Desemprego e sonegação são os maiores adversários da Previdência Social

Charge do Brum (rabiscosdobrum.zip.net)

Pedro do Coutto

Através do INSS, a Previdência Social arrecada sobre o quê? Sobre a folha de salários, claro. Portanto, se esta diminui com o desemprego, este fator torna-se essencial. Vejam só: o número de desempregados atinge mais de 12 milhões de homens e mulheres. Como o salário médio brasileiro, muito baixo, está em torno de 2 mil reais por mês, verifica-se que a perda dos postos de trabalho acarreta uma redução mensal da ordem de 22 bilhões. Por ano são aproximadamente 270 bilhões de reais, a média multiplicada por treze. A contribuição-teto dos empregados é de 11 por cento sobre 5,1 mil reais. A do empregador, de 20 por cento sem limite. Portanto, com o desemprego, as perdas do INSS passam de 52 bilhões por ano, só de parte das empresas.

Isso de um lado. De outro, a soma das sonegações através do tempo alcançam a soma fantástica de 1 trilhão e 800 bilhões. Equivale a 60 por cento do orçamento geral da União para 2016. Incrível.

Reportagem de Sílvia Amorim e Júnia Gama, O Globo, edição de ontem, terça-feira, focaliza o tema da reforma previdenciária, que o presidente Michel Temer agora deseja adiar. O PSDB, quase na oposição, falta pouco para cruzar a fronteira do Palácio do Planalto, é contra o adiamento. Insiste nos cortes projetados para as aposentadorias.

INSENSÍVEIS – Os trabalhos em que se baseiam os tucanos são, creio eu, os produzidos por jovens economistas formados no exterior, de sólido conhecimento teórico, mas de reduzida sensibilidade social e falta de noção política. Não levam em conta, por exemplo, os efeitos eleitorais e no abalo da aprovação do governo pela opinião pública. Esquecem que todo projeto econômico possui a sua face social e repousam em contextos inevitavelmente políticos.

O panorama político brasileiro tem que ser levado em consideração. Não pode ser tratado como se fosse um bloco de gelo. Esta é a questão. Que envolve sonegação, especialmente a que marca o sistema rural de contratação de mão de obra. Empresários que atuam no plano do agronegócio possuem critérios próprios nessa questão. Por isso, as dívidas teóricas se acumulam. Por que se acumulam? Pelo simples fato de terem solução na prática, como todos sabem.

SILÊNCIO DURADOURO – Todos sabem, mas alguns especialistas fazem questão de não confirmar, pelo silêncio que atravessa as décadas brasileiras. Enquanto o desemprego não recuar para níveis aceitáveis e enquanto a sonegação persistir, não haverá solução concreta para o desafio previdenciário. Não adianta esperar o contrário, tampouco buscar solução numa difícil emenda constitucional que dificulte a viagem para o direito social da aposentadoria.

É preciso não confundir as coisas, e sim, esclarecê-las, como costumam fazer os companheiros deste site, Flávio José Bortolotto e Wagner Pires. Vejam só a confusão que se criou, novamente entre o PSDB e o governo em face do reajuste (não aumento) dos ministros do Supremo.

Elevar sua remuneração de 33 mil para 39 mil reais por mês é tão somente corrigir os vencimentos no período de 18 meses, data da última correção salarial. Trata-se de norma, isso sim, que deveria ser adotada para todos os vencimentos.

Pois se eles perderem para a inflação do IBGE, na verdade estarão sendo diminuídos. O que a Constituição veda. Mas só no papel, como tantas outras coisas no país.

8 thoughts on “Desemprego e sonegação são os maiores adversários da Previdência Social

  1. Caro Pedro do Couto, o senador do PT, Paulo Paim RS, escreveu no jornal O Globo, demonstrando que o INSS, que substituiu, os antigos Institutos, não é deficitário, o que acontece, é que o governo com sua hipocrisia e falácia, mistura “alhos com bugalhos”, afirmando que é “deficitário”.
    As contribuições do trabalhador e patrão, durante 35 anos, cobre uma aposentadoria e pensão digna, se gerida com honestidade.
    Os deputados e senadores, se aposentam com 08 anos, o que é uma imoralidade, cargo político não é emprego,se trabalhava, continue a contribuir na sua categoria funcional.
    Que Moral, tem o Legislativo, de sacrificar ainda mais o sacrificado trabalhador, que se angustia na sobrevivência, com salário Mínimo
    Miserável, tendo seus Direitos Básicos da Cidadania no Caos: saúde, educação, segurança, transporte, apesar de ser escorchado em impostos, para serem roubados; 6 meses anuais de salários.
    Em meus 87 anos, nunca vi tanta podridão nos 3 poderes, a Amoralidade está imperando, falta vergonha na cara, Rui Barbosa esta certo.

  2. Porque essa diferença tão grande entre o salário médio do trabalhador, r$ 2.000,00 e o dos ministros do Supremo, r$ 33.000,00? O pior é que essa correção atingirá todo o judiciário e nunca chegará ao Zé Povim. Isto não é uma tremenda injustiça?

  3. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO analisa o efeito do Desemprego( de mais de 12 milhões ), e da Sonegação e perda por Falências, de Contribuição INSS, (Dívida acumulada que hoje já soma R$ 1.800 Bi), nas combalidas Contas da Previdência Social.
    Como nos diz o Colega Sr. THÉO FERNANDES acima, o setor de Previdência Social Urbano ( INSS) é Superavitário, mas o Setor Rural, e principalmente do Funcionalismo Público, são altamente Deficitários. Requerem cuidado.
    Quanto aos altos Salários de certas Categorias de Funcionários Públicos, TODOS devem ter no mínimo REPOSIÇÃO ANUAL (correção pela Inflação IPCA-IBGE), mas deveria ser criada nova Alíquota de IRPF ( Imposto de Renda Pessoa Física) para baixá-los a Valores Razoáveis.
    Realmente é necessário reduzir o Desemprego e cobrar o que for possível da Dívida de INSS.
    A Dívida do INSS, o Governo tem que fazer o que puder e vender com Deságio o resto. É a melhor solução.
    Para reduzir rapidamente o Desemprego, o Governo TEMER, além de outras coisas, deveria implementar um grande Projeto de CASAS/APS Populares ( tipo Minha Casa minha Vida) financiadas com Notas de Crédito do Banco Central . Para a Construção Civil, nossa maior Indústria, não precisamos de importar NADA. Temos Mão de Obra e Materiais em DISPONIBILIDADE ( Capacidade Ociosa), só falta CRÉDITO para colocar essa poderosa máquina em movimento. Esse CRÉDITO pode ser fornecido via “Notas de Crédito do BC”, repassados às Prefeituras/Empresas que apresentem Projetos, Notas essas que funcionariam como Moeda e que seriam trocadas por REAIS no fim do ciclo, no BC.
    Enquanto não houver PLENO EMPREGO, e houver CAPACIDADE OCIOSA nas Empresas fornecedoras de Materiais de Construção, enquanto tudo for CONTROLADO e FISCALIZADO pelo BC, para que não se troque “Notas de Crédito do BC” por US$ Dollares, etc, não produziria INFLAÇÃO.
    Solução Técnica, tem, basta querer POLÍTICO.

    • A relação acima deve ser da privada com cerca de 24 milhões de aposentados e pensionistas,…. em 2013 o “déficit” per capita, se houve, foi de aproximadamente R$ 2.000,00 e da pública com 1 milhão de privilegiados, R$ 62.000,00, então continuemos a engolir sapos.
      Onde se encaixam os benefícios nem público nem privado?

  4. Prezado Pedro do Couto
    Bom dia,
    Fico pensando, porquê não fazem a auditoria da previdência social, porquê relutam em mostrar a realidade, sempre é a mesma ladainha, há rombo, déficit, mas quantas vezes ouvimos que há superávit e não déficit, passa governo, entra governo e não mostram esta realidade, o trabalhador brasileiro, seja de que classe social, precisam saber a verdade.

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