Dias Toffoli deu um voto perfeito. Quanto a Celso de Mello…

 Mello mostrou temer as consequências do impeachment

Antonio Carlos Fallavena

Acabo de assistir, pela quinta ou sexta vez, ao voto proferido pelo ministro Dias Toffoli na ação do PCdoB para mudar o rito do impeachment. E desejo reforçar minhas convicções. Não gostei de alguns dos atos praticados por ele, notadamente quando no julgamento do “mensalão”. Porém, no que diz respeito ao caso atual, reconheço seu voto como perfeito, abrangente e cirurgicamente exato. Conhecedor dos meandros das casas legislativas e dos partidos, Toffoli reproduziu, com total fidelidade, a vida, os hábitos e as culturas nelas existentes. Só aqueles que estudam, assistem e vivenciam tais episódios conseguem entender o que realmente ali se passa.

Não sei como ele, na condição de relator, se manifestará em relação ao Mandado de Segurança. Também eu espero que a decisão seja o nosso favor.

A “mancada” (não posso pensar em má fé) praticada por parte do colegiado do Supremo, só poderá ter três desfechos:
– revisão dos votos, acatando, integralmente o parecer do ministro Edson Fachin;
– manter seus votos e, ato contínuo, renunciarem aos seus mandatos;
– manterem votos, não renunciarem, mas serem, imediatamente, destituídos de seus mandatos, por falta de qualificação.

Mantidos os votos e preservados os ministros que “inventaram” novas definições para termos como “eleição” e “indicação”, perderá a corte suprema a confiabilidade.

CELSO DE MELLO

Tentei localizar a parte da gravação em que há a manifestação do ministro Celso de Mello. Na lembrança, guardei que seu voto, além de ir na direção contrária a sua trajetória de jurista, continha uma certa preocupação quanto ao desfecho de um possível impeachment da presidente. Se estiver errado, me desculpo, mas praticamente tenho certeza de que ele votou com preocupações no desfecho e não na aplicação da lei e do regimento.

Algumas pessoas, a medida que a idade chega, deixam flácidos alguns conceitos e relaxam. Passam a querer ser “bonzinhos”. É uma pena.

Vamos aguardar o desfecho.

16 thoughts on “Dias Toffoli deu um voto perfeito. Quanto a Celso de Mello…

  1. no julgamento do Mensalão, o último a votar foi Celso de Mello, sobre se eram constitucionais os Recursos Infringentes, uma abstração extra-constitucional, imprevista, e que servia aos propósitos dos políticos condenados por Joaquim Barbosa com penas justas, embora já abrandadas por Lewandowski

    O voto de celso de Mello foi, portanto, o Voto de Minerva, para estra monstruosidade jurídica que só servia para aliviar mais ainda as penas dos condenados do mensalão e mesmo, colocar políticos em prisão domiciliar, em vez da Papuda. Celso de Mello, com sua verborragia que impressiona os leigos como se fosse amplo conhecimento jurídico, deu volta jurídica ao mundo e arranjou um pretexto para dar seu voto favorável aos Recursos Infringentes, uma aberração Jurídica, que serviu para livrar a cara ou aliviar ainda mais as penas dos políticos do PT. É um bunda mole !

  2. Esse ministro votou contra Sarney, que o nomeou, só para contrariar a imprensa, que dava como certa a vitória do ex-presidente. Justificou dizendo que teria votado a favor se houvesse risco de Sarney perder. É o que afirmou Saulo Ramos, seu padrinho na indicação para o STF. Não precisa dizer mais nada.

    • Gilson
      Alguns homens se desfazem diante da cumplicidade que precisam, por necessidade ou conveniência, assumir.
      Saulo, cada vez mais, mostra a assertiva de sua manifestação.
      Abraço e saúde.

  3. Fallavena, meu caro,

    Por ocasião dos comentários que fizemos na Tribuna da Internet relativos aos votos dos ministros na Ação movida pelos comunistas, ADPF, Celso de Mello foi taxativo quando anunciou que havia por parte do STF a preocupação do impeachment, em face de possíveis reações populares, portanto, afora o julgamento das Liminares, havia a questão social, que seria um fator considerável na decisão da Corte.

    Observa que o relatório do ministro Fachin levou um dia inteiro, havendo tempo para aqueles que votariam contrários ao Relator se posicionarem a respeito um dia antes.

