Depois de desfeita a dúvida, uma viagem à China

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)

Carlos Chagas

Mais uma vez, no caso a sétima, o presidente interino Michel Temer anunciou medidas impopulares. Até agora adotou aumentos para muitas categorias e destinou recursos para setores privilegiados. Explica-se: falta-lhe certeza se obterá no Senado 54 votos ou mais para permanecer na presidência da República até o fim do presente período antes destinado a Dilma Rousseff. Depois, se aquinhoado, acionará a guilhotina.

A dúvida é se conseguirá equilibrar-se, porque as pesquisas só têm indicado rejeição popular à sua performance.

Por enquanto, sucedem-se as manifestações contrárias a Temer, exatamente iguais às colhidas contra Dilma. As eleições municipais de outubro fazem prever malogro para os candidatos ligados ao governo, ainda que a confusão marque a presença dos partidos e grupos em disputa.

O que seriam medidas impopulares? Aumento de impostos? Supressão de iniciativas favoráveis aos contribuintes? Contenção de gastos?

Seu objetivo não é eleitoral, ele tem repetido, sustentando a importância do apoio ao governo.  Mas apoiar o quê, se o desemprego se multiplica, os preços sobem e o poder público se omite?

NEGÓCIOS DA CHINA – A novidade, agora, é a viagem de Temer à China, anunciada esta semana para depois da derrota definitiva de Dilma. Quer vender aviões e carne bovina, em troca de investimentos nas rodovias e na geração de energia. Bem que depois dessa incursão no desconhecido o presidente que tiver deixado de ser interino poderia trazer na bagagem o exemplo da aplicação de todos os recursos  possíveis na educação.

4 thoughts on “Depois de desfeita a dúvida, uma viagem à China

  1. Como pode ser analisado um presidente interino com pouco mais de um mês de gestão, só se for muito inteligente ou muito burro.
    As manifestações contrárias a Temer é feita por aqueles que foram beneficiados pelo governo petista e se revoltaram porque perderam a boquinha: o MST, a UNE, os sem teto e outros..
    Não se pode colocar a culpa num governo interino com 50 dias de gestão pelo desemprego, a alta dos preços etc. A crise que o país atravessa,é consequência dos 13 anos do desgoverno petista.

  2. Temer não será candidato não é porque não quer. A lei o impede. Para quem não se lembra, ele foi eleito e reeleito vice presidente. Essa condição não permite participação numa terceira eleição, seja para vice, seja para presidente.

    Há precedentes. Nos anos 90, um político foi reeleito prefeito de Nova Friburgo e tentou participar como vice-prefeito numa terceira e seguida eleição.

    Os adversários denunciaram a armação. Estava combinado que o prefeito eleito renunciaria rapidamente, para abrir espaço para o hábil político. Independentemente dessa prova, o TSE barrou a candidatura. Podem conferir.

  3. Origres, você lembrou bem. Mas o golpe tem como complemento a implantação do semi-parlamentarismo.Esse foi o golpe que triunfou. Foi tramado como já escrevi antes da adissimibilidade do impeachmet, por Temer, Serra e Gilmar. Consumado o impeachment, vamos ver se eles concluem o que foi tramado.

    • Aquino, me desculpe. Mas, a todas as luzes, golpe, quanto ao resultado, foram as eleições de Lula e Dilma. O objetivo era a implantação dessa associação criminosa no topo da pirâmide do poder da nação.

      Roubaram como nunca. São, esses petistas que andaram nos roubando, os maiores ladrões da história. Não do Ocidente ou do Oriente. Mas, os maiores bandidos do planeta, em todos os tempos.

      Quem mais deveria ter ódio dessa turma são os eleitores dessa canalha. Eles é que são os traídos. Não pessoas como eu, que nunca me deixei enganar por esse metalúrgico criado pelo Golbery como pedra no caminho do Brizola. Nascido para dividir a oposição aos regimes de antanho.

      Mas alguns acólitos – são poucos, é verdade – ainda os defendem. Claro que existe uma horda de não esclarecidos, famintos, assim mantidos para garantia do voto, que ainda apoiam essa corja. Têm medo de que os chamados projetos sociais sejam esquecidos, caso outro grupo assuma o poder. A ignorância os absolve, como apoiadores desses notáveis mafiosos.

      Quanto a haver motivação suficiente para o impeachment, a partir dos equívocos contábeis cometidos por Dilma, não é discussão que deva se alongar.

      É necessário haver o equívoco, como estopim jurídico. Houve o fato. Deu-se a largada. A partir daí, o restante é de ordem meramente política.

      Nem sei porque se discute tanto no Congresso, agora no Senado. Os votos, as convicções, já estão formadas. Esses longuíssimos debates somente servem como trampolim eleitoral, para dar visibilidade aos políticos, sejam os contra, sejam os a favor da presidenta – como ela gosta de ser chamada.

      Simples assim. Mas golpe, G-O-L-P-E, isso não é. No máximo, pode ser chamado de manobra política, movimento válido em qualquer parlamento de qualquer país do mundo. Aliás, manobras políticas são a essência da própria política, com “p” maiúsculo ou minúsculo, dependendo da opinião (política) de quem analisa.

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