Desperta, tu que dormes: Por enquanto, não há margem de manobra para Temer

Charge do Nani (nanihumor.com)

Roberto Nascimento

Gostaria imensamente que o governo interino do vice-presidente desse certo e acho que não há alternativa, se pensarmos nos destinos da nação e de seu povo. No entanto, claro está que o vice se encontra refém da Câmara e principalmente do Senado, que tem a responsabilidade de referendar ou não o impeachment de Dilma.

Diante dessa realidade, a nomeação dos ministros por Temer seguiu o critério do fortalecimento da base aliada, privilegiando o chamado Centrão e o PMDB. São hilárias e surpreendentes algumas dessas nomeações, que de tão ridículas, a simples menção delas já causa espanto e tristeza.

Temer dorme o sono profundo dos deuses do Olimpo, deixando seus carros-chefes no front interno (Meirelles) e externo (Serra) comandarem a seu bel prazer os destinos da nação.

MEIRELLES E SERRA – Não é o presidente quem define as políticas nacionais, mas esses dois senhores vaidosos. Há se tivessem lido o filósofo Sócrates, que mesmo sabendo muito dizia “só sei que nada sei”… Serra e Meirelles acham que sabem de tudo.

Os dois são economistas. Portanto, em algum momento aflorará a divergência. É esperar para ver. Lembro da situação dos ministros Mário Henrique Simonsen e Delfim Netto, ambos economistas e partícipes do mesmo governo militar. Pois bem, Simonsen acabou saído e entrou exatamente seu competidor Delfim Netto.

Tocando o governo administrativamente está o gaúcho Eliseu Padilha. Todos sabem que os últimos ocupantes desse importantíssimo cargo acabaram em situação complicada: Dirceu, Dilma, Erenice, Mercadante e Jaques Wagner. A Casa Civil já pode ser considerada uma maldição.

NITROGLICERINA PURA – As privatizações, que Dilma cismou em chamar de concessões, Temer deixou nas mãos de Moreira Franco. Sinceramente, tudo isso é nitroglicerina pura. Veremos mais adiante.

A função de quem escreve é ir na raiz dos acontecimentos e mostrar a visão particular do articulista, que não tem a pretensão de abraçar a verdade absoluta dos fatos presentes e suas consequências futuras. Para ajudar o governante e tentar esclarecer o que está obscuro é que fazemos a crítica. Escrever a favor, de quem quer que seja, em nada contribui para o conhecimento, ou seja, não serve para nada, tratando-se de pura perda de tempo.

6 thoughts on “Desperta, tu que dormes: Por enquanto, não há margem de manobra para Temer

  1. Não entendi a relação do título com o texto. Todos sabemos que enquanto o impeachment não for confirmado que o Temer não vai governar (isto é o título) e que os ministros foram mal escolhidos (isto é o texto). mas, o Roberto Nascimento mais parece um jornalista marrom daqueles que apoiam a Dilma incondicionalmente.

    • Caro Paulo 2

      Despertar para mudar e melhorar nas escolhas dos auxiliares. Não se pode dormir quando se trata dos destinos da nação. O fardo presidencial é muito pesado, tanto é, que os presidentes envelhecem no PODER. O poder é afrodisíaco, mas, também desgasta o ocupante desse cargo. Observe bem a face dos ex-presidentes e verá a ação do envelhecimento bem marcada. É o ônus que vem depois do bônus.

      Todos sabemos… Não concordo que Temer irá governar apenas após a confirmação do impeachment. Temer já está governando a todo vapor desde o primeiro dia e isso está absolutamente certo. O país não pode parar um dia sequer.

      Para finalizar Paulo2, não sou jornalista marrom, nem de qualquer cor do arco-íris. Não apoio nem Dilma, nem Temer como não apoiei Lula e FHC. Sou a favor do Brasil, do engrandecimento da pátria para que o povo possa trabalhar e viver com mais dignidade. Somente isso.

  2. Excelente Artigo do Sr. ROBERTO NASCIMENTO. E dessa “sinuca de bico” só sairemos com uma REVISÃO CONSTITUCIONAL.
    Depois que a LAVA JATO acabar, porque um dia terá que acabar, teremos sem dúvida a necessária REVISÃO CONSTITUCIONAL para melhorar nosso DESORGANIZADO e Caríssimo SISTEMA POLÍTICO.
    Na Linha de severa Cláusula de Barreira deixando no Congresso só 5 Partidos, proibição de re-Eleição no Executivo com Mandatos de 5 anos, Voto Facultativo, Urnas Eletrônicas com impressora para conferência, Voto Facultativo, Possibilidade cumprindo a Lei de CANDIDATOS INDEPENDENTES, possibilidade de recall de maus Eleitos, etc,etc.

    • Caríssimo Flávio Bortolotto. Obrigado pelas palavras incentivadoras.
      No que concerne a sua ideia de Revisão Constitucional com o Congresso demasiadamente CONSERVADOR, talvez o mais ineficiente e retrógado da história republicana revisar a Carta Constitucional me parece uma temeridade.

      Há um instrumento mais adequado para esse fim específico da Reforma Política, qual seja, um Projeto de Lei enviado pelo governo ao Congresso. só para tratar desse tema crucial para o país. Uma das medidas mais importantes seria a cláusula de barreira destinada a reduzir o número de Partidos, que hoje chega ao patamar de 35 Partidos Políticos, uma vergonha sem tamanho. Todos recebem verbas públicas e tempo de TV tudo custeado pelo contribuinte. Uma carga verdadeiramente pesada e sem sentido. Alguns são criados apenas para servir de balcão de negócios, nada mais.

      Uma Revisão Constitucional só é cabível a meu juízo, na ocorrência de uma ruptura institucional. Aí, caro Bortolotto o mais viável seria uma Assembleia Nacional Constituinte.

      Para jogar mais lenha na fogueira do assunto, entendo que o nosso maior problema não são as LEIS, que temos em demasia, mas sim o fiel cumprimento dos mandamentos constitucionais e das leis federais, estaduais e municipais. É preciso ensinar os jovens o cumprimento das leis desde a tenra idade. A nossa cultura é burlar a LEI em todos os sentidos, na fila do banco, no trânsito, na corrupção do guarda, enfim a cultura do querer se dar bem, sem ver a quem.

      Que fazer?

  3. Concordo plenamente com o meu mestre Bortolotto quanto ao artigo excelente de Roberto Nascimento!

    Da mesma forma comungo da reforma politica, urgente e necessária, com cinco partidos, eliminação da reeleição, cinco anos para cada legislatura, de vereador à presidência da República, obviamente para senadores também, DIMINUIÇÃO DO LEGISLATIVO PELA METADE, pois há muitos parlamentares e concernentes despesas para muito pouco trabalho e crises e caos permanentes por suas culpas, Câmaras, Assembleias e Congresso Nacional, extinção das indenizações pessoais, e diminuição dos salários, da mesma forma que acabam as passagens de avião custeadas pelo contribuinte, número de assessores fixados em cinco, e teto salarial correspondente a um terço do deputado ou senador.

    Salário em R$ 20,000,00 , estaduais em 60% e municipais de capitais em 60% dos estaduais, e municípios conforme população e plebiscito pelo povo quanto aos proventos de seus vereadores.

    Nessas alturas, como seria IMPOSSÍVEL que o Congresso concordasse com essas propostas, a solução seria fechá-lo, imprimir tais reformas e eleições gerais!

    Ou assim ou, então, passaremos várias reencarnações comentando sobre a situação brasileira, e sempre no mesmo patamar!

    • As medidas propostas por você Bendl são corretas, necessárias e moralizadoras.

      O ponto principal da Reforma consiste em reduzir o custo do Legislativo para então minimizar o déficit fiscal provocado pela classe política. É o que depreendo de suas propostas. Entretanto, nossos parlamentares agem como o avestruz, que enterra a cabeça na terra, ao menor sinal de perigo.

      Os parlamentares só querem cortar na carne do povo, do contribuinte brasileiro, logo jamais em tempo algum aceitarão a redução de qualquer privilégio. Suas excelências votarão nas Reformas Trabalhistas e da Previdência, mas, como não adiantará muita coisa virão aumento de impostos generalizados e a volta da CPMF.

      Se ainda assim, o déficit fiscal superfaturado propalado por Meirelles não for reduzido como querem os economistas, muitas maldades serão planejadas.

      Será isso que os defensores do atual governo querem para suas vidas?

      Bem, creio que o PMDB não detém os fundamentos políticos e econômicos para mudar o quadro atual, até porque acompanham o PT desde a eleição de Lula em 2002, como o fiel da balança no Congresso. Traduzindo: O PMDB deu a governabilidade ao PT por longos 14 anos e só agora no início de 2016 tirou o corpo fora para assumir a cabeça de chapa.

      A história irá julgar todos os personagens dessa ópera dantesca. Creio que poucos sairão bem na foto. É o que penso.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *