Despesa com servidores sobe para R$ 928 bi e atinge maior patamar da história

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Charge do Dum (Arquivo Google)

Gustavo Patu
Folha

A despeito da crise orçamentária que se abateu sobre todas as instâncias de governo, as despesas com servidores públicos permaneceram em alta nos últimos anos de recessão aguda seguida de semiestagnação da economia. De acordo com dados apurados pelo Tesouro Nacional, os gastos com os funcionários ativos de União, estados e municípios aumentaram do equivalente a 12,3% do PIB (Produto Interno Bruto), em 2014, para 13,6%, ou R$ 927,8 bilhões, no ano passado.

O patamar é o maior já medido pelas estatísticas disponíveis —e é semelhante ao dos desembolsos nacionais com a Previdência, que incluem aposentadorias dos servidores.

IMPRECISÃO – Os números estão sujeitos a alguma imprecisão, principalmente devido à dificuldade de coletar informações completas e padronizadas dos 5.570 municípios do país.

Além disso, parte da expansão dos percentuais está associada à queda do PIB em 2015 e 2016. Mas a tendência de alta persistiu nos anos seguintes.

As estimativas mais recentes, do primeiro trimestre deste ano, também indicam elevação em taxa superior à do PIB. Isso significa, na prática, que o funcionalismo, graças a suas garantias de estabilidade no emprego e ao poder político de obter reajustes salariais, conseguiu elevar sua participação na renda nacional.

ANOMALIA – Embora o ritmo desse crescimento não seja tão acelerado quanto o dos encargos previdenciários, o montante da despesa com salários e outros benefícios do setor público brasileiro já se mostra uma anomalia em termos internacionais.

Não por acaso, planos para uma reforma administrativa estão em estudo desde o governo Michel Temer (MDB). De mais concreto, a atual equipe econômica indicou apenas que pretende reduzir ou mesmo suspender contratações.

Nas estatísticas do FMI (Fundo Monetário Internacional), atualizadas até 2016, dificilmente se encontram países que destinem mais de 13% do PIB ao pessoal ativo. No G20, que reúne as principais economias do mundo, apenas a África do Sul, com 14,2%, aparece à frente do Brasil. Mesmo na França, de longa tradição de Estado forte, a proporção fica nos 12,3%.

MENOS SERVIDORES – Entre ricos, como EUA, Japão e Alemanha, e emergentes, como México e Chile, são comuns cifras entre 5% e 10%. Para alguns casos, como Argentina e China, não existem informações oficiais.

“Como percentual do PIB, a folha de pagamento brasileira é mais alta que a de qualquer média regional de países”, afirma documento do Banco Mundial sobre as finanças públicas do país.

Ao que tudo indica, o que leva essa despesa a níveis tão atípicos no Brasil não é o número de servidores —e sim suas elevadas médias salariais quando comparadas às da iniciativa privada. Na administração federal, nos governos estaduais e nas prefeituras contam-se cerca de 11,5 milhões de empregados, dos quais 7,9 milhões são estatutários (com estabilidade funcional) e militares.

CRESCIMENTO – Esse contingente apresentou crescimento nas últimas duas décadas, de maneira particularmente acentuada nos municípios, cujos contratados saltaram de 2,4 milhões, em 1995, para 6,6 milhões em 2016, segundo publicação do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

Trata-se, nesse caso, de um reflexo da ampliação de serviços públicos para a população como educação, saúde, segurança e urbanismo. Já nos estados, a tendência de alta foi interrompida em 2010.

No governo federal se nota maior influência de orientações ideológicas e programáticas na gestão de pessoal.

VAIVÉM – O quadro encolheu durante o governo do tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), mas o processo de enxugamento foi revertido com sobras nas administrações petistas (2003-2016).

Ainda assim, o número de servidores corresponde a algo em torno de 5,5% da população do país, acima da média da América Latina (4,4%), mas bem abaixo do verificado em nações mais desenvolvidas, onde se chega perto dos 10%.

Em poucos lugares do planeta, entretanto, é tão evidente a vantagem salarial do funcionalismo sobre os trabalhadores da iniciativa privada. Assim o demonstram diferentes levantamentos estatísticos.

DIFERENÇA – Em um cálculo do Banco Mundial, a diferença de remuneração entre os dois setores no Brasil chega a 67%, a maior num grupo de 53 países pesquisados pelo organismo.

Embora as comparações diretas sejam difíceis, dadas as peculiaridades das carreiras estatais, a instituição encontrou discrepâncias de mais de 200% nos salários iniciais de profissionais de formação semelhante, considerando valores pagos pela União.

Em valores de 2016, o salário esperado no setor privado de um advogado sênior, com oito anos ou mais de experiência, era de R$ 7.100. Já na Advocacia-Geral da União pagavam-se mais de R$ 18 mil mensais.