    Barroso não agiu de má fé sozinho, haja vista que o julgamento teria como característica dificultar o impeachment, que estava sendo muito bem levado adiante pela Câmara Federal, independente dos problemas de Cunha, mas este em nenhum momento se comportou de maneira irregular ou fora da Constituição e Regimento Interno!

    O STF foi mais que um tribunal, pois decidiu em adotar cuidados que não lhes cabia – em tese, uma revolta popular -,
    imaginando que seria melhor um governo incompetente e corrupto que o País envolto em graves instabilidades sociais, para se dizer o mínimo.

    Errou e feio, claro, pois se tivermos de conviver com os petistas descontentes e o exército de Stédile, que venham, mesmo que tenhamos de tingir esta terra de vermelho pelo sangue derramado, mas a vontade popular e a DEMOCRACIA devem prevalecer sobre qualquer partido e quem estiver no poder!

    Se o impeachment é a ferramenta à disposição contra mandatários desonestos, imorais, incompetentes e mentirosos, tratemos de usá-la, sob pena de deixarmos o Brasil à mercê de ladrões, de traidores da Pátria, de um bando de bandidos!

    Justamente considerando que o nosso Mandado de Segurança tem como essência CORRIGIR os mal feitos do STF naquela data fatídica, a minha sugestão para que a Tribuna impetrasse a ação, e que fosse elaborada por profissionais do mais alto quilate e capacidade jurídica, de modo que a cidadania ultrajada pelos ministros fosse também resgatada.

    Parabéns pelo artigo, Fallavena.

    Um forte abraço, meu amigo.
    Saúde e Paz!

    • Amigo e irmão Bendl
      Desculpe a demora em agradecer teu comentário. os dos demais também.
      Os erros quando identificados, devem servir para as futuras decisões. Talvez não consigamos reverter este. Mas estamos cumprindo com nosso papel e nosso compromissos.
      Obrigado e um fraterno abraço.
      Fallavena

  4. O Ministro Celso de Mello merece o meu respeito e por sua longa e profícua atuação no STF e creio, o do Brasil. Trata-se, simplesmente, do mais bem preparado culturalmente ministro da suprema corte e o mais bem dotado intelectualmente. Ademais, cidadão exemplar!

    • Apesar dos méritos que de fato apresenta, quem conhecia bem a “moralidade” e a “lisura” de Celso de Mello era o ex-ministro da justiça Saulo Ramos! Interem-se de uma peça típica “Barrosense” reproduzida abaixo.
      Deve ser mais que um problema apenas cultural. Tudo indica ser predominante de contágio, de uma “virose gersoniensis brasiliensis”, que contamina tudo e a quase todos que passam a viver do Planalto!

      http://www.horadopovo.com.br/2012/10Out/3102-24-10-2012/P3/pag3d.htm ou

      “Entendi que você é um juiz de merda”. Resposta do jurista
      Saulo Ramos a Celso Mello

      Leiam abaixo o relato do jurista Saulo Ramos, ex-ministro da Justiça, responsável pela nomeação de Celso Mello para o STF no governo José Sarney. Saulo revela que Mello votou depois contra Sarney, que o nomeara, por medo da Folha de S. Paulo. Mello alegou a Saulo que votou contra Sarney porque o ex-presidente da República já tinha votos suficientes, mas que se precisasse, votaria a favor.

      “Terminado seu mandato na Presidência da República, Sarney resolveu candidatar-se a Senador. O PMDB — Partido do Movimento Democrático Brasileiro — negou-lhe a legenda no Maranhão. Candidatou-se pelo Amapá. Houve impugnações fundadas em questão de domicílio, e o caso acabou no Supremo Tribunal Federal.

      Naquele momento, não sei por que, a Suprema Corte estava em meio recesso, e o Ministro Celso de Mello, meu ex-secretário na Consultoria Geral da República, me telefonou:

      — O processo do Presidente será distribuído amanhã. Em Brasília, somente estão por aqui dois ministros: o Marco Aurélio de Mello e eu. Tenho receio de que caia com ele, primo do Presidente Collor. Não sei como vai considerar a questão.

      — O Presidente tem muita fé em Deus. Tudo vai sair bem, mesmo porque a tese jurídica da defesa do Sarney está absolutamente correta.

      Celso de Mello concordou plenamente com a observação, acrescentando ser indiscutível a matéria de fato, isto é, a transferência do domicílio eleitoral no prazo da lei.

