Dez para o eleitor, zero para a Justia Eleitoral

Carlos Chagas

Para 135 milhes de eleitores, nota dez. Para a Justia Eleitoral, nota zero.Comportou-se o eleitorado como se o Brasil j fosse um pas de primeiro mundo. Saram pelo ralo o voto de cabresto, a compra de votos, o roubo de urnas, a propaganda de boca de urna, a violncia ao redor das sesses eleitorais, as abstenes foradas, as apuraes fraudadas e demais vcios do passado.

J a Justia Eleitoral, nela includo o Supremo Tribunal Federal, Deus nos livre! Raras vezes se viu lambana igual. A comear pela revogao do Ttulo de Eleitor pela mais alta corte nacional de justia. Sem esquecer a explicao dada ao pblico: o eleitor no ser impedido de votar caso leve apenas um documento oficial com foto…

Ora bolas, tratou-se de uma deciso envergonhada e negativa, mais ou menos como se no Cdigo Penal houvesse artigo determinando que o cidado no est impedido de assassinar o prximo caso se sinta ameaado de morte. Porque impedido de votar ficou o eleitor que levou apenas o documento especfico para o voto…

A Justia Eleitoral deixou de decidir em definitivo se a lei ficha limpa valeu ou no, ontem. Nem ao menos esclareceu sobre o voto nos candidatos ficha suja. Foram computados ou no? Devem ser divulgados e contaro para aumentar a legenda dos partidos? Ou simplesmente sero ignorados? Quem renunciou a mandatos anteriores para evitar a cassao por quebra de decoro parlamentar ser diplomado?

E vai por a, tendo em vista a confuso gerada por sentenas e interpretaes conflitantes e at pela falta delas. Um horror capaz de levar o eleitorado a defender a extino da Justia Eleitoral, no fosse o eleitor uma criatura excepcional, tolerante e esclarecida.

CASSAO PELO VOTO

S hoje ser possvel calcular o nmero preciso dos candidatos ficha suja que o eleitorado cassou ontem. Foram muitos, tanto os que disputaram governos estaduais quanto os que pleitearam cadeiras no Congresso. Citar apenas alguns seria beneficiar os esquecidos. Todos merecem ter seus nomes divulgados, assim como aqueles que foram eleitos, mesmo pairando sobre suas cabeas a sombra da impugnao.

Mrito para o eleitor que no reelegeu bandidos, vigaristas e lambes.

CARAS DE PAU

Fica para amanh, tambm, desmascarar certos institutos de pesquisa cujos percentuais de preferncia popular foram desmentidos pelo prprio, ou seja, pelo povo. claro que suas desculpas j esto preparadas: foi o eleitor que mudou, ltima hora, quando ia de casa para a sesso eleitoral…

No h explicao, porm, a no ser a falncia das pesquisas mal-feitas, para o fato de todos os institutos, sem exceo, terem induzido os veculos de comunicao ao ridculo. Como? Informando que de acordo com as mais sofisticadas metodologias de consulta ao eleitorado, poderia haver ou poderia no haver o segundo turno. Assim, esto apregoando que acertaram…

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