Desastre ferroviário em Buenos Aires é um alerta para a falta de manutenção do sistema no Rio de Janeiro e outras cidades brasileiras.

Pedro Ricardo Maximino

Nesta quarta-feira de cinzas, 22 de fevereiro de 2012, às 8h36 em Buenos Aires (9h36 pelo horário de Brasília), no momento em que chegava à estação Once, um trem de passageiros, com cerca de 800 pessoas a bordo, saiu dos trilhos e chocou-se contra a plataforma, deixando pelo menos 49 mortos e 600 feridos, segundo balanço mais recente divulgado pelo porta-voz da polícia, Néstor Rodríguez.

O número de vítimas pode ser ainda maior, pois os trabalhos de resgate continuavam e ainda havia pessoas presas nos vagões, segundo afirmações de Daniel Russo, da Defesa Civil, e Alberto Crescenti, chefe dos serviços de emergência da cidade. Mais de 20 ambulâncias foram enviadas para o resgate.

Segundo as afirmações das autoridades, há fortes indícios de que a composição tenha perdido os freios e saltado dos trilhos quando entrava na plataforma da estação Once, que é uma das mais movimentadas de Buenos Aires. O trem adentrou a estação a 26 quilômetros por hora e ficou prensado ao chocar-se contra a última barreira de contenção. Pelo menos 200 pessoas foram hospitalizadas

A TV local mostrou o resgate do maquinista, que havia ficado preso entre os ferros retorcidos da locomotiva. Feridos eram retirados de maca da estação. Pelo menos 200 deles foram hospitalizados.

Centenas de milhares de pessoas viajam de trem dos subúrbios para o centro da capital da Argentina diariamente. A linha ferroviária urbana Sarmiento transporta diariamente cerca de meio milhão de pessoas. Mónica Slotauer, responsável pela limpeza da linha Sarmiento, afirmou que “os freios falharam por causa da falta de investimento” nesta linha férrea.

Os trens utilizados pela empresa são da década de 1960. Os serviços ferroviários sucateados e lotados, operados por empresas privadas e fortemente subsidiados pelo Estado, são marcados por acidentes e atrasos.

O último acidente ferroviário ocorrido na Argentina aconteceu em 18 de dezembro passado, quando uma locomotiva se chocou contra um trem repleto de passageiros parado numa estação da periferia sul da capital, com 17 feridos.

Em 13 de setembro de 2011, nove pessoas morreram e 212 ficaram feridas no choque entre dois trens e um ônibus numa passagem de nível do bairro metropolitano de Flores, a oeste, em um dos episódios mais graves dos últimos anos.

###
RIO É UM MAU EXEMPLO

O Rio de Janeiro não é o único a vivenciar a precariedade nos transportes urbanos e o sucateamento e o desvio de recursos que deveriam ser voltados aos investimentos essenciais em qualidade e segurança nos serviços é muito semelhante ao que acontece no país vizinho.

Também no Rio os atrasos são rotineiros, o sucateamento é majoritário, a malha envelhecida convive com o lixo, com os furtos e com a falta de manutenção, principalmente nos ramais dos mais pobres, como o de Saracuruna e o de Japeri. Os acidentes somente são lembrados quando tomam proporções maiores, embora a superlotação acarrete graves problemas e traga riscos permanentes aos usuários, entulhados em composições sem ventilação e que até trafegam com as portas abertas.

Que tomemos a tragédia de hoje como um alerta para que cobremos o mínimo para preservar vidas, trabalho preventivo e atuação concreta da concessionária Supervia, do governo estadual e também da ainda apagada Agetransp do Rio de Janeiro.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *