Desemprego e violência, dois fatos encadeados

Charge do Sinovaldo, reproduzida do Jornal NH

Carlos Chagas

No interior, na periferia e no centro das cidades, a violência multiplica-se em progressão geométrica. Os meios para combatê-la sequer crescem em progressão aritmética. Importa menos se as polícias estão desaparelhadas ou se o desemprego crescente aumentou o número de marginais. A verdade é que o cidadão comum asila-se cada vez mais na própria casa. Quando dispõe de uma casa, é claro.

Dos 12 milhões de desempregados que as estatísticas indicam, mas na verdade atingem o dobro, quantos podem manter o sentimento de que vão mudar de vida? Esse é o principal obstáculo para o país recuperar-se. A esperança parece cada vez mais remota.

Por conta disso, a violência progride. Prevendo que permanecerá sem trabalho, pressionado pelas necessidades primárias da família, indignado em apelar para a caridade pública, quantos resistem em tomar pela força o que lhes é negado pela falta de trabalho? Trata-se de um estímulo, além de parecer mais cômodo, exigindo menos esforço apesar de maior risco.

Entra em campo o sistema de contrapesos. As autoridades encarregadas de manter a ordem sentem-se diminuídas e impotentes. Também apelam para a violência.

O resultado é o aumento da insegurança. Com a multiplicação dos assaltos, roubos, sequestros, estupros e assassinatos, chega-se ao crime organizado. Bandos transformam-se em quadrilhas. Do outro lado, a reação é atirar primeiro para perguntar depois.

Acresce que a moda pega. Violência chama violência. Tudo em função do desemprego crescente, causa primeira da situação em que vivemos.

5 thoughts on “Desemprego e violência, dois fatos encadeados

  1. Ando no coração da periferia de SP e RJ. Afirmo que a violência nunca baixou e sim foi maquiado a forma de demonstrar os casos diários da violência. Poderia relatar nomes, mas vou resguardar a vida nesse momento.

  2. Ora, será que o desemprego aumenta no Brasil desde 1980?

    TAXA HOMICÍDIOS NO BRASIL

    -1980: 12 por 100.000 habitantes.
    -2013: 27 por 100.000 habitantes (já está em 29,9).

    Fonte: FBI/SUS/Mapa da Violência.

  3. Nem uma coisa nem outra.
    A ignorância venceu o cabo de guerra no RS, alias, no país todo. Estava tudo preparado, próximo da Argentina, Paraguai, Uruguai mas querer tudo fica difícil os demagogos turrões não abriram mão nem diminuíram os tributos indiretos para praticarem suas bondades e os trabalhadores perderam a criação de milhares de empregos na fábrica da Ford que foi fazer a fiesta na Bahia e para isso precisou também de vários fornecedoras.

  4. Elementar, pessoal. Se não tem emprego, o ócio se estabelece e, junto, tudo quanto é de pensamentos negativos que resvalam para a prática de delitos que, ao longo do tempo se espalham e consolidam a violência. Pouco adianta botar policial na rua. Tem que arranjar trabalho para o povo. Quanto aos que já estão no crime, prisão com trabalho, mesmo que seja forçado. A população não pode e nem deve sustentar bandido.

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