      O advogado de Sarney era o Dr. José Guilherme Vilela, ótimo profissional. Fez excelente trabalho e demonstrou a simplicidade da questão: Sarney havia transferido seu domicílio eleitoral no prazo da lei. Simples. O que há para discutir? É público e notório que ele é do Maranhão! Ora, também era público e notório que ele morava em Brasília, onde exercera o cargo de Senador e, nos últimos cinco anos, o de Presidente da República. Desde a faculdade de Direito, a gente aprende que não se pode confundir o domicílio civil com o domicílio eleitoral. E a Constituição de 88, ainda grande desconhecida (como até hoje), não estabelecia nenhum prazo para mudança de domicílio.

      O sistema de sorteio do Supremo fez o processo cair com o Ministro Marco Aurélio, que, no mesmo dia, concedeu medida liminar, mantendo a candidatura de Sarney pelo Amapá.

      Veio o dia do julgamento do mérito pelo plenário. Sarney ganhou, mas o último a votar foi o Ministro Celso de Mello, que votou pela cassação da candidatura do Sarney.

      Deus do céu! O que deu no garoto? Estava preocupado com a distribuição do processo para a apreciação da liminar, afirmando que a concederia em favor da tese de Sarney, e, agora, no mérito, vota contra e fica vencido no plenário. O que aconteceu? Não teve sequer a gentileza, ou habilidade, de dar-se por impedido. Votou contra o Presidente que o nomeara, depois de ter demonstrado grande preocupação com a hipótese de Marco Aurélio ser o relator.

      Apressou-se ele próprio a me telefonar, explicando:

      — Doutor Saulo, o senhor deve ter estranhado o meu voto no caso do Presidente.

      — Claro! O que deu em você?

      — É que a Folha de S. Paulo, na véspera da votação, noticiou a afirmação de que o Presidente Sarney tinha os votos certos dos ministros que enumerou e citou meu nome como um deles. Quando chegou minha vez de votar, o Presidente já estava vitorioso pelo número de votos a seu favor. Não precisava mais do meu. Votei contra para desmentir a Folha de S. Paulo. Mas fique tranqüilo. Se meu voto fosse decisivo, eu teria votado a favor do Presidente.

      Não acreditei no que estava ouvindo. Recusei-me a engolir e perguntei:

      — Espere um pouco. Deixe-me ver se compreendi bem. Você votou contra o Sarney porque a Folha de S. Paulo noticiou que você votaria a favor?

      — Sim.

      — E se o Sarney já não houvesse ganhado, quando chegou sua vez de votar, você, nesse caso, votaria a favor dele?

      — Exatamente. O senhor entendeu?

      — Entendi. Entendi que você é um juiz de merda! Bati o telefone e nunca mais falei com ele.”

      (Saulo Ramos, “Código da Vida”, Ed. Planeta, 8ª reimpressão, 2007)

      • Zaratrusta
        Obrigado pelo comentário e pela possibilidade de guardar mais um significativo momento do nosso judiciário.
        A frase de Saulo Ramos diz tudo! O que esperar-se de um juiz que troca posição ao sabor dos ventos? Quando não há respeito, não existe dignidade.
        Obrigado pelo comentário e pela contribuição. Direto para o arquivo.
        Abraço e saúde.
        Fallavena

    • Marcos
      Sou daqueles que tem net para assitir debates, sessões de câmaras, assembléias, câmara federal e senado. Para a imensa maioria, coisa de maluco.
      Assisti muitas sessões do STF e de outras instância da justiça.
      Confesso, com sentimento de perda, a enorme decepção que tive com o ministro celso de Melo. Não conhecia o episódio Saulo, mas, até aqui, jamais tinha assistido escorregão maior do que este, dado por alguém que respeitava. E o verbo está no tempo certo.
      Lamentável a posição do ministro. Quando alguém, com o conhecimento e bagagem dele, começou a gaguejar, tentar desenrolar o novelo das justificativas, tive de jogá-lo no cesto com o ministro Barroso.
      O que fazer? O que estamos fazendo: pressioná-lo, democraticamente e dentro da lei.
      Agradeço teu comentário.
      Abraço e saúde.
      Fallavena

  5. Caro Fallavena,

    Golpe a golpe, post a post, comentário a comentário nós estamos há 48 dias escrevendo aqui, na TI , a história deste julgamento. Tem mais. Uma história que não está disponibilizada em nenhum outro espaço.

    Sempre respeitei o imenso conhecimento que o Decano Celso de Mello possui tanto da Constituição quanto da jurisprudência e da história do Supremo Tribunal.Sem quaisquer dúvidas ele é o mais preparado naquele plenário.

