Dilma, Aécio, Ciro e Eduardo Campos dão a largada para 2014

 Pedro do Coutto                              

Numa entrevista ao Valor, sexta-feira passada, 18, texto de Raquel Ulhôa, foto de Rui Baroni, o ex-ministro Ciro Gomes anunciou sua disposição de ser candidato à presidência da República na sucessão de 2014, pelo PSB, seu partido. Voltou de uma permanência de seis meses nos Estados Unidos e se lançou, penso eu, para neutralizar a movimentação do governador Eduardo Campos, também do PSB, que iniciou articulações visando o plano nacional.

Ou um ou outro. A legenda – aliás nenhuma delas –  não pode ter dois candidatos. No PSDB, Aécio Neves iniciou a campanha, livrou vantagem sobre José Serra, duas vezes derrotado, mas hesita em assumir um discurso de oposição ao governo. Falta falar no PT. Ou reeleição de Dilma Rousseff, ou nova candidatura de Lula. De qualquer forma, porém, é natural que a presidente da República se prepare para disputar a recondução ao Palácio do Planalto. Por isso, não pode se distanciar de seu antecessor e taticamente aguarda uma definição a respeito das eleições de 2012 para a Prefeitura da cidade de São Paulo.

Esta provavelmente é a razão que explica tanta protelação em demitir o ministro Carlos Lupi, completamente prisioneiro de uma teia política que ele próprio armou em sua incompetência. Total. Tornou-se quase um ex-ministro na sombra do ridículo. Mas Lula pediu por ele. Mesmo assim será impossível Dilma Rousseff mantê-lo. Cada dia de sua permanência na esplanada de Brasília é, pelo menos, um ponto que a presidente perde junto à opinião pública. O desastre é maior do que Lupi e o pedido de Lula juntos.

Mas, por seu turno, Dilma espera o resultado da candidatura do ministro Fernando Haddad. Ela, que sempre desejou exonerá-lo, apóia sua candidatura, já que esta é a forma mais fácil de vê-lo pelas costas. E se em outubro de 2012 ele perder nas urnas, ainda melhor para ela. A derrota terá sido de Lula, não dela. A estrada do PT fica mais aberta para vencer novamente. O desfecho deixará a sensação de que Luiz Inácio da Silva não é invencível. É invencível, isso sim, quando une sai popularidade à capacidade de quem apóia.

Vamos convir: depois dos desastres das três cartilhas trágicas, uma com erros de português, outra com erros de aritmética, a terceira um pornô contra a homofobia, além da falha do Enem, dificilmente o hoje ministro da Educação poderá resistir à rejeição amanhã.

O caminho de Aécio Neves é fácil: não há, na oposição, obstáculos à sua frente. Mas o êxito nas urnas é difícil. Dilma e Lula têm a seu favor a política salarial incomparavelmente melhor, para os assalariados, que a do governo FHC, cuja imagem está ligada à oposição. Para eliminar tal argumento eleitoral, será necessário a Aécio Neves comprometer-se a ir além do que foi nesse campo a aliança PT-PMDB. E tal engajamento acarretaria a ruptura entre a oposição e as classes conservadoras da sociedade. A estabilidade política e institucional do esquema de poder em vigor baseia-se exatamente em suas coisas: o reajuste dos salários e o freio às privatizações de empresas estatais. São, ambos os temas, amplamente populares.

O PMDB, no plano nacional, não vai romper a coligação. Pelo contrário, se o PSB sair dela, lançando Campos ou Ciro, mais o PT e o governo vão necessitar do partido de Michel Temer e José Sarney. Por que motivo o PMDB deveria romper? Eles não tem votos para vencer sem o PT e o Partido dos Trabalhadores não tem base parlamentar no Congresso sem o PMDB. Não podem brigar entre si. Seria uma luta em que ambos perderiam espaço. E o PMDB não vai querer perder espaço algum. Tampouco o PT. Dentro deste quadro, hoje inevitável, não há como o PSB levantar vôo próprio. Não vencerá nem a lei da gravidade, nem a lei da realidade. Mas o jogo já começou.

 

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