VAI AUMENTANDO – Trabalhando com dados da Rais, cadastro que contempla apenas o emprego formal, a pesquisadora Thaís Barcellos, da consultoria IDados, apurou que a diferença entre um setor e outro cresceu ao longo do decênio 2007-2017.

Na média geral, ela saltou de 72,6% para 84,4% no período. A vantagem aumentou entre os trabalhadores de maior escolaridade (nível médio e superior), tendo caído entre os de nível fundamental.

Na pesquisa de emprego do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o rendimento médio mensal dos servidores estatutários e militares é de R$ 4.235, quase 95% superior aos dos celetistas (R$ 2.175) e o triplo do recebido pelos assalariados sem carteira (R$ 1.390).

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
São dois lados da questão – 1) servidores demais; 2) salários mais altos do que a iniciativa privada. Temos falado nisso aqui na TI, apontando que a culpa é da Justiça, que engordou os salários com penduricalhos “legais” e não vai diminuí-los, a pretexto de serem direito adquiridos. O governo – Paulo Guedes incluído – não está nem aí. A culpa era toda da Previdência. E a dívida pública, aliás, ninguém discute. É tabu. (C.N.)

18 thoughts on “Despesa com servidores sobe para R$ 928 bi e atinge maior patamar da história

  1. Bolsonaro foi eleito para excluir a quadrilha petista do governo, pois o Brasil vinha sendo dilapidado cruelmente pelo PT, cujos objetivos eram somente roubar, explorar e manipular o povo e País!

    Mesmo assim, esperava-se mais de Bolsonaro, principalmente sobre a dívida pública, e que trouxesse à tona as irregularidades que vinham sendo praticadas pelos governos que lhe antecederam, além de ser o presidente que verdadeiramente iria diminuir o desemprego, a inadimplência do povo, os juros extorsivos, e trazer de volta à administração pública a ética e a moralidade.

    Após sete meses de governo, o que se constata é que Bolsonaro é igual, rigorosamente igual aos seus antecessores:
    jamais atacou o desemprego;
    jamais abordou a dívida pública;
    jamais pensou em uma auditoria à Previdência;
    jamais quis mudar o sistema que nos esmaga diariamente;
    jamais teve como intenção atualizar a defasada Tabela de Restituição do IR;
    jamais se preocupou com a miséria e a pobreza no Brasil!

    Dito isso, o País seguirá a pleno vapor com as suas injustiças, segregações, preservação das discrepâncias salariais, as brutais diferenças de ganhos entre um parlamentar, inútil e corrupto, com os vencimentos dos professores e policiais, a segurança, educação e saúde “imexíveis”!

    Absolutamente inaceitável, nessas alturas, diante do quadro nacional caótico e irrecuperável, ganhos que ultrapassam o famigerado e enganador “teto salarial” no funcionalismo público!

    Logo, quem disser que não existem castas no Brasil, trata-se de um desinformado ou um indivíduo mal intencionado, haja vista as evidências flagrantes que comprovam, que atestam, suas existências e cada vez mais acentuadas.

    Decididamente, o mal deste país se chama governo, e em todas as áreas:
    prefeitos, governadores e presidente desta republiqueta!

    Solução?
    Não existem mais.
    O brasileiro regrediu de tal maneira que nos igualamos aos irracionais, pois sobrevive o mais forte ou quem pertencer aos Três Poderes ao Legislativo e Judiciário.

    E, Bolsonaro, fazendo das tripas coração para manter essas diferenças tão acentuadas quanto indignas e revoltantes contra o simples cidadão deste País!

    • E DAÍ, DONA REPÚBLICA, vc quer dançar comigo, que te prometo sete filhas maravilhosas, capazes de se sustentar às próprias custas, sob o som e o luar da RPL-PNBC-DD-ME, ou prefere continuar dançando com a velha turma do golpismo ditatorial, do partidarismo eleitoral, e dos seus tentáculos, velhaco$, sob a escuridão da plutocracia putrefata, que estão contigo só por interesse financeiro, mercenarismo ? https://www.youtube.com/watch?v=Q6ffd0UqT0Q

  2. A culpa e do FHC AGADA . Antes dele, todo servidor obedecia a um único plano de carreira: de nivel médio ia do nivel 1 a 33; de nível superior de 1 a 25. O fernando esculhambou tudo.

    A solução, creio eu, é tentar tornar esta Lei inconstitucional. (estou chutando. Não sei se é possivel)

    • Prezado Almir Bello,

      O gaúcho José Plácido de Castro nasceu em São Gabriel, RS, cidade conhecida como “Terra de Marechais”.

      Morreu em uma emboscada aos 34 anos de idade, e foi o sexto presidente da República do Acre!

      Plácido foi um político, militar idealista brasileiro, e líder da Revolução Acreana, além de ter lutado na Revolução Federalista, a mais cruel da América Latina, e conhecida como a “Guerra da Degola”.

