Deputado confirma escândalo da “venda de emendas” na Assembléia de São Paulo, mas não cita nomes.

Carlos Newton

Na política de São Paulo não se fala em outra coisa. O deputado estadual Roque Barbiere (PTB-SP) nega que tenha recuado ou baixado o tom das acusações de um esquema de venda de emendas na Assembleia paulista, mas não cita nomes e até desmente ter afirmado que o Legislativo estadual havia se transformando num verdadeiro camelódromo.

Em entrevista na terça-feira na Assembleia Legislativa, ao reafirmar as acusações da venda de emendas, ele afirmou: “Isso é igual camelô, cada um vende de um jeito”. Porém, nas explicações enviadas ao conselho, o deputado relatou que foi perguntado por um repórter como as emendas eram vendidas e que respondeu que não sabia. E que, após insistência do jornalista, disse que “aquele que a for vender não coloca anúncio em lugar nenhum e que quem vendia emenda talvez fizesse como camelô, sei lá, maquiasse o produto e outras bobagens do tipo”.

Na verdade, mais da metade de todo o dinheiro liberado pelo governo de São Paulo para a realização de obras indicadas pelos deputados estaduais se refere a emendas cujos valores não ultrapassam R$ 150 mil, o que facilita a assinatura de contratos pelas prefeituras, porque até esse valor, é permitida a realização da forma mais simples de licitação, aquela feita por meio de convite.

Ao denunciar a venda de emendas na Assembleia paulista, o deputado Roque Barbiere (PTB) deu a entender, em entrevista semana passada, que esse modelo de licitação facilitaria as fraudes, com deputados negociando emendas com prefeituras e fazendo lobby para empreiteiras.

Ao se explicar ao Conselho de Ética, Barbiere argumentou que a comparação com o camelódromo dá a entender que ele teria dito que na Assembleia Legislativa “todo mundo vende emenda e todo mundo age como camelô”.

No depoimento escrito que entregou aos colegas no Conselho de Ética, Barbiere ressalvou que “a grande maioria dos senhores deputados é gente boa”, acrescentando que desde sua primeira entrevista revelando o esquema, em agosto, ao jornal “Folha da Região”, de Araçatuba, deixou claro que os envolvidos constituíam uma minoria e que a “grande maioria era gente de bem”. Detalhe: na ocasião, o deputado disse que até 30% de seus colegas negociavam emendas parlamentares ao Orçamento do Estado.

No depoimento entregue ao Conselho de Ética, Barbiere argumentou também que nunca afirmou “que este era um percentual matemático e devidamente comprovado”.

“Não sou ‘médium’ nem adivinho as coisas”, justificou.

Por fim, o deputado argumentou ainda que não fez críticas à imprensa e não acusou veículos de comunicação de distorcer suas declarações.

Vamos ver aonde vai parar essa inusitada denúncia.

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