Desaparecida a causa, desaparecem os efeitos

Carlos Chagas

Os protestos  do Sete de Setembro serviram para comprovar que minorias  deletérias conseguem perturbar um país inteiro mas encontram-se a um passo de ser isoladas, se houver vontade política por parte da população e da  autoridade pública. Porque não foi nem será difícil identificar,  em todos os estados, quais os baderneiros empenhados em promover a desordem.

Infiltrados nas manifestações populares, não passaram de 200 ou 300 em cada capital. São nada, para uma população de mais de 200 milhões, mesmo se admitindo a indignação de boa parte deles diante da  falência dos serviços públicos  e da fragilidade das instituições.  Numa palavra: o Brasil está contra a qualidade de vida imposta por governos desleixados, da mesma forma como rejeita a  baderna. Esta ficará circunscrita a uns tantos desajustados assim que aquela venha a ser recomposta.

Torna-se evidente, assim, que enfrentada a causa, desaparecerão os efeitos, já que sem manifestações nas ruas  para infiltrar-se,  os baderneiros serão reduzidos à sua expressão mais simples, de meros bandidos cujo destino deve ser a cadeia. Desnecessário será demonstrar que enquanto se misturarem os que protestam com razão e os que depredam sem ela, não haverá polícia que dê jeito. Em especial quando os agentes policiais confundem uns e outros.

Mesmo “uniformizados”, vestidos de pretos e com a cara encoberta, os poucos baderneiros só se revelam na hora em que invadem, quebram e dilapidam patrimônio público e privado. Podem ser identificados numa investigação posterior, demorada e custosa, parecendo mais fácil e lógico ao poder público enfrentar os motivos responsáveis pelas manifestações. Em suma, reformar objetivos e métodos de governo, bem como instituições. Missão quase impossível, mas a única saída visível para evitar o caos. De preferência através de eleições…

SEM PREVISÕES

Quarta-feira, caso  não sobrevenham  inusitados, saberemos se o julgamento do mensalão acabou ou se irá estender-se até o Natal. Do ano que vem, é claro. O Supremo Tribunal Federal decidirá se valem os embargos infringentes, proporcionando a pelo menos onze condenados o benefício da revisão de suas penas, ou se tais recursos deixaram de valer, abrindo-se para os réus o caminho da cadeia em poucos dias.

Há divisão entre os ministros da mais alta corte nacional de Justiça. Seria perigoso  fulanizar, exceção do presidente Joaquim Barbosa, declaradamente contrário aos embargos. Existem opiniões para todo gosto.

AUSÊNCIAS

Tanto Henrique Eduardo Alves, presidente da  Câmara, quanto Renan Calheiros, presidente do Senado, terão suas justificativas para explicar a ausência no palanque presidencial do desfile do Sete de Setembro. O mais provável   é que aleguem compromissos em seus estados, ainda que as câmaras de televisão, em Natal e Maceió não tenham divulgado suas imagens na cobertura dos desfiles militares. Não deixa de ser uma descortesia, porém, terem faltado a um convite da presidente Dilma Rousseff.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

One thought on “Desaparecida a causa, desaparecem os efeitos

  1. Chagas!
    Os baderneiros conseguiram o seu objetivo. Afastaram das ruas a população, os protestos contra a corrupção e os desmandos dos Três Poderes. Todos os que foram “presos”, minutos depois estavam soltinhos da silva… A mídia aproveita e desqualifica a ação da polícia, sem mencionar que esta está a soldo do governo. Logo cooperando para dissolver pulverizar as manifestações baixa o cacete tanto nos culpados quanto nos inocentes… Enquanto isso, as FFAA só desfilam doidinhas para voltar para o quartel. Afinal, o ranchão está esperando e o boião frio, ninguém aguenta! Né?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *