Diálogo entre Renan e o Machado exige resposta frontal do Supremo

Ilustração reproduzida do site Jogo do Poder

Pedro do Coutto

Não há dúvida alguma: o nebuloso – para dizer o mínimo – diálogo mantido entre o senador Renan Calheiros, presidente do Congresso Nacional e o ex-presidenter da Transpetro, Sérgio Machado, transcrito na Folha de São Paulo, nova reportagem de Rubens Valente, exige do Supremo uma resposta frontal e imediata sobre as insinuações e afirmações nelas contidas. Afinal de contas, com é possível Sérgio Machado colocar a hipótese de uma negociação do governo com ministros da Corte Suprema e tal fato ter sido remetido a uma categoria normal das palavras?

Não pode ser. E pior, Renan não cortou a conversa, como deveria fazer. Pelo contrário. Atribuiu à falta de uma ponte de conciliação a desentendimentos entre a presidente afastada Dilma Rousseff e ministros que integram o STF. O tom genérico praticado pelos componentes da gravação compromete todo o elenco da Corte Suprema.

Fornece aos leitores, portanto à opinião pública, a imagem de que o Supremo, dependendo de circunstâncias, possa ser um tribunal também voltado para negociações políticas. Impossível aceitar tal hipótese humilhante para ele, o STF, como para o próprio país. Significa a predominância de interesses sombrios na área judicial que tem de estar acima de qualquer suspeita.

SEGUNDO CAPÍTULO

Este foi o segundo capítulo da série de Rubens Valente, a qual teve sequência com uma terceira gravação, esta ocorrida entre o ex-presidente José Sarney e Sérgio Machado que, por sua atuação, pode ser classificado como o homem fatal, personagem de Nelson Rodrigues.

Machado transforma em tempestade tudo que toca e transforma em vilões do antigo cinema mudo os personagens que coloca em cena, utilizando-os para reforçar sua própria defesa, a esta altura impossível, das ondas da Operação Lava-Jato.

Tanto assim que propõe – é o cúmulo – articular-se em conjunta mudança radical nos textos da lei que instituiu a figura da delação premiada. Afinal, quem tem medo da delação e dos delatores?

Eis aqui uma pergunta de fácil resposta: os acusados. Que, aliás, não tentam sequer se defender.

SEM POSSIBILIDADE

Os acusados tentam de qualquer maneira, inclusive o caminho da sordidez, travar as investigações, como se isso fosse possível. Não existe possibilidade. Mas tal impossibilidade não pode levar o Supremo Tribunal Federal a optar pelo silêncio depois de tão grave insinuação que sinaliza para uma situação de desonra.

Pois, em relação à Corte Suprema, acima de tudo o diálogo entre Renan e Sérgio Machado representa um acinte, uma agressão, uma bofetada moral que exige revide imediato. O SF tem o respeito da nação, como um dos poderes da República. Não pode ser reduzido a uma espécie de corrente de interesses que navega de acordo com hipóteses ou de mau relacionamento, ou relacionamento ruim entre seus componentes e quem preside o país. Sua imagem foi colocada em xeque.

LANÇAR À LUZ

Claro que o Supremo não vai negociar nada vinculado à Operação Lava-Jato. Mas é preciso tornar tal posicionamento de dependência o mais claro possível. Lançar à luz do sol devassando as sombras em que se realizaram gravações extremamente comprometedoras para os que delas participaram e também para os que delas se tornaram presentes, mas cujas traduções ainda não aconteceram. Mas certamente ainda vão suceder. Chega de falsidade, corrupção e hipocrisia.

13 thoughts on “Diálogo entre Renan e o Machado exige resposta frontal do Supremo

  1. A ESQUERDA ASCENDE AO PODER EM PORTUGAL

    Seis meses a fazer regressar as políticas. E a política

    SÃO JOSÉ ALMEIDA 26/05/2016 – 07:56
    Portugal viveu os últimos tempos em estágio para o regresso à política pura. António Costa quis virar a página da austeridade e reverteu medidas em cascata. Mais rápido ainda foi o primeiro-ministro a apagar a herança da tecnocracia.

