Destruir patrimônio público não é o caminho para derrubar o governo corrupto

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A radicalização não leva à nada e ameaça a democracia

Pedro do Coutto

Acredito ser esta a afirmação do título deste artigo a melhor síntese dos acontecimentos que explodiram no país, ao longo do dia de ontem, principalmente em Brasília quando grupos revoltados com o projeto de reforma trabalhista depredaram prédios públicos, chegando até a deflagrar incêndios. O Brasil entrou em transe democrático e o presidente Michel Temer recorreu à convocação do Exército para conter a fúria e o vandalismo dos incendiários. O espetáculo foi transmitido diretamente pela GloboNews e hoje encontra-se na primeira página dos jornais de maior importância como é o caso de O Globo, Folha de São Paulo e do Estado de São Paulo.

As edições desta quinta-feira vão ficar marcadas na história nacional como resultado de uma revolta e de um exagero na violência praticada, ultrapassando de muito o sentimento de repulsa pela permanência de um presidente da República que perdeu a autenticidade para permanecer no Palácio do Planalto.

APELO À RENÚNCIA – Atestando esse clima político basta se compulsar os anais da sessão de ontem do Senado Federal quando vários senadores e senadoras apelaram a Michel Temer para que ele renuncie e assim crie as condições para superação de uma série de contradições que transbordaram a capacidade de tolerar da opinião pública.

O mais veemente apelo, e também o mais lógico foi formulado pela senadora Katia Abreu, do PMDB, que acentuou que o chefe do Executivo perdeu todas as condições de exercer o cargo que desempenha. De fato, uma sequência de escândalos e denúncias envolvendo auxiliares diretos seus fez acender a chama da revolta e mais do que a revolta, do desprezo pelos ocupantes do poder do país.

São casos sobre casos, numa sequência impressionante que vai desde Rocha Loures a Eliseu Padilha, acusado este de receber contribuições da Odebrecht.

PROVAS ABUNDANTES – Não somente a Odebrecht abasteceu os canais do roubo e do superfaturamento. As provas estão aí diante da consciência de todos e passando pela condenação do tribunal irrecorrível da opinião pública. Se antes da explosão de ontem Michel Temer, segundo pesquisa do Datafolha, sofria uma rejeição de 61% contra uma aprovação de apenas 9 pontos, hoje seguramente o quadro tornou-se ao mesmo tempo muito mais denso e profundamente crítico.

Michel Temer vem resistindo aos apelos para que renuncie, mas tal resistência evidentemente não será capaz de conter a onda de inconformismo e revolta produzida pela insatisfação popular, pelo desemprego e, sobretudo, pela ausência de qualquer horizonte positivo se a sua permanência conseguir suportar os ventos da revolta.

No dia 6 de junho ele poderá provavelmente perder o mandato se o tribunal superior eleitoral anular a vitória nas urnas de 2014 que conduziram Dilma Rousseff ao segundo mandato e ele, Temer, à vice-presidência da República. Foi esta condição que o levou ao poder, para infelicidade do Brasil. Mas a indagação que está no ar é se ele aguentará as pressões até seis de julho.

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IBGE INFORMA QUE O CENÁRIO É RUIM

Entrevistado por Rafael Rosas e Robson Sales, edição de 24 do Valor, o presidente do IBGE Paulo Ribeiro de Castro afirmou que o cenário econômico do país é muito ruim e não melhorou recentemente. A entrevista versou sobre dúvidas levantadas pelos dois repórteres quanto à veracidade absoluta das últimas pesquisas que apontam a queda da inflação.

Rabelo de Castro negou com veemência qualquer manipulação e disse exatamente o seguinte: “Que se dane o governo. Eu não estou aqui nem para produzir dados bons nem dados ruins para ninguém. Os dados são o que são”.

Os dados divulgados pelo IBGE vêm sendo utilizados pelo ministro Henrique Meirelles, que surpreendentemente defende mais a política econômica colocada em prática do que o próprio governo Michel Temer. Chegou a ponto de dizer em recente reunião com empresários da indústria e do comércio que a política econômica será mantida. Avançou o sinal. Afinal de contas, ele não sabe quem vai suceder Michel Temer no Planalto.

3 thoughts on “Destruir patrimônio público não é o caminho para derrubar o governo corrupto

  1. Em um momento tão difícil como esse reflexões como de Pedro do Coutto são fundamentais.
    Infelizmente, algumas pessoas se alimentam do ódio e precisam de um inimigo qualquer para sobreviver. Não importa se são de direita ou esquerda, não conseguem sequer respirar sem antes destilar rancor, aversão e raiva. Uma verdadeira patologia.
    Alguns chegam ao ponto de fantasiar “verdadeiras estórias irreais” sobre a vida de seus “inimigos”…
    Desde que o mundo existe é assim, isso explica porque a história da civilização é a história da recorrente barbárie!
    No caso do Brasil, a barbárie é reeditada por grupos de vândalos que desrespeitam o bem público, que por outro lado está descaracterizado como tal por instituições vilipendiadas, desrespeitadas por governos corruptos e autoritários (um após o outro).
    Este governo está se tornando muito parecido com o governo de Morales na intransigência, nos decretos variados, no confronto com o povo; sua impopularidade. A mancha da corrupção nele está impregnada e isso é muito mais grave do que querem estes assumir. Ninguém governa muito tempo por vaidade, teimosia, ou autodefesa.Tentam veicular na internet um maniqueísmo: aqueles que são contra ou a favor das Reformas. Ninguém em sã consciência é simplesmente contra reformas, todavia, as reformas nos moldes a privilegiarem setores de poder em detrimento da população não são aceitáveis.
    O ódio crescente entre a população e os setores institucionais é de responsabilidade nossa, mas, sobretudo, de nossos representantes, portanto, cabe a nós administrar o caos em recidiva! Do contrário, perseverará ódio, violência e ignorância, que poderão ser a marca histórica de um governo decrépito!
    Apesar de tudo, que tenhamos um bom dia!

    • Os conflitos de ontem simbolizaram a primeira lixada na peça enferrujada…

      Que o dialogo consciente aja como óleo de penetração – limpador, lubrificante e solução anticorrosiva – para continuarmos o trabalho de livrar o pais que está emperrado, neste estancamento, ferrugem braba…

      É só olhar as obras inacabadas, nada funciona, tá lá o logotipo Odebrecht, mas tudo parado, enferrujando…

      E os políticos fazendo esse festival de gaiola das loucas sob os holofotes; milhões de brasileiros sem dinheiro para comer…

      Acabou Temer, puxe o carro, desemperra…

  2. Sendo estes governantes inescrupulos , nefastos e corruptos que são , quem pode garantir que tais depredações não foram arquitetadas por eles mesmo , como uma forma de desmoralizar o movimento . Me desculpem , pelos comentários lidos nesta coluna varias pessoas.

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