Diálogo com o comentarista Mário Assis sobre a súbita mudança da linha editorial da Organização Globo

Mário Assis

A cobertura maciça que a TV Globo vem fazendo a respeito da questão da licitação fraudada em São Paulo, e que envolve a Siemens, é estranha, pelo enorme tempo gasto nos noticiários nacionais – algo incomum, visto que a relação entre Globo e PSDB sempre foi estreita. Aí tem. São matérias que levam quase dez minutos. E sempre que se fala em Mário Covas, Serra e Alckmin, é dito “governador de São Paulo, do PSDB”. O que não é habitual. Governador é governador, geralmente não se cita o partido dele, salvo quando se trata de questão política.
A TV Globo não prega prego sem estopa, como diziam meus pais. Acredito, salvo melhor explicação, que a Organização Globo foi ou está sendo prejudicada por alguma atitude do governo paulista. Sabe de alguma coisa?

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A ORGANIZAÇÃO GLOBO SE ACAUTELA

Carlos Newton

A mudança não ocorre somente na TV, mas também no jornalão e na revista Época. As manifestações de rua assustaram muito a Organização Globo. Os outros jornais praticamente não noticiaram, mas houve  vários protestos de rua contra a própria Globo, inclusive com quebra-quebra num prédio da emissora, na Rua Jardim Botânico, onde fuciona a área comercial.

Numa dessas manifestações, dezenas de ativistas ligados aos grupos Black Blocs e Anonymous, entraram em confronto com a Polícia Militar. Eles saíram da frente da sede da emissora (a Vênus Platinada), onde estavam concentrados, e bloquearam a Rua Jardim Botânico, uma das principais vias da zona sul carioca. A Polícia Militar interveio e houve um princípio de tumulto quando um manifestante foi detido e os policiais tentaram dispersar o grupo com jatos de gás de pimenta.

Os jornalistas da Globo não podiam cobrir as manifestações com equipamento que identificasse a emissora. Tinham de disfarçar, diziam ser da TV alemã ou italiana, coisas assim. Mas as outras emissoras também não podiam cobrir, carros foram incendiados, mas o fato é que bateu uma paranóia na Globo, que resolver se “abrir” politicamente, digamos assim.

Os irmãos Marinho estão tentando se adaptar aos novos tempos, sentiram que as coisas podem mudar por aqui. E agora os jornalistas globais estão podendo cair de pau na corrupção e na injustiça social, o que é ótimo, não é mesmo?

A mudança é radical: sexta-feira, por exemplo, o Globo Repórter colocou no ar um programa dramático sobre trabalho infantil e famílias inteiras que vivem excluídas. Porém, o mais surpreendente e sintomático ocorreria ontem à noite, na GloboNews.

Depois do Jornal das Dez, entrou no ar o programa Sem Fronteiras, sob o tema “Manifestações Populares”. Foram abordados vários tipos de protestos, incluindo o Occupy Wall Street e conflitos na Palestina. Todo esse trabalho, para fazer um extraordinário contorcionismo jornalístico e concluir, sem a menor prova, que a própria PM, através de “agentes provocadores”, poderia estar incentivando a radicalização nos protestos de rua no Brasil, sem lembrar que cada Estado tem uma PM diferente, que obedece a um comando próprio, enquanto a radicalização/vandalização demonstra ser um fenômeno nacional, não há a menor dúvida.

Tudo isso indica o grau da preocupação a que chegaram os irmãos Marinho (leia-se João Roberto, que é o chefe de fato da Organização). Traduzindo: os irmãos Marinho estão com tanto receio da radicalização que estão até mandando que seus jornalistas apoiem os radicais, compondo uma espécie de Samba do Crioulo Doido em versão Mídia Ninja.

O quadro está ficando cada vez mais interessante e instigante. Vamos aguardar para ver em que isso vai dar.

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9 thoughts on “Diálogo com o comentarista Mário Assis sobre a súbita mudança da linha editorial da Organização Globo

  1. Boas reflexões do Mário Assis e Carlos Newton. Por falar em vandalismo li outro dia no Facebook a frase: “Não somos vândalos, estamos continuando o que a Dilma começou”. Alguns podem dizer que é uma afirmação de direita, mas tb pode ser lida como uma declaração de esquerda atuante, conhecida como ultraesquerda. E por falar em esquerda, coincidência ou não… vejam as iniciais #vemprarua = VPR, organização dos tempos da jovem Dilma…E para encerrar, cito o grande presidente Allende, do Chile: “Ser jovem e não ser revolucionário é até uma contradição biológica”.

  2. Você é otimista a Rede de Esgoto de Televisão [GLOBO], vai fazer um reformar, muda para permanecer aliada a outros corrupto mais populares. A GLOBO e seu departamento de jornalixo, está parecendo a tupy [efeito orloff]. Eu nao assisto a rede de esgoto nem quando defende os trabalhadores é LIXO. Pau nela NINJAS!

  3. Já cansei de dizer e vou repetir mais uma vez: a Globo flerta com os animais que no futuro próximo irão controlar “socialmente” a emissora. Não faz mais jornalismo, mas militância política e de forma totalmente equivocada.
    Todo mundo sabe que o PT/FORO DE SAO PAULO tem como padrão histórico o lema “os fins justificam os meios”, ou seja, usa todo mundo e depois descarta pela lata do lixo.

  4. Até certo ponto podemos concordar com a análise do Sr. Carlos Newton. A rede globo pode ser comparada a um camaleão e ao polvo, ambos mudam de cores conforme o ambiente em que estejam. A globo pode estar com medo, receosa com relação às recentes manifestações que a atacam duramente OU então fez algum acordo com o governo Dilma.
    A globo deve 615 milhões ao fisco. Mas conforme o Sr. Rodolfo declarou a globo não faz mais jornalismo, isso há décadas. PORTANTO a rede globo está apenas se “adaptando aos novos tempos”. SERÁ SEMPRE a REDE DE ESGOTO DE TELEVISÃO, conforme mencionou o Sr. Eugenio L. da Costa.

  5. C. Newton, não estava estava na hora do blog daTribuna
    republicar a matéria sobre a compra, fraudulenta, da TV Paulista pela família Marinho? Seria mais um ato criminoso na pauta dos manifestantes contra a Globo.

  6. Não é novidade que esta Rede nunca brigou com o status quo. Lembrai-vos do movimento das diretas já e imediata canonização do velho Tancredo, antes mesmos de sua morte. Pra não dizer que não falamos de flores, ela felizmente nos ensina a cada dia que não podemos ser maniqueístas. E lembrando de meu amigo João Jorge, nunca é demais reafirmar que não precisamos ler os jornais que comungam de nossas ideias, mas ler todos os dias o que os nossos inimigos estão tramando contra.

  7. Independente de qualquer coisa e visível a mudança na venus ate quando não se sabe .
    A verdade e se a mídia estivesse ao lado do povo essa pais seria outro, a imprensa e importante vide a denuncia em relação aos dados dos eleitores.

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