    Os marcos do mandato

    Radiografia política de 180 dias

    Há quem olhe para o Governo com expectativa ou frustração, mas o povo está sereno
    Primeiro estranha-se, depois entranha-se.

    Num país há décadas habituado à tecnocracia, ao economês, aos números, à obsessão do défice, de repente, o clima, o tom e o discurso mudaram. Em conjunto com a inversão da política de alianças do PS, que permitiu um tipo de entendimento político com o BE, o PCP e o PEV,

    António Costa introduziu uma mudança substancial na forma de agir e no discurso de um primeiro-ministro que significa o regresso da política. Ainda perplexo com a mudança, o país questiona-se sobre se o Governo sobreviverá à gestão de um apoio parlamentar inédito e às exigências de Bruxelas.

    António Costa passou os primeiros meses como primeiro-ministro a revogar as medidas mais carismáticas do anterior Governo da coligação entre o PSD e o CDS liderado por Pedro Passos Coelho. Virou “a página na austeridade”, como costuma dizer.

    A viragem de políticas sociais à esquerda resulta dos acordos bilaterais, mas também tem um claro cariz de afirmação ideológica. Tudo com uma bissetriz dominante: respeitar das imposições financeiras de Bruxelas e garantir a consolidação orçamental, pelo menos nas previsões.

    Assim foi possível ver o início da reversão do processo de venda da TAP e das concessões dos Transportes Públicos em Lisboa e Porto. Bem como a revisão das medidas de Nuno Crato na educação, apesar dos protestos dos colégios privados contra a revisão dos contratos de associação. E ainda o regresso das 35 horas na função pública.

    Já o Orçamento do Estado para 2016 contemplou a reposição gradual de 20% por trimestre nos vencimentos da função pública, das pensões, da sobretaxa do IRS em todos os ordenados de trabalhadores por conta de outrem, a substituição do quociente familiar por uma dedução específica por IRS por filho, o reforço do abono de família e a reposição das prestações de Rendimento Social de Inserção e do Complemento Solidário para Idosos, a reposição das taxas moderadoras no Serviço Nacional de Saúde e a reposição do IVA na restauração em 13%, a partir de Julho.

    O regresso da política foi visível também na gestão do Programa Nacional de Reformas, documento estruturante com perfil de esquerda, que foi valorizado na vertente parlamentar pelo Governo.

    Deste modo, Costa conseguiu desvalorizar a visão puramente financeira sobre as medidas, apesar de ela estar consagrada no Programa de Estabilidade, também entregue no fim de Abril.

    E se era hábito os portugueses ouvirem diariamente falar de défice, a verdade é que só ao fim de três semanas de se discutirem as reformas, se soube quais as previsões do défice.

    Todas as terças-feiras de manhã, o primeiro-ministro reúne-se com o seu núcleo duro do Governo

    Mesmo assim, Costa tratou já de vangloriar-se na entrevista a José Gomes Ferreira na SIC de que em 2016 será atingido o mais baixo défice em 42 anos.

    Mesmo que as previsões do Governo (2,2%) saiam furadas e ultrapassem a meta de Bruxelas (2,3%), atingindo a previsão da Comissão Europeia de 2,7%. Portugal cumprirá o Tratado Orçamental e sairá do procedimento por défice excessivo.

  2. Perdão pelo linguajar, mas, “assim não é possível”!
    Gravação após gravação o Supremo vem sendo citado (Lula, Mercadante, Delcídio, Machado…) como personagem mediador ativo para as falcatruas e ninguém faz nada? O Supremo tem a palavra final quando o próprio está em questão?
    A sociedade clama por justiça também da parte daqueles que arvoram justiça!
    A situação é tão crítica que alguns “supremos” ainda se acham no direito de interditar quem de fato quer fazer justiça como é o caso de Moro!
    Por quê o Sr, Teori não devolve o processo de Lula para Curitiba??
    Não aguentamos mais isso!
    O povo brasileiro merece paz! Por favor, cumpram com sua obrigação e caso seja preciso, que também sejam julgados com a vara de Francisco!

