Desmatamento e assoreamento, causas da destruição no Norte e Noroeste do Rio de Janeiro

Paulo Peres

Os desastres ambientais ocorridos em afluentes do Rio Muriaé nos anos 2003 e 2007, provocados por indústrias que atuam nas regiões Norte e Noroeste Fluminense, com despejo de pelo menos 400 mil litros de resíduos nos rios, contribuíram significativamente para a enchente e a destruição das duas regiões depois que as chuvas de Minas Gerais provocaram a cheia de rios já assoreados pelos resíduos que vazaram, explica o professor Gilberto Pessanha, engenheiro e geógrafo da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que, “aponta ainda o desmatamento provocado por agricultores naquela região como a mais importante causa do caos vivido hoje pelos habitantes”.

De acordo com o professor Gilberto Pessanha, desde 2003 o rio Muriaé vive um processo de assoreamento que não pôde ser freado pelas prefeituras por falta de recursos, impedindo, assim, que os rios fossem dragados e que as enchentes fossem evitadas.

“Em 2003 e 2007 tivemos grandes vazamentos que assorearam os rios Pomba e Muriaé. Com as chuvas de Minas Gerais neste ano, os rios – sobretudo o Muriaé – transbordaram muito rapidamente, porque já estavam com grande quantidade de sedimentos. Assim, com a capacidade reduzida, não deram vazão às águas que chegavam de Minas Gerais e o resultado foi a cheia, alagamentos e destruição das cidades do Norte e Noroeste Fluminense”.

Segundo o professor, que monitora a região desde 2003, só foram feitas obras emergenciais superficiais. O dique da BR 356 (Itaperuna – Campos), por exemplo, teria sido mal construído, com ausência de impermeabilização do solo para que a construção suportasse a água das chuvas. O que se viu, portanto, foi a completa destruição do dique na última quinta-feira.

“O solo não foi compactado o suficiente. Então, não dá nem para chamar de dique, porque para ser um dique tem que se garantir a impermeabilização do solo. As obras no Rio de Janeiro devem ser feitas com mais seriedade. Não dá para dizer que custa caro construir um dique de boa qualidade, já que em áreas planas (como é o caso de Campos) é mais barato do que em terrenos acidentados”.

Para Carlos Augusto Figueiredo, professor do Instituto de Ciências Ambientais e de Biologia da UniRio, a prioridade dos governos federal e estadual nas duas regiões mais afetadas deve ser a revegetação de algumas áreas destinadas à agricultura, que avança principalmente com o plantio de hortifrutigrangeiros e cana de açúcar.

“Há um grande desrespeito ao Código Florestal, que determina que as propriedades rurais mantenham 20% da vegetação nativa intacta. Com o desrespeito à lei, quando chove a água incide diretamente no solo, provoca uma grave erosão e os sedimentos do solo vão para a calha dos rios. Assoreados, os rios enchem rapidamente e as enchentes são ineitáveis”.

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