    Mesmo durante a polêmica sobre o voto favorável que pronunciou com relação aos embargos infringentes , quando da AP470, defendi-o, por duas simples razões:

    – Na primeira sessão do Julgamento do Mensalão , em agosto de 2012, Celso de Mello , ao vivo e em cores, declarara , em resposta às defesas dos réus que alegavam estar os mesmos ,no Supremo , privados do benefício de recorrer em outras instâncias , que muito ao contrário, casos tivessem eles quatro votos pela absolvição, teriam direito aos embargos infringentes, ou seja, a outro julgamento.

    – Num mundo onde a palavra dada já não vale nada, considerei corajosa a coerência de Celso de Mello , face a avassaladora pressão popular e midiática as quais se encontrava submetido. Finalmente convém não esquecer que o Decano condenou os petistas pelo crime de quadrilha, também no segundo julgamento .
    Não foi Mello que “amaciou” para os bandidos.

    Para entendermos o novo rito do impedimento, é importante colocar que Celso de Mello , quando do impeachment do ex-presidente Fernando Collor em 1992, tinha 47 anos e já era ministro do Supremo Tribunal Federal . Ele , portanto, participou da sessão administrativa realizada para decidir, então, o novo procedimento para o processo de impeachment, já que a lei 1.079/50 não estabelecia regras claras que satisfizessem às exigências do então presidente da Corte, o ex-ministro Sydney Sanches .

    O Decano participou ativamente das discussões e , por ser perito em processo penal ,foi da lavra dele, foi por ele escrita , aprovada pelo plenário do Supremo e encaminhada ao Senado UMA PROPOSTA para um novo modus operandi .

    Muita atenção: aqui nos deparamos com uma grande diferença!

    Os ministros do Supremo , naquela oportunidade, decidiram que o mais prudente seria não apresentar ao Senado um RITO pronto , acabado e impositivo para não serem acusados de ingerência sobre o Legislativo. O rito foi pois , SUBMETIDO ao Senado e APÓS ter sido aprovado, foi publicado no Diário Oficial da União de 8 de outubro de 1992.

    O que aconteceu com o rito agora? O Supremo LEGISLOU POSITIVAMENTE para suprir uma lacuna de responsabilidade do Congresso Nacional , que jamais atualizou, sabe-se lá por quais razões , a lei 1.079. Não cabe aos ministros do Supremo legislar. Não foram eleitos para tanto. E se ninguém mais soubesse disso , naquela Corte, Celso de Mello saberia.

    O ponto mais polêmico do voto de Celso de Mello , foi acompanhar o ministro Barroso ao garantir ao Senado o poder de arquivar o processo de impeachment, independentemente da decisão da Câmara de autorizar sua abertura.

    Desnecessário seria , da minha parte , repetir que o desgoverno aposta todas as suas fichas na certeza de que terá mais chances de salvar a pele no Senado do que na Câmara, que , até decisão suprema em contrário , ainda continua presidida pelo deputado Eduardo Cunha.

    Na visão do Decano , que mencionou no seu voto as consequências “RADICAIS E GRAVES” do processo , a Constituição de 1988 reduziu os poderes da Câmara dos Deputados. Nas palavras dele :

    “Não tem sentido que em matéria de tamanha sensibilidade e gravidade se estabeleça subordinação institucional do Senado à Câmara. O impeachment não pode ser degradado ou reduzido a uma figura de golpe de Estado.A função da Câmara se limita, a partir de uma avaliação eminentemente discricionária, a conceder ou não a autorização para a abertura do processo. Sem ela, o Senado não pode instaurar um processo de impeachment, mas, dada a autorização, o Senado, que dispõe de tanta autonomia quanto a Câmara, não ficará subordinado a uma deliberação que tem conteúdo meramente deliberativo e autorizativo.É imperativo que o Senado não se converta em mero executor constitucional de uma deliberação que não tem eficácia subordinativa e vinculante”

    Tal voto não se coaduna com o habitual brilhantismo dos votos do ministro.É uma fantasia para mentes vazias afirmar , na defesa desta decisão , que ela respeita o bicameralismo. Da mesma forma que não se cogita afastar um presidente da República a partir da decisão de uma Câmara dos Deputados – afinal é o Senado que julga – é desonestidade intelectual não admitir o óbvio e a diferença elementar: não cabe à Câmara julgar.

