Dilma “lamenta” a demissão de Rossi. Na realidade, ela não demite ninguém. Apenas deixa que apodreçam no cargo. Será sadismo ou imobilismo?

Carlos Newton

Como se sabe, a presidente Dilma Rousseff divulgou ontem mesmo uma nota comentando o pedido de demissão do ministro Wagner Rossi, da Agricultura, que é um primor de boas maneiras, em meio a um verdadeiro escândalo de corrupção, que aumentava cada vez mais.

Lamento profundamente a saída do ministro Wagner Rossi, que deu importante contribuição ao governo com projetos de qualidade que fortaleceram a agropecuária brasileira.

Agradeço seu empenho, seu trabalho e sua dedicação.

Lamento ainda que o ministro não tenha contado com o princípio da presunção da inocência diante de denúncias contra ele desferidas“, disse a presidente, cumprindo apenas um protocolo, em respeito ao fato de Rossi ser indicado pela base aliada, ou melhor, diretamente pelo vice-presidente Michel Temer.

Na realidade, a saída de Rossi, que já tinha se tornado indefensável, foi um alívio para o Planalto, que se livrou de mais um fardo do governo anterior, pois antes de ser ministro em abril de 2010, ele presidiu por três anos a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), estatal que concentra as irregularidades no Ministério da Agricultura.

Como aconteceu com Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes), mais uma vez a presidente Dilma deixou marcado seu estilo, ou melhor, sua falta de estilo. Enquanto o então presidente Itamar Franco não titubeava quando havia denúncias de corrupção em seu governo, afastando imediatamente o envolvido, até que provasse ser inocente (como aconteceu com o próprio chefe da Casa Civil, Henrique Hargreaves, um de seus amigos mais próximos), a presidente Dilma faz o exatamente o contrário.

Ou seja, a chefe do governo simplesmente não faz nada. Deixa o escândalo aumentar, fica solidária com o ministro acusado, dá declarações de apoio e tudo o mais, e ele que peça demissão, quando bem entender. Foi assim com Palocci, com Nascimento e com Rossi. E está sendo assim também com o ministro Pedro Novais, do Turismo, mais um morto-vivo a perambular pela Esplanada dos Três Poderes, como um velho zumbi de terno e gravata.

E assim vai se fazendo a reforma do ministério, que até agora só tem alçado ao poder figuras verdadeiramente inexpressivas: nos Transportes, esse José Paulo Passos, (personagem altamente suspeito, como já comentamos no blog); na Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (aquela que desconhece a origem dos recursos do BNDES e diz que não é dinheiro público); e na Defesa, o diplomata Celso Amorim (que levou o Brasil a assinar um tratado internacional lesivo aos interesses do país).

E vamos em frente, já sabendo que a próxima vítima dos escândalos de corrupção será o ministro do Turismo, Pedro Novais, que qualquer hora também vai se mancar e pedir exoneração, já que a presidente Dilma Rousseff decididamente não demite ninguém. O caso de Nelson Jobim foi só uma exceção, porque ele fez de tudo para sair. Se quisesse, ficava na Defesa até o final dos tempos.

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