  3. Concordo com o articulista. O Supremo precisa se manifestar.Inclusive , ontem, já havia comentado por aqui que considero muito estranho esse ensurdecedor silêncio do Supremo Tribunal Federal , que há dias foi transformado em um dos temas dos “diálogos” desses meliantes Machado, Jucá ,Calheiros e Sarney em praça pública. Essa turma fala da Corte, na maior intimidade , como se ela fora a Casa de Noca.
    Vale lembrar que não se ouve os delatores e delatados grampeados combinando levar um lero
    com o Ministério Público, com os procuradores federais ou com o juiz Sérgio Moro. Não é à toa que não confiamos nesse Supremo.Aí tem.

    • Se nem a isso o Supremo respondeu até hoje ….

      Delcídio: Pois é, jogar prá turma, prá turma julgar né? Isso acho que é bom.
      Edson: É .Eu tô com aquele outro HC que tá na mão do Fachin.
      Delcídio: Tá com, tá com o Fachin.
      Edson: Tá (vozes sobrepostas).
      Delcídio: Ah é, você me falou.
      Edson: Que é para anular.
      Delcídio: Conversar com o Fachin.
      Edson: Se a gente anula aquilo, a situação de todos tá resolvida porque aí eu vou anular em cadeia, eu anulo a dele, Paulo Roberto, anulo a do Fernao Baiano ( vozes sobrepostas).
      (…)…
      Delcídio: Você quer atender?
      Edson: Não, é mensagem, mas a partir da anulação tudo resta nulo, tudo.
      Delcídio: Isso tá com o Fachin?
      Edson: E o bom, a nossa tese é civil e ele é civilista.
      Diogo: Exatamente.
      Edson: Isso foi a melhor coisa que aconteceu (…) foi pô, Fachin (…) (vozes sobrepostas)
      Bernardo: O problema é ele, ele, tem a probabilidade de ele redistribuir uma porra assim ?
      Edson: Não !
      Bernardo : Não.
      Diogo : Não, acho que não.
      Edson: É ele. Não tem jeito !
      Delcídio: Diogo, nós precisamos, nós precisamos marcar isso logo com o Fachin, viu !

  4. Acho que o STF não tem que se manifestar não. Tem que agir, sentenciar, botar os processos para andar com absoluta prioridade. O foro especial existe, sim, mas pertence ao povo; não ao acusado; muito menos ao procurador que não denuncia ou se denuncia, esquece; também não pertence ao Ministro ou ao Pleno. É um bem da Pátria, em defesa da Pátria. O foro privilegiado existe, mas o seu titular é o povo, do povo e para o povo. Abaixo o segredo de justiça contra o povo. O fato é que as ações privilegiadas prescreveram, quase uma centena de ações no STF (entrevista do Dr. Barroso), afora os que morreram sem julgamento. Renan carrega no espinhaço dois dígitos e nada acontece. A impunidade, escorada no silêncio do MP/STF garante-lhe a… reincidência. Soluç~~ao? Um não ao segredo dos processos de foro privilegiado; devera, a publicidade é unica proteção da cidadania que, só assim, publicamente, pode cobrar publicamente. Em suma, ação popular para cobrar eficiência, moralidade e publicidade. Isto de STF falando, sim; desde que nos autos. Só nos autos. O silêncio ensurdecedor da sentença. Isto basta. O Brasil seria outro.

  5. Dizem que uma coisa é uma coisa. Já outra coisa é outra coisa.
    Baseado neste “preceito filosófico”, chega-se a conclusão que prender o Delcídio Amaral é uma
    coisa,já prender o Renan Calheiros é outra coisa.
    Pois bem, sendo assim como é que ficamos, já que todos são ou deveriam ser iguais perante a lei.
    No caso em questão, o mesmo “pau” que deu no Delcidio, deveria também dar em Renan, afinal
    as “estrepolias”, são um tanto parecidas.
    Se em Berlin ainda haviam magistrados, segundo um camponês alemão, o mesmo se espera que aconteça em Brasilia, Afinal que rede é essa que só pega “bagrinho”, Tem que pegar tubarão também.

  6. O grande culpado por toda esta crise é, sem dúvida, o MP/STF. À primeira denúncia contra um dos nossos Renans/Barbalhos/Jucás – qualquer destes -, a pronta resposta, já estariam soltos… cumprida a pena, com certeza. O que se vê: dez, vinte ações no espinhaço, em segredo, mofando, a impunidade comendo solta, o ar de inocência, a cara de paisagem. O segredo no processo do administrador público é uma aberração, um atentado contra a res publica.

