a receber nossa compreensão, ainda que nada vá conseguir fazendo exigências descabidas com relação à energia de Itaipu, para a qual contribuiu apenas com parte da água do rio Paraná. A Bolívia deve esquecer a prática de nacionalizar empresas brasileiras sem antes negociar ao extremo, muito menos ocupando-as militarmente. Vale o mesmo para o Equador.

Dilma jamais admitirá comentários pouco protocolares por parte de Hugo Chávez, devendo cobrar, também, a participação da Venezuela em projetos comuns.  Em paralelo,  não se admitirá Cristina Kirchner  repetindo  o gesto do falecido marido, que quando presidente da Argentina  ficou falando ao telefone celular enquanto o Lula discursava,   retirando-se da mesa dos trabalhos sem dar satisfação aos presentes.

Em suma, a estratégia será a mesma, diferindo apenas a tática. Firmeza e respeito são preliminares para os diálogos futuros.

EM DEFESA DE ULYSSES

Afinal, uma voz em favor de quem não pode mais defender-se. O senador Jarbas Vasconcelos foi à tribuna para desagravar a memória de Ulysses Guimarães, agredido na biografia autorizada de José Sarney, recém-publicada.  O ex-presidente da República refere-se ao saudoso comandante das oposições como um político menor, sem espírito público, interessado apenas no poder. Sem dúvidas, um diagnóstico infeliz, em especial por ser feito tanto tempo depois da morte de Ulysses. Coube ao ex-governador de Pernambuco repor a História em seus devidos termos.

EMPURRANDO COM A BARRIGA

A Constituição de 88 ampliou os  limites da democracia direta, regulando o referendo e o plebiscito, duas formas de a sociedade manifestar-se sem intermediários. Desde sua promulgação, nossa lei maior ensejou diversos pronunciamentos, desde o regime ao sistema de governo e até a propriedade de armas de fogo. 

Agora que o Congresso examina a reforma política, nada  mais natural do que submeter ao  eleitorado as propostas afinal aprovadas pela maioria dos deputados e senadores.

Só que tem azeitona nessa empada. Já flui pelos corredores do Legislativo a idéia de que a referida consulta popular deve acontecer em outubro do ano que vem, junto com as eleições municipais. Quer dizer, uma reforma imprescindível, que se espera votada ainda neste primeiro semestre, ficaria mais de um ano na geladeira. E nem valeria para as eleições municipais de 2012. Só se aplicaria, caso recebendo o apoio  popular, em 2014.  País que tem tempo é outra coisa.

O MAIOR MURO DO MUNDO

Com toda razão preocupado com a fragilidade de nossas fronteiras,  lembrou o senador Marcelo Crivella recente visita feita aos Estados Unidos. Lá, apesar de todos os  meios de vigilância na fronteira com o México, os americanos ainda erigiram um muro.  Aqui, seria impossível repetir a experiência, dada a extensão de uma fronteira terrestre que começa no Amapá e termina no Rio Grande do Sul.  Para evitar a entrada de drogas e de contrabando,  a solução seria multiplicar os postos militares de fronteira. Ampliar a presença do poder público nas  faixas de limite com nossos vizinhos. Sem isso a droga e as armas continuarão entrando com toda liberdade  em nosso território.

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