Deputados que vendem seus votos desacreditam o Parlamento brasileiro

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Charge do Son Salvador (Charge Online)

Pedro do Coutto

Na semana passada, o Estado de São Paulo publicou pesquisa do Instituto IPSOS revelando que nada menos que 94% do eleitorado brasileiro não se sentem representados pelos deputados que elegeram nas urnas de 2014. A reação é totalmente lógica, pois uma grande parte dos que integram a Câmara Federal são movidos por interesses pessoais de baixo nível, prontos a negociar seus votos e opiniões, como ocorreu na sessão que barrou a perspectiva de o STF apreciar a representação de Rodrigo Janot na qual acusou frontalmente o presidente Michel Temer.

Praticamente todo país acompanhou aquela sessão através da Globonews e também da Rede Globo de Televisão. E assim testemunhou a farsa representada pelos que negociaram posições com o Palácio do Planalto movidos por interesses que se chocam com a opinião pública e portanto também com a consciência democrática do país. Os que venderam seus votos distanciaram-se de seus eleitores que se sentiram traídos ou instrumento de obtenção de vantagens ilícitas. Vai daí a rejeição de 94%.

REFORMA POLÍTICA – Agora os deputados discutem uma reforma política que não reforma coisa alguma e sim constitui-se numa forma de facilitar ao máximo a reeleição dos que lá se encontram no exercício de um mandato muito mais individual do que coletivo. É o caso do “distritão”, como destacou o ministro Luiz Fux na entrevista a Carolina Brígido, em O Globo desta segunda-feira. O ministro Luiz Fux foi além: afirmou que o Congresso, portanto também o Senado, deseja enfraquecer o Poder Judiciário numa autentica contramão da Operação Lava-Jato e da própria história do Brasil. E lembrou o que aconteceu na Itália quando da Operação Mãos Limpas.

MANIPULAÇÃO – Acentuou Luiz Fux que o projeto de iniciativa popular  (mais de 2 milhões de assinaturas), que propôs medidas anticorrupção, foi transformado num projeto que considera crime de abuso de autoridade por parte dos juízes. Absurdo total. Relativamente ao “distritão”, Fux afirmou: “Trata-se de uma indecência a toda prova porque é destinado a manter a reeleição de quem já está com acento no Parlamento”.

De fato, o projeto implica num esforço voltado contra a renovação de mandatos, fenômeno que pela legislação atual vem acarretando a cada quatro anos a substituição de pelo menos 1/3 dos deputados. “Distritão”, a meu ver, é sinônimo de farsa e de apropriação indébita do voto popular.

VOTO DISTRITAL – Na edição de domingo de O Globo e da Folha de São Paulo, o jornalista Élio Gaspari enfocou com exatidão o aspecto fundamental do voto distrital misto que parte ponderável da Câmara empenha-se em aprovar. Fala-se em voto Distrital, disse Gaspari, antes mesmo de saber-se como poderá ser feita a divisão, para efeito de voto parlamentar dos distritos no país. Afinal de contas são 5.600 municípios brasileiros dos quais teria que surgir a subdivisão de áreas eleitorais.

O “distritão” tem duas faces. O voto direto no deputado e o voto indireto através das legendas partidárias. Os defensores de tal mudança radical, por sua vez, não sabem ao certo qual no final a fórmula a ser ajustada. O tempo corre contra a forma dessa reforma, uma vez que ela terá de ser aprovada antes de 7 de outubro. Exatamente no limite de um ano para realizar-se a eleição de 2018.

O sistema a ser adotado, que pode ser a manutenção do método atual de escolha, tem que entrar em vigor um ano antes das urnas, porque substancialmente os candidatos terão que possuir doze meses pelo menos de filiação partidária e muitos parlamentares de hoje desejam trocar de partido amanhã.

NOVOS PARTIDOS – Há também o caso da criação de novas legendas e para essas também se aplica a exigência de um ano de existência legal. A reforma qu se encontra em debate conduz a uma desinformação quanto, afinal de contas a que se destina. Não houve consenso entre os atuais deputados.

Mas ao rejeitarem o quadro legislativo pela margem de 94%, consenso é o que não falta aos eleitores e eleitoras do país. O tempo veloz apresenta ainda uma outra característica: o que podem fazer os atuais deputados para que seus eleitores voltem a confiar-lhe seu voto?

