Deu a louca no prefeito do Rio. Ele quer demolir o Elevado da Perimetral e infernizar ainda mais a vida dos cariocas.

Pedro Porfrio

Ou voc exerce agora sua inalienvel cidadania e exige o mnimo de lucidez das autoridades desta mui amada cidade do Rio de Janeiro, ou amanh milhares de cidados de toda a regio metropolitana pagaro o preo alto do mais terrvel n no trnsito produzido pelo poder autoritrio da miopia e da insensatez.

Porque a esta altura s mesmo a mobilizao dos cidados, principalmente dos que precisam atravessar a cidade, sem obstculos de sinais, da Zona Sul Avenida Brasil, Linha Vermelha ou pegar a Ponte Rio-Niteri, ser capaz de tirar a mais imprudente e perigosa das idias que j passou pela cabea de um prefeito, no caso Eduardo da Costa Paes, que acaba de completar 42 anos e no tem a menor idia do que representou para os cariocas e moradores da Baixada a construo a duras penas da nica grande via expressa do Rio de Janeiro, o elevado da Perimetral, que liga o aterro do Flamengo s grandes vias de escoamento da cidade em direo s zonas Norte, Oeste, Baixada e Niteri.

Primeiro, o inquieto prefeito disse que derrubaria o elevado no trecho que vai do Arsenal de Marinha, prximo Praa Mau, at o Viaduto do Gasmetro, sob a pfia alegao de que essa via essencial, por onde passam diariamente 95 mil veculos, enfeava seu mirabolante projeto do Porto Maravilha, numa temerria inverso de prioridades: como se a nica preocupao de sua administrao fosse valorizar a beira do cais, tudo o mais que v a pique e quem quiser que embarque na mirabolncia adjacente a implantao de tneis em rea de aterro precrio e lenis freticos, j que, como sabem at os ginasianos, tudo aquilo ali foi tomado ao mar a partir do final do Sculo XIX, com a utilizao de areia extrada dos morros prximos.

Para ser sincero, o prefeito s est pensando nessa extravagncia urbana, de consequncias imprevisveis, porque est com o cofre abarrotado pelo dinheiro do PAC, esse projeto majestoso que s consegue sair do papel quando para injetar grana preta no sistema financeiro, em nome do financiamento habitacional.

No final do seu governo, Lula determinou ao Ministrio do Trabalho que abrisse as torneiras do FGTS, fundo que pertence aos trabalhadores e no ao governo, e oferecesse casa, comida e roupa lavada ao projeto do Porto Maravilha, com que Eduardo Paes pretende carimbar sua passagem pela Prefeitura carioca.

Sem pestanejar, o ministro Carlos Lupi abriu uma linha de crdito de quase R$ 8 bilhes do FGTS (e ningum piou porque, no final da linha os grandes beneficirios sero os empreiteiros e sabe Deus quem mais, e estes esto de bem ou bens com essa mdia de boca torta).

Sem todos os estudos preliminares impostos pela legislao, o prefeito foi logo anunciando que s para o bota abaixo do elevado gastaria mais de R$ 1 bilho, dinheiro que poderia ser usado em construes e no em demolies.

Essa idia nova de derrubar todo o viaduto da perimetral, agora at o Santos Dumont, obra de 25 anos – e no apenas o trecho da alegada feira, parece muito mais produto de um crebro com traumas de infncia e admiraes na adolescncia por demolidores de quadrinhos.

Mas tambm uma demonstrao de fora, do controle amplo, geral e irrestrito da Cmara dos Vereadores, e at mesmo da desateno do ministrio pblico.

Falta algum com maior experincia, e um pingo de coragem, para soprar ao jovem Eduardo Paes sobre o risco de ter sua prpria carreira enterrada nos escombros da via demolida, j que todas as alternativas apresentadas tm contedo lotrico e s interessam, rigorosamente, aos empreiteiros, que tero lucro muito maior na demolio do que em assentar pedra sobre pedra.

A ns, porm, restar a maldio das futuras geraes se calados ficarmos, se no exigirmos discusses amplas e fundadas em informaes verdadeiras. A ns, no. Eu, de minha parte, pretendo fazer qualquer coisa. Nem que seja me amarrar num pilar do elevado que a milhares de pessoas facilita a vida.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.