Depois de liberar o tráfico de drogas e a ação das milícias, Cabral quer legalizar o jogo. Fica faltando apenas a prostituição. Mas ele chega lá.

Carlos Newton

O governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), segue inovando em matéria de administração. Como se sabe, este ano ele teve até de baixar um Código de Conduta Ética no governo estadual, porque depois de mais de quatro anos de mandato (sem contar a experiência anterior como deputado estadual, presidente da Assembléia e senador), Cabral ainda não sabia o que era certo ou errado em matéria de administração pública.

O pior é que ele continua sem saber o que é certo ou errado, pois segue fazendo acordo com traficantes para instalar as UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora), deixando o tráfico livre, leve e solto, desde que os criminosos não incomodem os moradores das comunidades. Com isso, perdeu a noção de quem é mocinho e de quem é bandido.

Sua mente está tão confusa que Cabral agora está defendendo a legalização dos jogos de azar como possível fonte de financiamento para a saúde. Ao participar da inauguração do prédio reformado da Loterj (Loteria do Estado do Rio de Janeiro), quando foram doados cerca de R$ 4 milhões a projetos sociais, fruto da arrecadação lotérica, o governador fez a inusitada e ilegal proposta.

Detalhe importante: a iniciativa de Cabral ocorre exatamente quando o Congresso Nacional discute a emenda 29, que determina que o governo federal deve destinar 10% de sua arrecadação à saúde. “Eu acho que o jogo no Brasil, se aberto e legalizado, poderia ser uma fonte de financiamento importante para tanta coisa. Inclusive para saúde. Não se fala tanto em financiamento de saúde? Eu lamento que no Brasil a gente não possa modificar isso e ter jogos legalizados, organizados, controlados e com dinheiro bem aplicado”, disse.

“O Brasil vive algumas hipocrisias muito fortes. Aí você vê casa de bingo ilegal sendo fechada, cassino ilegal sendo fechado. Se há demanda, vai existir oferta. Então vamos organizar essa oferta, no Congresso, com uma lei direita”, afirmou, lembrando que “só no Iraque, no Afeganistão, no Iêmen e na Coreia do Norte” o jogo não é legalizado.

Com total conhecimento de causa, defendendo a oferta e a demanda, Cabral refutou o argumento de que os jogos impulsionariam a lavagem de dinheiro. Disse que essa prática existe em várias outras atividades e sugeriu que o Brasil siga modelos de fiscalização e controle de outros países onde o jogo é legalizado.

Portanto, depois de ter liberado o tráfico de drogas nas favelas do Rio e de ter acobertado a ação das milícias, que se multiplicaram dominando as comunidades pobres, Cabral agora parte para a legalização do jogo. Assim, fica faltando apenas legalizar a prostituição, também na base da oferta e da demanda, para enfim ser fechado o ciclo desse governante verdadeiramente moderno e inovador, que ficou milionário na política e se tornou um prestigiado mestre em lavagem de dinheiro, absolutamente confiante na impunidade que o aguarda no futuro.

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