    Se Celso de Mello acompanhou o ministro Barroso, por ter ele afirmado que “o Senado não é carimbador de papéis e a Constituição não diz que um órgão constitucional está subordinado a outro”, deveria considerar que essa equação também é inversa: a Casa do Povo não pode se curvar à Alta Casa.

    É exatamente isso que alega o embargo de declaração impetrado pela Mesa Diretora da Câmara Federal , contra as decisões.

    “A premissa adotada pelo voto vencedor é absolutamente errônea, pois o que constou no respectivo acórdão foi exatamente o contrário do que disse o ministro Barroso”.

    Por incrível que possa parecer ,a petição da Câmara cita o voto do ministro Celso de Mello naquela longuínqua sessão administrativa de 1992. Disse o Decano tanto tempo faz:

    “Ao Senado Federal, constitucionalmente designado como instância concentradora do processo e julgamento do presidente da República, nos crimes de responsabilidade, IMPÕE-SE ante a autorização derivada da Câmara dos Deputados, a necessária instauração do processo de impeachment”.

    Sinônimos do verbo IMPOR :

    estabelecer instituir obrigar infligir infundir sobrepor cominar decretar ditar exigir demandar intimar mandar ordenar imputar obrigar determinar dominar forçar impelir comandar justapor ferrar preceituar induzir incutir meter arrogar superpor plantar sinalar impregnar dispor concutir impingir demarcar fixar

    Inesquecível será também , no julgamento, o papel protagonizado pelo decano, na decisão de transformar a análise das liminares em julgamento de mérito – o objeto do nosso belíssimo Mandado de Segurança. A ilegalidade ,embora sugerida pelo relator Fachin e nascida da boca do Ministro Marco Aurélio, que disse:

    – “Muito embora nós tenhamos aí o rótulo ( ADPF ) de decisão alusiva a uma medida de urgência, a uma medida que seria, de início, precária e efêmera, o julgamento que está se realizando, é um julgamento definitivo”

    Foi sacramentada alegremente por Decano Celso de Mello, nestes termos:

    – “Ah! sim ! ( risos ) Não há nem dúvida! O conteúdo das manifestações decisórias evidencia que no fundo, no fundo, nós estamos julgando o próprio mérito. Relembro que quando do julgamento da ADPF 144 ajuizada pela AMB, o pedido era de mera cautelar, mas o Tribunal o converteu em julgamento definitivo, uma vez que todos os sujeitos da relação processual intervieram com sustentações orais que denotaram exame em profundidade e não apenas cognição sumária (…) “Como há pelo menos um precedente, ele autoriza a proposta do eminente ministro Fachin.”

    Sem a interferência de Celso de Mello a “tese” não teria sido aprovada, convalando as medidas cautelares numa ADPF , sem divergências, e dando como definitivo o julgamento.

    Como se não bastasse a decepção, ontem lemos aqui na TI que um grupo superpartidário de 300 deputados , cujo porta voz é o deputado Osmar Serraglio PMDB-PR ,contestaram as decisões tomadas pelo Supremo quanto ao rito do impeachment e acusaram o Ministro Luis Roberto Barroso de ter cometido crime de responsabilidade.

    Eu fico aqui me perguntando quais seriam as manchetes civilizadas se tal número de legisladores
    da House of Commons britânica, da House of Representatives americana, da Assemblée Nationale francesa, do Bundestag alemão, da Camera dei Deputati italiana,ou do Congreso de los Diputados espanhol,
    tivesse, da mesma forma , acusado um dos ministros de suas Supremas Cortes de mentir em público , de fraudar um diploma legal, fornecendo como prova do crime, um vídeo viralizado há 45 dias na internet o qual, estranhamente a grande mídia ainda não vira?

    Com imensa tristeza recordo os nossos jornalistas amestrados fazendo selfies com a presidenta tão sorridente e – vergonha alheia! – de Luis Roberto Barroso , faz uma semana , dando aquela uma “entrevista” à revista Época , falando pomposamente dos seus arrazoados sobre semipresidencialismo, tema tão absorvente que o jornalista “esqueceu” de questionar o ministro sobre se agora é lícito se mentir de toga.

    E desanimo.

