Depois da exibir ao mundo o Brasil paralelo, Bolsonaro rapidamente voltou ao Brasil real

Psicanalistas veem Bolsonaro com atitude paranoica e onipotente diante da  pandemia - 04/04/2020 - Poder - Folha

Bolsonaro está confinado no Alvorada até este domingo

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Depois de apresentar um mundo paralelo na Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Jair Bolsonaro terá de encarar o Brasil real, que, em nenhum momento, foi citado no discurso de terça-feira (21/09) a chefes de Estado.

O primeiro choque de realidade veio da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que recomendou a todos os integrantes da comitiva que foi à ONU que fiquem de quarentena, pois tiveram contato direto com o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, diagnosticado, em Nova York, com covid-19.

A CONTRA-GOSTO – Bolsonaro foi obrigado a cancelar sua agenda de hoje e uma viagem que faria, na sexta-feira (24/09), ao Paraná. O presidente relutou, mas integrantes de sua equipe o convenceram a não desrespeitar uma orientação da Anvisa, até para não minar a credibilidade da agência.

Nesta mesma quarta-feira, às 18h30, Bolsonaro teve de engolir mais um aumento da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic em 1 ponto percentual, de 5,25% para 6,25% ao ano.

Ao que tudo indica, o BC terá que continuar aumentando os juros até o primeiro trimestre de 2022 se quiser conter a inflação, que está em disparada e, em 12 meses, já encosta em 10%. Isso significa dizer que, daqui a 45 dias, quando o Copom voltará a se reunir, os juros já estarão acima dos 6,5% anuais entregues por Michel Temer a Bolsonaro na transferência de governo.

INFLAÇÃO E DÓLAR – A inflação, que está destruindo o poder de compra da população, sobretudo a camada mais pobre, está sendo puxada, entre outros fatores, pela alta do dólar. A moeda norte-americana tornou-se refúgio para os investidores, assustados com a crise política provocada pelo presidente da República.

Com os juros mais altos, a inflação alta, o dólar proibitivo e a crise política em alto grau, o crescimento econômico está perdendo força e a perspectiva de muitos economistas é de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresça abaixo de 1% em 2022, quando Bolsonaro deverá tentar a reeleição.

FELIZ ANO VELHO – Tudo isso, com a pandemia do novo coronavírus ainda matando, em média, 500 brasileiros por dia — nos próximos dias, o país alcançará a trágica marca de 600 mil mortos pela covid —, com a Amazônia sendo desmatada a uma velocidade assustadora, o Pantanal pegando fogo e as terras indígenas, invadidas por garimpeiros ilegais.

O Brasil real, do qual Bolsonaro quis fugir em discurso na ONU, está escancarado e numa situação terrível. Porém, não há como fugir dele, mesmo que se insista em criar um mundo paralelo.

VÍRUS QUEIROGA – O constrangimento entre integrantes da equipe de Bolsonaro é grande. Na visão deles, a viagem do presidente para participar da Assembleia-Geral da ONU não poderia ter acabado pior. O diagnóstico de covid de Queiroga derrubou a moral de muita gente do governo.

O ministro da Saúde, que está em quarentena em Nova York, deixou um rastro de contaminação que pode ter chegado até ao presidente dos Estados Unidos, Joe Biden. Na última segunda-feira (20/09), véspera da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Queiroga acompanhou o presidente Jair Bolsonaro em um encontro bilateral com o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, no consulado-geral do Reino Unido.

Queiroga apertou a mão de Johnson, que estava sem máscara. O primeiro-ministro já tomou as duas doses da vacina AstraZeneca, contra a covid, mas isso não impede que ele seja infectado. O ministro brasileiro também tomou as duas doses de vacina, contudo, está com Covid.

ATÉ BIDEN – No dia seguinte ao encontro com Bolsonaro — que reforçou, rindo alto, não ter sido vacinado —, Johnson foi a Washington para uma conversa com Joe Biden. O presidente norte-americano, por sinal, esteve em Nova York, na noite anterior, onde pernoitou no mesmo hotel da comitiva brasileira que acompanhou Bolsonaro na ONU.

Na terça-feira (21/09), outro ministro brasileiro, Carlos França, das Relações Exteriores, esteve com o secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken. Já o ministro do Meio Ambiente do Brasil, Joaquim Leite, se encontrou com John Kerry, enviado especial de Biden para o Clima. As conexões, portanto, são fortes.

Por fim, vale lembrar que a população bancará as despesas com a quarentena de Queiroga em Nova York. Por baixo, a fatura sairá por R$ 30 mil, isso, se ele ficar no quarto mais barato do hotel em que está hospedado.

13 thoughts on “Depois da exibir ao mundo o Brasil paralelo, Bolsonaro rapidamente voltou ao Brasil real

  1. Bolsonaro vai sofrer retaliações do mundo inteiro, levou uma comitiva enorme pra contaminar toda ONU e Nova Iorque.
    O genocida levou variantes de vírus de todo tipo, pegou o alfabeto grego todo.
    Esqueçam os calendários Julianos e Gregorianos agora vai ser o Calendário Bolsonariano, aquele que disseminou a peste a nível planetário, se sobrar alguém vivo os próximos extraterrestes que vierem aqui vão constatar que o dna deixado por eles quando na fundação da raça humana foi maquiavelicamente modificado para destruir a civilização, Bolsonaro providenciou isso.

  2. Exageros e ironias à parte, a verdade é que Bolsonaro cometeu um erro crasso, além de ter sido negligente e irresponsável com a saúde de sua comitiva.

    Logo o ministro da saúde foi viajar contaminado??!!

  3. Mas … o ministro da saúde não estava cientificamente “imunizado”?

    Na real, se a tal da vacina não imuniza, ela é apenas mais um tipo de “tratamento preventivo”, não é coronas-lovers?

  4. O ministro teve aplicada a vacina ou não?
    Caso a resposta for positiva, que marca era do imunizante?
    Ou Queiroga apenas tomou o kit salvador, composto por Cloroquina e Ivermectina?!

    A questão é que agora temos da pagar uma fortuna para o hotel luxuoso em NY, onde se encontra em quarentena o irresponsável ministro da … doença!

  5. Fiz uma pergunta à bolsonarista que mora comigo, será que o ministro não poderia fazer a quarentena na embaixada brasileira em Nova York? Não teria um “quartinho” para hospedar o ministro? Bem dizia Machiavel, príncipe, não economize o dinheiro dos outros.

  6. O Estado de Minas.
    O governo federal não informa qual quarto Queiroga vai se hospedar durante o período de isolamento. O ministro da Saúde, de 55 anos, está assintomático e já foi vacinado com duas doses da vacina contra o coronavírus.
    Eu.
    Alguém se preocupava com o custo das viagens de Dilma e sua comitiva maior que a legião de eunucos do Rei Xerxes? E que ficava nos mais luxuosos hotéis? Não!
    O cara ficou de quarentena por força da legislação americana, estava vacinado com que raios de vacina?

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