Dilma, agora, deve reunir os governos e os governantes

Pedro do Coutto 

No lançamento do marco regulatório da mineração no país, a presidente Dilma Rousseff, reportagem de Catarina Alencastro e Luiza Damé, O Globo de 19, afirmou que os protestos desencadeados em série são um alerta a todos os governantes. Acentuou que seu governo trabalha para melhorar a vida do povo está atento à voz das ruas. Comprometeu-se a fazer mais, o que não deixa, penso eu, de ser uma forma de propor um entendimento tácito. De outro lado, reconheceu que nas manifestações há um repúdio à corrupção no país, mas frisou que o recado não é apenas para um governo ou um poder.

Para ela, a mensagem direta das ruas é pelo direito de influir nas decisões de todos os governos, do Legislativo e, neste ponto, incluiu até o Judiciário. E de repúdio à corrupção e ao uso indevido do dinheiro público. A presidente da República colocou bem a questão, de forma essencial, porém em termos teóricos de análise. Como ela  é a chefe do Poder Executivo, para conduzir a teoria ao campo da prática, concretamente, deve começar reunindo em Brasília os governadores e prefeitos de cidade maiores, como Rio e São Paulo, e discutir abertamente os temas que elam própria agendou como prioritários.  Sobretudo porque ela acrescentou – está no texto de O Globo – que a mensagem direta das ruas comprova o valor intrínseco da democracia, da participação dos cidadãos e cidadãs em busca de seus direitos.

O QUE FALTA?

– Minha geração, prosseguiu, sabe o quanto isso nos custou – disse, referindo-se ao passado da ditadura militar. Hoje, no presente e no poder, ela conquistou todas as condições de realizar o projeto de desenvolvimento econômico e social com que sonhou ontem. O que falta?  – pergunta-se.

Exatamente a sintonia com as ruas cuja voz ela afirma ouvir. Tanto assim que assinalou que o Brasil acordou mais forte. A grandeza das manifestações comprova nossa energia democrática e o civismo da nossa população. É bom ver tantos jovens e adultos juntos cantando o hino nacional  dizendo terem orgulho de serem brasileiros. Defendem um país melhor.  O Brasil tem orgulho deles. Como não podia deixar de ser, lamentou os atos de violência e as depredações de patrimônios públicos e particulares. Devemos entretanto louvar o caráter pacífico das manifestações.

A questão, portanto, está colocada como um compromisso e um desafio. Deverá, como eu disse há pouco, reunir primeiro seu próprio governo, analisar falhas e equívocos, em seguida reunir-se com os governadores, para traçar em conjunto normas construtivas que vão ao encontro das populações. A partir daí, ações concretas que possam refletir os anseios populares. Não se trata de dividir responsabilidades, pois as dos governos são intransferíveis. Mas ouvir e convergir para um propósito comum. E pra evitar a repetição do que está acontecendo com prefeitos obrigados a recuar de aumentos que autorizaram nas passagens de ônibus. A força da opinião pública cresce e projeta-se em desfechos assim. Teria sido infinitamente melhor estudar mais a questão, sobretudo a reação, do que praticar  um ato para  revogá-lo depois.

Há no país um mar de anseios e reivindicações. Entre as reivindicações o combate à corrupção, pelo caráter singular de que se reveste: reduzi-la, não para a transferir ao bolso dos manifestantes, mas para que haja recursos para os setores essenciais e básicos à existência humana. Entre eles, como fatores indispensáveis, a dignidade e a ética, dos quais direta e indiretamente dependem todos os outros.

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3 thoughts on “Dilma, agora, deve reunir os governos e os governantes

  1. Queria registrar que o combate a corrupção não deve envolver só o secretário de saúde que desvia para o seu bolso e para o bolso de sua gangue milhoes ou bilhoes – esses principalmente. Mas também há de se combater os enfermeiros e médicos que não cumprem seus horários; seus plantões – apesar de receberem como se tivessem cumprido. Sem contar que também há notícias, pouco divulgadas, de pequenos furtos por parte desses profissionais: remédios, esparadrapos…

  2. Pelo fato deste tipo de manifestação no país ser impar. Pelo fato, este, pode-se dizer, histórico, das consequências advindas das manifestações públicas nutridas pelas “redes sociais” não poderem ser mensuradas ou previstas. Caberá aos atuais governantes responder com rapidez às vozes das ruas, sob pena de ampliá-las exponencialmente, como hoje podemos constatar.
    Responderam tardiamente ao pleito legítimo do protesto contra o aumento das tarifas dos transportes públicos e o que vemos hoje? O recuo do movimento social que o criou, mas, uma avalanche de outros protestos que dele se originou.
    Talvez a morosidade no entendido de que a pressa, nos tempos de comunicação tão veloz, seja amiga, não da perfeição, mas, seja a única arma para tentar aproximar-se dela.
    Neste aspecto, seria bom que os letárgicos governantes, comecem a pensar uma melhor maneira de responder ao combate à corrupção, vez que respostas para saúde e educação podem ser alçadas com concretas reformas e investimentos, contudo, à corrupção, talvez um rápido desfecho na punição dos mensaleiros venha abrandar os ânimos da população.
    Neste aspecto fico a pensar: quanto tempo levará para Lula e Dirceu enxergarem isto?

  3. O pronunciamento da Presidenta ridículo isso Presidenta ela deve estar de brincadeira, foi a posse do papa com uma comitiva digna do Rei da Arábia, aconteceram tantas críticas que ela resolveu proibir da divugação dos gastos, e como se não bastasse foi para África com empreiteiras perdoar dívida de ditadores e emprestar dar dinheiro do nosso BNDES que os políticos acham que é deles, senhora presidenta mais respeito com a inteligência do brasileiro.

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