    Pois , se é verdade que “a imprensa é a vista da nação., sendo por ela que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa e se acautela do que a ameaça” ….

    então nós estamos perdendo a guerra contra os ladravazes , contra os corruptos, contra os mentirosos , contra os juízes que amputam a letra da Lei que deveriam defender , contra todos aqueles que desconhecem ser o papel do Supremo aquele de preservar as instituições, promover a Justiça e resguardar a segurança jurídica no texto constitucional , claramente desvirtuado neste triste e ILEGAL episódio da história do Supremo.

    Não é legal estimular , seja do jeito que for, a desarmonia entre os Poderes da República.

    • Prezado Moacir
      Agradeço a bondade de comentar meu comentário que, por bondade do chefe, virou texto. Arrazoados após arrazoados, num período longo para avaliações, considerando-se a fragilidade mental e falta de preocupações de boa parte de nossa sociedade, este espaço, nosso espaço na TI, é grandioso pela magnifica possibilidade que nos proporciona ao debate e ao crescimento humano.
      A cada dia, novas conquistas pessoais e coletivas, nova troca de experiências e de informações que nos ajudam a compreender, se não no todo, boa parte das mazelas que as ultimas décadas nos obrigaram a conviver.
      Também eu, por vezes, sinto um desânimo imenso.
      E ultimamente, nestes momentos, lembro das palavras que o pai do filósofo Clóvis de Barros Filho lhe disse:: “recuar, nem para tomar impulso”!
      E é assim que muito de nós somos. Desanimar? Só por instantes. Desistir? Jamais.
      Um fraterno abraço.
      Fallavena

  6. Fallavena, quero agradecer pelo seu texto e aos comentaristas, que me fizeram lembrar uma frase fantástica que ouvi em reunião de advogados bem situados nas esferas brasilianas, quando fui, a convite, expor-lhes e pedir apoio àquela causa esdrúxula da fraude constitucional do Jobim, no artigo 166, que vale como Constituição desde 1988 até hoje, mas… não foi votado no 1º turno da Constituinte.

    A história toda, não vou repetí-la agora, porque me convenci de que aos cidadãos comuns, ela não choca. Espanta, talvez, mas chocar, não choca. Todos deixam batido e segue o governo pagando R$ 2,4 bilhões por dia – todo dia, de 1995 até hoje, em valor atualizado – ao Sistema Financeiro, sem qualquer controle congressual graças ao indigitado artigo.
    E o problema real da Nação fica sendo correr atrás dos R$ 2,4 bilhões de amanhã…

    Muito bem, na reunião, exposta a tese, mostradas as provas e as decisões até ali, vira um deles e me diz, com toda tranquilidade, mais ou menos assim:

    “Esta sua tese, Luiz, é de solução muito difícil. E, além de tudo, mesmo que você convença alguns a mudar o que está feito, os juízes decisores, lá na última instância, podem alegar a Teoria do Caos e negar tudo. Eu não creio que você consiga.”.

    Perguntei o que seria esta Teoria do Caos e ele arrematou:
    “É quando o Juiz considera que a mudança vai levar a situação a um nível pior do que estava naquela ocasião. Se ele assim considerar, que vai ficar pior, ele pode, com base nesta Teoria, bloquear ou evitar a mudança”…

    Entendi, na hora, algumas coisas:
    1) A coisa mais importante: que este é um país sem Leis.
    Pois só vale a Lei que convém a quem decide.
    Como valem também as Leis que não afetam quem decide.

    2) Que estamos numa ditadura do Judiciário.
    Pois além de decidir como quiser, inclusive fora da Lei, como muitos fazem (Barroso e outros que me desmintam…), ainda por cima, a seu exclusivo arbítrio, têm a Teoria do caos para apoiar qualquer decisão ilegal que decidam tomar.

    3) Que a totalidade dos brasileiros, dos que sabem aos que não sabem, dos que entendem números aos que não entendem números, dos indignados aos omissos, todos (peço desculpas pelo exagero, mas é quase verdadeiro) enfim, preferem discutir e se opor à corrupção diária, cotidiana, permanente, acachapante, desnorteante mas só, e somente só, nesta escala pequena.

    Todos se revoltam com a corrupção dos mil ou dos milhões. Estão ousando alguma coisa na corrupção dos bilhões das empreiteiras, Petrobrás e outras.
    Mas descartam completamente a corrupção dos TRILHÕES.

    A escala astronômica da corrupção trilionária não alcança a indignação das pessoas. Concluo que como sempre pensam, agem, vivem e atuam muito aquém disto, deixam tudo para lá quando o número aumenta deste tanto.