  7. Tem golpe ? Tem Lulalá….

    ” 7) O impeachment, com a consequente presidência de Michel Temer, ainda não era unanimidade entre eles na época das gravações. Renan preferia o “semi-parlamentarismo”, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como primeiro-ministro. A única unanimidade é que Dilma Rousseff perdera condição de governar e precisava sair. Entre outros motivos, como disse Sarney, porque ela também se tornaria alvo das investigações com a delação de Marcelo Odebrecht.

  8. Mais diálogos sendo divulgados…
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    Em novos áudios revelados pelo “Jornal da Globo”, diálogos entre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o ex-senador e ex-presidente José Sarney mostram os dois conversando sobre formas de ter acesso ao ministro do Supremo Tribunal Federal e relator da Lava-Jato Teori Zavascki. Em outro trecho, Sarney também fala que uma possível delação da Odebrecht poderia implicar a presidente Dilma Rousseff por conta de pagamentos ao publicitário João Santana.

    Veja também

    Homologação. O ministro Teori Zavascki oficializou ontem a delação do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado Machado: delação inclui informações sobre arrecadação ilegal para políticos
    O ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado Possibilidade de novas gravações de Machado provoca apreensão no PMDB
    O ministro da Justiça Alexandre de Moraes: apoio à Lava-Jato Ministro da Justiça irá a Curitiba dar apoio à Lava-Jato

    A divulgação dos novos trechos acontece após a homologação da delação premiada de Machado por Zavascki esta semana. Numa série de depoimentos prestados à Procuradoria-Geral da República, Machado falou sobre a arrecadação de dinheiro de origem ilegal para políticos aliados, entre eles Sarney, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o ex-ministro do Planejamento Romero Jucá (PMDB-RR). O áudio envolvendo Jucá acabou levando à saída dele do governo interino de Michel Temer.

    Em um trecho das gravações, de 10 de março, Sarney cita o nome do ex-ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Cesar Asfor Rocha, como alguém que teria proximidade com Teori.

    MACHADO – Porque realmente, se me jogarem para baixo aí… Teori ninguém consegue conversar.

    SARNEY – Você se dá com o Cesar. Cesar Rocha.

    MACHADO – Hum?

    SARNEY – Cesar Rocha.

    MACHADO – Dou, mas o Cesar não tem acesso ao Teori não. Tem?

    SARNEY – Tem total acesso ao Teori. Muito muito muito muito acesso, muito acesso. Eu preciso falar com Cesar. A única coisa com o Cesar, com o Teori é com o Cesar.

    Em outro gravação, no dia 11 de março, estavam presentes Sarney e o presidente do Senado, Renan Calheiros. Ainda falando sobre como chegar a Teori, o grupo cita o advogado Eduardo Ferrão.

    SARNEY – O Renan me fez uma lembrança que pode substituir o Cesar. O Ferrão é muito amigo do Teori.

    RENAN – Tem que ser uma coisa confidencial.

    MACHADO: Só entre nós e o Ferrão.

    Em outra conversa com Sérgio Machado, em que foi discutida a delação de executivos da Odebrecht, o ex-presidente José Sarney fala sobre o risco do processo atingir a presidente Dilma Roussef.

    SARNEY – A Odebrecht […] vão abrir, vão contar tudo. Vão livrar a cara do Lula. E vão pegar a Dilma. Porque foi com ele quem tratou diretamente sobre o pagamento do João Santana foi ela. Então eles vão fazer. Porque isso tudo foi muito ruim pra eles. Com isso não tem jeito. Agora precisa se armar. Como vamos fazer com essa situação. A oposição não vai aceitar. Vamos ter que fazer um acordo geral com tudo isso.

    MACHADO – Inclusive com o supremo. E disse com o Supremo, com os jornais, com todo mundo.

    SARNEY – Supremo … Não pode abandonar.

    http://oglobo.globo.com/brasil/gravacoes-indicam-acao-de-politicos-do-pmdb-para-prejudicar-lava-jato-19380295

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