Destruição sem retorno em vários setores

Rubens Ricupero
Folha

A degradação da Petrobras, da Eletrobras e do BNDES nada tem em comum com a “destruição criativa” de Schumpeter. É pura terra arrasada, demolição sem criação.

Custa a crer que um governo com pretensão de herdeiro de Getúlio se encarregue de dilapidar os três mais importantes legados institucionais do segundo governo Vargas.

A sanha exterminadora está longe de se deter nos três. Sofrem do mesmo efeito desagregador instituições como o Ipea, o Tesouro, até o IBGE, fundado no primeiro governo Vargas, afetado por escassez de recursos e divisões internas.

Problemas similares comprometem a Embrapa e a vigilância sanitária do Ministério da Agricultura, setores vitais para manter a vantagem comparativa brasileira na exportação.

FENÔMENO GENERALIZADO

A lista poderia ser ampliada com os Correios, entre outros, mas esses exemplos bastam para mostrar que o fenômeno é generalizado. As causas é que não são as mesmas. Onde existe muito dinheiro, na Petrobras ou no Ministério do Transporte, a fartura de queijo é que atrai os ratos.

Às vezes, o problema se origina no aparelhamento partidário, na incompetência de indicados políticos e na intromissão excessiva como nas agências reguladoras, que nem chegaram a se consolidar.

O Itamaraty é caso à parte. Sem projetos e obras tentadoras, sem verba para pagar luz e água de embaixadas prematuramente criadas, o velho ministério definha na austera, apagada e vil tristeza da desmoralização programada pelo governo.

Três flagelos o devastaram ao mesmo tempo. O primeiro foi a expansão megalomaníaca de embaixadas sem meios de utilizá-las de modo produtivo. Criamos anos seguidos cem vagas de diplomata como se as vacas gordas fossem durar para sempre. Não surpreende agora que mais de trezentos jovens diplomatas se revoltem frustrados ao descobrir a falta de perspectivas que os aguarda.

O segundo golpe desmoralizador provém de presidente sem apreço pela diplomacia e pelos diplomatas, aos quais não perde ocasião de demonstrar seu desdém. Nem na fase caótica da proclamação da República tivemos chefe de Estado que deixasse mais de 20 embaixadores estrangeiros esperando para apresentar credenciais como se fossem rebanho de gado.

Cerca de 230 acordos internacionais dormem na Casa Civil aguardando a providência burocrática de decreto de promulgação ou mensagem de envio ao Congresso. Foi preciso a grita dos empresários para promulgar os acordos comerciais com o Chile e a Bolívia.

SUBORDINAÇÃO AO PT

O erro original coube aos diplomatas da cúpula que decidiram pôr de lado o conselho de Rio Branco e promoveram a subordinação ao partido no poder de política externa que deveria estar a serviço da sociedade brasileira como um todo.

O Barão se recusou envolver nas paixões partidárias por saber que “seria discutido, atacado, diminuído […] e não teria a força […] que hoje tenho como ministro para dirigir as relações exteriores”.

Ao desprezar a lição, os dirigentes do Itamaraty perderam “o concurso das animações de todos meus concidadãos”. Perderam mais: a proteção e o respeito da sociedade, que os abandonou à sanha do partido que pretenderam servir.

(artigo enviado por Mário Assis)

 

 

12 thoughts on “Destruição sem retorno em vários setores

  1. A desorganização institucional alberga todos os setores econômico-administrativos.

    Creio até que o propósito petista seja este mesmo, o de instalar o caos orgânico, para da miscelânea criada justificar a substituição da nossa jovem democracia por seu projeto comunista.

    O Brasil nunca esteve tão mal representado em sua política externa.

    Ninguém merece essa gente nos governando, ninguém merece essa Chefe de Governo, essa Chefe de Estado.

  2. Confesso que NÃO terminei de ler.

    Uai, sr. Ricúpero, a gente não deve “esconder o que é ruim”?!
    Opa! Foi mal! Me esqueci de que DEPENDE do lado em que se está, não é verdade?
    Credibilidade se constrói, sr. Ricúpero, não se improvisa.
    Feliz o homem que não é honesto ” de ocasião”.

    Saudações,

    Carlos Cazé.

    • E depois os Cazés da vida não entendem porque a Dilma já perdeu esta eleição. São MAVs pagos com dinheiro público que passada a eleição estarão no olho-da-rua. E como são analfabetos-funcionais como o capo Lulla, vão ter que viver da bolsa-família.

  3. Para ver o tamanho da divida do BNDES com o Tesouro Nacional devemos ler:

    “Governo vai renegociar dívida de R$ 130 bilhões do BNDES, diz jornal”
    Do UOL, em São Paulo 14/10/201408h28

    “De acordo com o último dado disponível, a dívida do BNDES com o Tesouro somava R$ 451,1 bilhões em agosto, o equivalente a 8,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do país.”

    Reparem que o BNDES deve ao tesouro quase 10% do PIB

    Mais detalhes em: http://zip.net/bdpVxz

    Agora ficam as perguntas:
    1 – Quando o BNDES vai começar a cobrar as dividas do Senhor Eike Batista?
    2- Quando o BNDES vai começar a cobrar do Senhor Maduro os pagamentos atrasados do Metrô de Caracas?
    3- Quando o BNDES vai cobrar os pagamentos atrasados do Fri Boi e dos mais diversos devedores?

  4. Rubens Ricúpero, de onde o senhor tirou essa de o PT pretender ser herdeiro de Getúlio? Acho que o senhor ao escrever esse artigo deve ter vindo de uma balada. Deve ter rolado muito uisque e pozinho da loló. Acorda Ricúpero!

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