    Arredondado, sem emoções, sem ideologias e sem contestação, o número é este:
    R$ 2,390 bilhões por dia, de 1/1/1995 a 31/12/2014.

    Então, qual é o total no período, só deste gasto, sob a tutela generosa do artigo 166?
    R$ 17,44 TRILHÕES já pagos, dados, cedidos, concedidos, privatizados ou que tais…

    Quem quiser conferir: 2,39 bilhões x 20 anos x 365 = R$ 17,44 TRILHÕES.
    Pagos no período 1995-2014, sem controle congressual, governamental ou cidadão.

    Madame (créditos ao Carlos Chagas) acaba de vetar uma Lei que permitiria uma auditoria cidadã das contas cotidianas do governo… Reação? Nenhuma.

    E olhe que esta não seria a Auditoria Constitucional prevista no artigo 26 das Disposições Transitórias e até hoje não realizada.
    A OAB patrocina uma ADPF a respeito desde 2004, mas nada ocorreu, de efetivo.

    Onze anos de um pedido ao STF, de simples obediência à Constituição!
    E nada ocorre! Nada se decide!
    Nem sim, nem não, continua tudo como dantes, no quartel de Abrantes…

    Curiosidade adicional: em 11/2013 levei pessoalmente à mesma OAB, lá em Brasília e às minhas custas, o tema, as provas, as decisões e os números resultantes da questão do 166. Até hoje, 2/2016, nenhuma resposta. Nenhuma, silêncio absoluto.

    Não comentaram, sequer, a decisão do Janot, absurda per se.
    OAB agindo no artigo 26, legítimo, e omitindo-se no 166, ilegítimo.
    Que situação vivemos hoje!!!

    Paradoxo a se destacar: o art. 26, legítimo e constitucional, descumprido por 27 anos.
    E o artigo 166, ilegítimo e fraudado, aplicado firme e forte, pelos mesmos 27 anos…

    Adaptoo à realidade a indagação conhecida, do Francelino:
    Que m… de país é este, Francelino?

    Ninguém vai me tirar a razão…

  7. Cordioli,
    EXCELENTE e oportuno comentário!
    Essa maracutaia inserida como texto Constituinte pelo Jobim é uma AFRONTA!
    Mas quem vai se pronunciar? A Mídia? Os Maçons? As FFAAs Maçonica Fabiana e alinha com as diretrizes da Plutocracia Transnacional na implantação da Nova Ordem Mundial SIONISTA ESCRAVOCRATA?
    Estamos no SAL meu caro Watson, e todas as nossas “lideranças” (fantoches) SÃO COOPTADAS para assumir a “gestão” do que irá restar do país após a debacle!

    • Prezado Cordioli,
      Seu comentário-depoimento acima é para mim uma peça de valor histórico, antológico, uma verdadeira obra-prima de revelação!

      A densidade e importância da experiência que revela, de forma tanto abrangente, como minuciosa e primorosamente detalhadas e analisadas, é única, além de transparecer com grande elegância a envergadura e a estatura de sua consciência, valores morais e de cidadania! É, esteja seguro, uma revelação no sentido mais preciso da palavra, de muitos e profundos sentidos e significados!

      Como muitos já devem ter identificado através dos comentários que tenho postado por aqui, tenho a característica de fazer uso intensivo de adjetivos, superlativos e de maiúsculas (caixa-alta), muitas vezes cansativos, reconheço, para tentar transmitir ênfase aos conteúdos que se apresentam densos de significado. No caso desse comentário, vou me abster do uso desses recursos, pela redundância que representaria reforçar todo o significado de sua explanação.

      Já o “copiei e colei” para tê-lo como precioso embasamento de futuras argumentações que seguramente virão a acontecer, visto que também é assunto expoente de minha preocupação, dentro do cenário de ataques que nossa sociedade está deliberadamente sendo submetida.

      Desde que tomei conhecimento, recentemente, de uma palestra da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, proferida por Maria Lúcia Fattorelli, em 2013, que passei a analisar todas as notícias, pelo filtro do impacto econômico e social que causam, o que passou a revelar “com clareza 5”, os vínculos existentes nas entrelinhas dos noticiários, como um processo estruturado de extrema competência para dilapidação de nossa riqueza, focados atualmente nos recursos oriundos do Pré-Sal, como da Previdência Pública (FUNPRESP) e privada (Fundos de Pensão), que leve a uma convulsão social em larga escala, e que vem sendo mantida amplamente desfocada da percepção pela população pela coparticipação integral dos veículos de “alienação de massas” tradicionais.

