Deputado diz que PSL “poderia ter se acabado” se não tivesse aberto as portas a Bolsonaro

Gustavo Uribe
Folha

Em meio à discussão sobre a saída de Jair Bolsonaro do PSL, o líder do governo na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo (PSL-GO), defendeu que o partido continue aliado à atual gestão federal e disse que a legenda teria acabado se não fosse a filiação do presidente.

O líder do governo se reuniu nesta segunda-feira, dia 14, com Bolsonaro, após ele ter se encontrado com seus consultores jurídicos Admar Gonzaga e Karina Kufa. Nas audiências privadas, segundo relatos feitos à Folha, o presidente disse que não deixará o partido no curto prazo e que o acesso à prestação de contas da sigla definirá seu rito de desfiliação.

AUDITORIA EXTERNA – Na última semana, Bolsonaro requereu ao dirigente nacional do PSL, Luciano Bivar, a realização de uma auditoria externa nas contas da legenda. A ideia é usar eventuais irregularidades nos documentos como justa causa para uma desfiliação de deputados da sigla, o que evitaria perda de mandato.

“O mais importante para quem está desse lado é a manutenção do vínculo e da lealdade com o presidente. O PSL é um partido que teria muito provavelmente acabado se não tivesse dado a legenda para o presidente, por causa da cláusula de legenda que foi imposta pela lei”, disse o líder do governo.

FUNDO PARTIDÁRIO – Vitor Hugo ressaltou que o grupo de deputados disposto a mudar de partido com o presidente considera até mesmo abrir mão do fundo partidário e que a torcida é para que as tensões no PSL sejam rapidamente resolvidas.

“Nós esperamos que o partido efetivamente entregue os pedidos que foram feitos a partir da petição que foi assinada, do requerimento que foi apresentado, para que os próximos passos possam ser planejados”, disse.

Na última semana, Bolsonaro afirmou estar decidido a deixar o PSL, mas ele ainda busca uma saída jurídica para desembarcar do partido. A equipe que assessora o presidente trabalha na construção de uma saída para evitar que os deputados aliados percam seus mandatos por infidelidade partidária.

CHAVE DO COFRE – Hoje, ao menos 20 parlamentares estariam dispostos a seguir o presidente. Nos bastidores, os grupos de Bolsonaro e de Bivar dizem que o que está em jogo é a chave do cofre dos R$ 110 milhões do fundo partidário ao que PSL vai receber até o fim do ano.

Os advogados que assessoram Bolsonaro pretendem usar o argumento de que a direção do PSL tem descumprido o programa do partido ao não dar transparência à gestão do fundo partidário.

LARANJAS – Uma ala da sigla também defende que o escândalo das candidaturas de laranjas do PSL, caso revelado pela Folha, seja apontado como justa causa para uma desfiliação.

A legislação só permite quatro situações de justa causa para desfiliação partidária —em que o parlamentar pode mudar de partido sem perder o mandato: fusão ou incorporação do partido; mudança substancial ou desvio reiterado do programa partidário; grave discriminação política pessoal; e, no último ano de mandato, sair para disputar eleição.

7 thoughts on “Deputado diz que PSL “poderia ter se acabado” se não tivesse aberto as portas a Bolsonaro

  1. General, marechal, brigadeiro, major, coronel, delegado, juiz, promotor, capitão, tenente, escrivão, carcereiro…, sargento, cabo e soldado “…para fechar o STF “. Deus do céu, não é possível que isso está acontecendo no Brasil, primeiro levaram o povo à loucura, e depois se aproveitaram da demência do povo. Pelo amor de Deus, o lugar dessa gente não é na política, mas isto sim na segurança do país e da população, nos seus postos profissionais, conforme as suas respectivas vocações.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *