Descartar brilhantes cérebros, não

 

 

Welinton Naveira e Silva

A questão  da defasagem tecnológica do Brasil em relação a grandes potências, em inúmeras e estratégicas áreas, dentre elas, aeronáutica, aeroespacial, cibernética, comunicação, robótica, defesa e outras mais, tem origem em antigos e crônicos problemas, a serem resolvidos, como os adequados e pesados investimento em educação, em áreas científicas e de pesquisas etc. Mas o devido equacionamento dessas questões, demanda muito empenho, recursos públicos e décadas para apresentarem os esperados resultados.

Por outro lado, é possível adotar certas providências simples e de baixo custo, capazes de trazer grandes resultados, em curtos prazos. Com pouco recurso e vontade política, a crucial questão tecnológica brasileira poderá a passar a contar com uma potência adicional de especiais e brilhantes cérebros, até agora descartados (ou mal aproveitados) para outros setores, nada a ver com desenvolvimento tecnológico, pesquisa científica, e fortalecimento da indústria brasileira de tecnologia de ponta.  

 

Há muitos anos que continuamos assistindo, e sem nada fazer para impedir grandes contingentes de cérebros especiais e brilhantes, de engenheiros recém-graduados, em universidades públicas de elite, rumando para bancos comerciais, instituições financeiras e outros mais, muitos via pesados concursos, oferecendo invejáveis salários, inexistentes no mercado de engenheiros recém-formados, ainda que brilhantes e criativos.

Semelhante vultoso desperdício de cérebros e de recursos públicos, diretos e indiretos, é incompreensível para qualquer nação que tenha compromissos para com o seu povo, com muito mais razão, para uma grande nação emergente, em busca do importantíssimo desenvolvimento tecnológico, científico e industrial. Na China, semelhante irresponsabilidade por certo faria cabeças rolarem, de outro modo não teria se tornado uma grande potência, tecnológica, científica, econômica e militar, em curto espaço de tempo.  

 

Visando o necessário aproveitamento desses destacados cérebros, o governo poderia criar os necessários meios, para a localização, captação e seleção desse pessoal, objetivando o direcionamento desses engenheiros recém saídos das universidades, para os centros de excelências, em pesquisas científicas, desenvolvimento tecnológico, academias e indústrias brasileiras de alta tecnologia.

Uma das maneiras óbvias de fazer isso, em parceria com o empregador, num curto espaço de tempo, seria disponibilizar a devida complementação salarial, motivando-os a não se desviarem de seus objetivos e finalidades primordiais a que foram preparados, em anos de pesados estudos e muita dedicação, além dos grandes recursos públicos envolvidos na formação desse pessoal, que não pode continuar sendo descartado, de modo tão inconsequente. 

 

Estruturar eficientes critérios de identificação e seleção desse pessoal, visando a devida complementação salarial na locação dessa turma em importantes segmentos científicos, tecnológicos e industrias brasileiras de ponta, em parceria com o empregador, não pode ser complicado, até mesmo, do ponto de vista jurídico trabalhista. Complicado e dispendioso, é nada fazer para conter essa grande evasão de brilhantes cérebros para outras áreas, nada a ver, trazendo pesados prejuízos ao Brasil.

Inicialmente, selecionar os primeiros 50 mais brilhantes e/ou criativos engenheiros recém-formados, já seria um bom começo. O custo dessa complementação salarial para essa turma especial, ainda que fosse por 5 anos, renováveis de acordo com os resultados, é muito pouco dinheiro, se comparado com os grandes benefícios que por certo virão, no desenvolvimento tecnológico, científico e industrial de nosso Brasil.

 

 

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