      Dessa forma, seu comentário-depoimento acabou por se transformar numa “peça-chave” de validação de tudo que vem sendo revelado sobre a verdadeira dimensão dessa armadilha mortal que estamos acompanhando a aproximação no horizonte. Como já apresentei recentemente em outro comentário, esse “ardil” não é propriamente uma novidade. Ele é repetitivo e foi identificado e denunciado a mais de século, através do seguinte relato extraído descrito no livro “Descent into Slavery” de Des Griffin:

      • “1891: Um dos líderes do Partido Trabalhista britânico em formação faz a seguinte declaração sobre os Rothschilds,
      • “Essa equipe de sugadores de sangue têm sido a causa de prejuízos e miséria incalculáveis na Europa durante o século presente, e acumulou sua riqueza prodigiosa principalmente através de fomentar guerras entre Estados, que nunca deveriam ter ocorrido.
      • Sempre que existem problemas na Europa, onde circulem rumores de guerra e as mentes dos homens estiverem destroçadas pelo medo de mudanças e de calamidades podem ter certeza de que um Rothschild de nariz adunco está em seus jogos em algum lugar próximo da região da perturbação. “
      • Comentários como esse preocupam os Rothschilds e lá pelo fim de 1800 eles compram a agência de notícias Reuters, para que possam ter algum controle sobre a mídia.”

      A capacidade de reutilização infinita desse ardil provém exclusivamente do nível de supressão das informações que apresentam real relevância no combate ao processo autofágico da vida (escravização), para impedir que seja detectável (e consequentemente combatido) que a Plutocracia consolidou com o decorrer do tempo, através da cooptação praticamente total dos meios de comunicação que passaram a dominar, para a consecução de seu projeto de apropriação das nações com o objetivo de implantação de um governo mundial.

      São inúmeras as publicações que vêm denunciando esse imbróglio, mas poucos os que são mais significativos foram traduzidos para o português, ou tiveram sua divulgação liberada, como o apócrifo Protocolos dos Sábios do Sião, pois, somos desde sempre, para a plutocracia, uma colônia para ser explorada, e certamente não é interessante que os cidadãos dessa “província” passem a atinar quais sejam os verdadeiros desígnios de nossa região!

      Como fonte de consulta sobre essa conspiração secular, recomendo a leitura e pesquisa nas seguintes publicações/autores:
      – Nova Ordem Mundial (New World Order) – de Samuel Zane Batten (1919 – apenas em inglês)
      – A Revolução Mundial (World Revolution) – de Nesta Helen Webster (1921 – apenas em inglês)
      – Protocolos dos Sábios do Sião – livro tido como apócrifo e produzido após a Conferência Sionista de 1898
      – Admirável Mundo Novo – de Aldous Huxley lançado em 1932
      – 1984 – de George Orwell lançado em 1948
      – A Revolução dos Bichos – de George Orwell lançado em 1950
      – Descent to Slavery – de Des Griffin (1976 – apenas em inglês)
      – Palestra de Maria Lúcia Fattorelli sobre a Auditoria Cidadã da Dívida, principalmente o que é demonstrado entre os 15 e os 30 minutos do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=JaKOmQTW3ZY

  8. Luiz Cordioli
    Que merda de país é este?
    Nos últimos 25 anos, tenho me feito e para muitos também, uma pergunta quase igual, não fosse o endereçamento.
    Quando dizemos que o país vai mal, que o país é isto ou aquilo, no fundo, bem lá no fundo, deveríamos perguntar: “que merda de povo é o nosso.”
    Faz\ muito, aqui e ali, tento mostrar, pelo menos no meu modesto modo de ver as coisas, que o país é ótimo mas, que no entanto, o povo, por sua maioria, é muito ruim.
    alguns repelem minha posição e alegam que “as elites” é que são ruins.
    Talvez sejam as duas coisas, ao mesmo tempo, na mesma proporção.
    E se assim for, não temos solução! Povo burro e elite vigarista é um soma que não nos levará a lugar algum, pelo menos lugar bom.
    Amigo, no fundo as elites e os detentores dos mandatos sabem que nosso povo é desorganizado, molenga e formado por uma maioria de “cidadãos” que esperam pelos outros.
    Tu tens a razão. É preciso continuar lutando por ela.
    Retribuo o teu agradecimento. É preciso continuar e continuaremos.
    Abraço e muita saúde.
    Fallavena

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