      Pois é, Elmir, o problema é que o ideal foi substituído pela ideologia, desvirtuando objetivos e planejamentos que desenvolvessem o indivíduo e a sociedade em si.

      Não é por nada que citamos figuras do passado como idealistas, enquanto nos últimos anos existiram apenas interesses e conveniências políticas e partidárias.

      A título de eu fazer justiça, outro gaúcho poderia ser também definido como idealista, Leonel de Moura Brizola, com relação ao Ensino/Educação!

      No entanto, olha só o que o PT e demais partidos fizeram dos CIEPs:
      simplesmente os dissolveram e esqueceram da maior obra que tivemos para as crianças pobres e miseráveis!

      Agora, ninguém é capaz de me citar qualquer exemplo positivo ou obra realizada através das ideologias, ninguém!

      Logo, o idealismo precisava ser extinto, riscado do nosso dicionário, pois absorvia milhões de pessoas mediante exemplos e comportamentos dirigidos ao bem comum, ao progresso, ao bem-estar do cidadão!

      Portanto, meu caro amigo, Plácido e tantos outros nomes importantes da nossa História se tornaram lendas, a ponto que também não existem mais no meu RS outra pessoa que possa chegar pelo menos perto desta figura que mencionaste.

      Aliás, afirmo convictamente que no Brasil não temos mais um idealista no meio político, e até mesmo no aspecto empresarial, hoje sinônimo de exploradores ou especuladores, e não mais empreendedores!

      Com exceção, antes de eu cometer uma injustiça, o dono das Lojas Harvan, Luciano Hang, que abre uma filial por mês da sua empresa de departamentos, criando empregos diretos.

      Um abração.
      Excelente domingo.
      Saúde.

  3. E daí vem o C.N. e diz que o Bolsonaro tem que ouvir os militares que, na pessoa do General Heleno, representante dos mesmos, não quer saber de outra coisa senão apenas mais soldos, mais vantagens e mais privilégios, e daí a conta cada vez mais salgada para nós os otários contribuintes pagarmos. É bonito isso, Lilico. Fala sério Bussunda. Que país é este, Renato Russo ?

  4. Algumas sugestões maquiavélicas:

    1. Tres deputados no máximo representariam cada estado. Como consequência, haveria menos privilégios, mais eficiência e menos gastos.

    2. Extinguir o STF e ter as suas funções atuais exercidas pelo TSJ. Requisitos para os juizes do TSJ com nivel de STF: não ser beiçudo, nem babaca, nem lacaio do PT. Fica probido a esses juizes terem consortes com banca de advocacia para lavar dinheiro sujo.

  5. Vai ver a quantidade de servidores públicos nomeados (cargo em comissão ) lá “de paraiba” pra cima. E pra baixo também. Por isso a conta não fecha. Se metade desses soubesse ao menos ler… É a falcatrua generalizada graças ao PT. Por isso estão esperneando.

  6. Estado socialista (Getúlio 1935 – estado Novo) é assim mesmo: pega -se o dinheiro do povo através de impostos absurdos como o de 62% na gasolina (EUA é 7%) entre outros, inclusive em alimentos e remédios, e gasta – o todo com a burocracia criada para fazer o “bem” para o povo trabalhador.

    “Viva Getúlio, o pai dos pobres”

    Enquanto isso , nos países capitalistas como os EUA, que nem leis trabalhistas possui…..

    • Desmontar esse estado maligno (socialista) não vai ser fácil.
      Roberto campos lutou em vão para isso e agora temos o Paulo Guedes tentando.

      O problema é este tipo de estado é como a heroína ou o crack, vicia na primeira dose e, o nosso povo está gravemente viciado: com o cérebro destruído só ambiciona direitos e mais direitos e se esquece do principal, o direito ao emprego, que só se consegue com investimentos na produção, o que é muito difícil em países socialistas que tem muitos obstáculos “legais” e “morais” contra os investidores.

  7. Esse é o problema mais grave do Brasil:
    A luta entre ideologias, abandonando totalmente os ideais, o idealismo!

    Não é por nada que estamos neste caos econômico, político e social!

  8. Paulo Guedes não tem nenhum projeto para o nosso país. É pau mandado de banqueiros. Cadê a auditoria da dívida? O homem só fala em privatizar. Privatização sem auditoria é traição.

  9. O congresso faz a opção de beneficiar o serviço público e não cortar na própria carne. Governadores e Prefeitos querem ficar de fora da reforma. Todas as ações propostas pelo governo para moralizar, descentralizar, desburocratizar, simplificar e solidificar o sistema são rejeitadas pelo legislativo e judiciario e no fim BOLSONARO NADA FAZ, NÃO SE IMPORTA, NÃO TEM PROGRAMA DE GOVERNO, o que é uma mentira como a população já percebeu, etc.

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