Desiludidos com os candidatos, os americanos não veem a hora de a eleição acabar

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Os dois são criticados por 63% dos eleitores

Joana Suarez
O Tempo

“Louco”, “estúpido”, “ridículo” foram algumas das palavras usadas por taxistas e moradores de Washington, capital dos Estados Unidos, para descrever o candidato republicano Donald Trump. Nos últimos dias da corrida eleitoral para a Presidência do país, o clima entre os norte-americanos é de cansaço, muitos não veem a hora de a eleição chegar ao fim. Foram quase dois anos de campanha, em uma disputa que envolveu denúncias, escândalos, polêmicas e sensacionalismo.

É um momento histórico pela importância para o mundo da escolha do presidente dos EUA, mas este ano tem sido especialmente inédito pela presença de um candidato excêntrico – fator chamado de “fenômeno Trump” –, um empresário que gosta de “dar trabalho” a sua equipe de campanha, falando opiniões absurdas em megafones ou postando-as no Twitter às 3h, como contam os jornalistas locais. “Não temos como tomar o celular de um homem adulto”, teria dito uma das assessoras.

PEDINDO DESCULPAS – A primeira coisa que cada morador da cidade cenário do famoso seriado “House of Cards” fala quando encontra um estrangeiro – no caso, nós, jornalistas brasileiros convidados para a cobertura das eleições – é: “Me desculpem por essa situação (o nível dos candidatos)”, ou “não fazemos ideia do que está para acontecer”.

Diante de escândalos consecutivos, “as pesquisas eleitorais divulgadas em uma semana já estão velhas na seguinte”, disse um dos diretores da Pew Research Center, um dos maiores institutos de pesquisas de Washington. Uma semana antes da votação, muitos eleitores ainda não sabem quem escolher.

Neste ano, mais pessoas devem comparecer às urnas, não porque gostam dos candidatos dos partidos Republicano e Democrata (os dois principais entre os seis na corrida), mas porque os odeiam. Aproximadamente 30% dos cidadãos responderam ao Pew Research que votam em Hillary Clinton “porque ela não é o Trump”. Conforme o instituto, 63% das pessoas não estão satisfeitas com os candidatos.

MUITOS JÁ VOTARAM – A votação será no dia 8, mas cerca de 22 milhões dos 245 milhões potenciais eleitores já votaram – isso é permitido aqui, e o voto não é obrigatório. Essa é só uma das diferenças entre o sistema eleitoral dos EUA e do Brasil – as quais demandam algum tempo para entender, inclusive muitos norte-americanos nem conseguem explicar.

Mas na política há muitas semelhanças, sendo a principal delas a polarização. Os democratas, que estariam à esquerda, representados pela cor azul, são criticados por não estarem atendendo suficientemente os anseios de seus apoiadores. A direita, dos republicanos, de cor vermelha, é tradicionalmente mais conservadora, religiosa e estreita à Constituição, características que faltam a Trump, resultando numa divisão dentro do partido.

Há uma certeza entre os jornalistas norte-americanos e envolvidos com a política: as polêmicas não se encerrarão com o fim da campanha de 2016, pois quem ganhar terá que se entender com os adversários, e o perdedor provavelmente buscará o impeachment. Os brasileiros conhecem bem esse roteiro.

EMPATE TÉCNICO – A diferença entre os candidatos diminuiu. Uma pesquisa da ABC News/Washington Post divulgada no domingo mostra Hillary com 46%, contra 45% das intenções a Trump.

Na reta final, investigadores da Polícia Federal conseguiram um mandado para examinar os e-mails recém-descobertos relacionados ao servidor privado de Hillary Clinton, o que pode abalar a campanha. Líderes democratas reagiram com fortes declarações contra o diretor do FBI, acusando-o de supostamente tentar influenciar a eleição presidencial.

O mandado autoriza o FBI a ver se as correspondências são relevantes para a investigação sobre o servidor privado de e-mails usado para trabalhos governamentais por Hillary, quando era secretária de Estado de 2009 a 2013.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGComo se vê, o baixo nível político é fenômeno universal. E o empate técnico torna eletrizante o final da eleição entre dois candidatos patéticos. (C.N.)

13 thoughts on “Desiludidos com os candidatos, os americanos não veem a hora de a eleição acabar

  1. Apostaria mais na alta dos juros americanos do que na Hilary.

    Em breve faltará dinheiro no mundo. Bancos Centrais não dão conta de um mundo financeiramente inchado e economicamente estagnado.

  2. Lá como cá, não sei se um acusou o outro de ladrão corrupto, mas aqui nas Terras Brasilis é um espétáculo á parte.
    Nas eleições para Prefeito de Belo Horizonte foi um Show.
    O candidato do Galo disse que era Ladrão, mas não pedia propinas em Furnas como seu também goleiro do Galo e pertecente a Quadrilha do Efeagacê, joão leite., Mamador nas Tetas de Furnas assim como seus padrinhos Políticos………
    Um Show dos Horrores, nem Hollywood faria melhor….

  3. “Vantagem Pessoal” (O Antagonista)

    Brasil 02.11.16 10:12
    O Judiciário vai quebrar o Brasil.

    Um amigo de O Antagonista enviou um exemplo de como isso ocorre.

    Dois dias atrás, uma recepcionista de um tribunal da Bahia, que tinha um salário de 5 mil reais, ganhou uma aposentadoria de 27,8 mil reais

  4. Impressionante que mesmo com um rival tão negativamente retratado na mídia, Hillary Clinton não consegue ir muito bem nas pesquisas, tanta é a rejeição contra ela.
    A desilusão com a politica nos Estados Unidos é geral, e Trump só se tornou candidato republicano porque as massas não engoliam os candidatos ditos ‘sérios’ como Jeb Bush, Marco Rubio ou John Kasich.
    Talvez Trump seja a ascensão da política dos novos tempos, adaptada nova mídia: a política das celebridades vazias, do espalhafato, que não tem conteúdo mas gera muito assunto nas redes sociais. Mesmo assim, pode-se dizer que Trump contribuiu para dar alguma vida a campanha eleitoral que já era terrível sem ele e poderia ser muito pior: uma disputa eleitoral e Hillary Clinton e Jeb Bush, o favorito da grande mídia, o irmão ‘competetente’ e ‘bem-intencionado’ do pior presidente da história americana, seria algo tão insuportável e chato que só animaria a imprensa que ficaria encantada por uma ‘grande disputa’ entre dois clãs campeões de truques sujos e cheios de ‘virtudes’ falsas como uma nota de três dólares. No fim, a eleição seria imprevisível, já que nenhum dos dois candidatos seria capaz de mobilizar eleitores. Quem iria votar, perdendo um dia de trabalho (dia de eleição não é feriado nos EUA) por um terceiro Bush, ou votar em Hillary Clinton só por ela não ser uma Bush?

  5. Esse coisa ruim sempre viveu de dar cano nos outros, até aqui no Brasil..

    Procurador da capital federal, Anselmo Lopes abriu investigação sobre investimentos feitos pelos fundos de pensão do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e pelo fundo dos funcionários do Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Tocantins (Igeprev) em um hotel de luxo do Rio de Janeiro que é parte da franquia Trump; investimento de R$ 130 milhões na incorporadora do hotel “exige investigação” uma vez que “é necessário verificar se o favoritismo demonstrado pelos fundos de pensão pela LSH Barra Empreendimentos Imobiliários e pela Trump Organization se deveu a pagamentos ilícitos e propinas”, disse o procurador.

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