A resposta, nesta altura do campeonato, parece difícil. Como difícil é a tarefa de Rocha Loures de explicar o destino verdadeiro da mala da noite paulista.

5 thoughts on “Deputados que vendem seus votos desacreditam o Parlamento brasileiro

  1. O distritão é ruim, pois não há renovação? Então temos um dilema. Quem elege, o povo ou os partidos? Se é o eleitor que escolhe seu candidato e o elege, onde está a indecência do distritão? Muitos, inclusive o aqui o consideram ruim, mas teimo em não conseguir identificar onde a democracia está errada. O eleitor não é suficiente para que a formação de seu Congresso seja produtiva ou os partidos precisam deste espaço para conseguirem crescer? Para isso precisam ter o poder de “ajustar” o pleito para fazer caber a quem entenda ser elegível. Ainda não compreendi onde está a indecência no distritão. Pode não ser o mais certo, mas de forma alguma é tão errado quanto o proporcional com lista aberta. Se a situação atual no Congresso não serve de parâmetro, não saberia mais o que poderia ser. Lista fechada. Evidentemente que o voto em lista, seja qual for o sistema e o atual muito pouco ou nada mudaria a situação de calamidade causada pelos partidos políticos no Brasil. O eleitor é obrigado a ir as urnas, vota e a eleição é manipulada para eleger os de interesse dos partidos. Os partidos se fortificam, pois decidem quem entra formando o Congresso junto com o eleitor e perde a nação, como a prática já demonstrou.

    • Que raio de democracia é essa que obriga o cidadão a ir votar nos bagulhos impostos pelos partidos como se fossem as pessoas mais qualificadas do conjunto da sociedade e não as menos indicadas para tomar conta do patrimônio público ? Por que então não instituem o voto facultativo, tendo em vista que a imposição do voto é ditadura ? Elementar caro colega, porque ninguém, exceto elle$, votaria nelle$, e daí a farsa cairia por terra sozinha.

  2. Por que a loucura por dinheiro para campanhas espetaculosas, tipo fachada dos desvios, senão para comprar apoiadores, cabos eleitorais e eleitores venais porque na moral entre os honesto em sã consciência ninguém mais vota nelle$, porque elle$ representam apenas os seus próprios interesses e os dos seus “doadores” ? E ainda têm a cara de pau de dizer que isso é democracia e que elle$ são a única expressão possível da democracia, e repetem isso à exaustão à moda nazifascista que um bando de otários acaba acreditando nelle$ que assim transformam a farsa plutocrata putrefata e mentirosa numa verdade incontestável na mente dos otários.

  3. O Brasil esta se afogando neste oceano de lama, a corja de Brasília, estão quadrilhas hediondas, a matar e aleijar à Cidadania.Este congresso podre, fazendo leis criminosas de auto defesa, com o espurio “foro especial” imunidades, prescrição em 5 anos do roubo do cofre, um stf, com sinistros, que soltam ladrões de alto coturno, e criminosos que mandam matar, uma constituição colcha de retalhos com mais de 100 emendas de auto-proteção, transformaram o Brasil em republiqueta democradura. torna os Cidadão em idiotas, obrigados ao voto, para eleger patifes.
    O voto obrigatório indigno, dado pelo cidadão,é o culpado, deste pântano.
    Queira Deus, que saiamos pacificamente, desta podridão.
    O Ministro FUX, fale com seus colegas decentes, de salvar o Brasil, protegendo a Lava Jato, que está prestando um serviço de Cidadania, na Pessoa do Juiz Moro e Equipes do MPF e PF, servindo de exemplo de Dignidade, Para todos os servidores da Justiça.
    Os Tribunais superiores, no ápice o STF, é o último recurso da Cidadania, de buscar seus Direitos pacificamente. Os que vendem suas consciência, no estupro e vilipendio da Justiça, como todos nós, pós túmulo, na Justiça Divina, por suas Obras: Ranger de dentes ou Paz e Luz, acreditem se quiserem, mas são Leis Divinas.
    Que Deus nos ajude, Rui Barbosa já dizia: “Quem não luta pelos seus Direitos, Não é Digno deles”.

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