Dilma assumiu um risco ao assegurar Joaquim Levy na Fazenda

Pedro do Coutto

Em entrevista na Suécia, onde se encontrava domingo, reportagem de Martha Beck e Fernanda Krakovics, O Globo de ontem – a presidente Dilma Rousseff assumiu um alto risco político ao assegurar que o ministro Joaquim Levy permanece na Fazenda, portanto no governo. Alto risco de sofrer um reflexo negativo na hipótese de, amanhã ou depois, o próprio Joaquim Levy não resistir às pressões de Lula e do PT e decidir deixar a pasta. Dilma Rousseff falou por ele, divulgou como dele a sua posição pessoal, deixou de levar em consideração as circunstâncias que, como se sabe, mudam a todo instante.

Na sua manifestação, manchete principal do jornal, manchete também da Folha de São Paulo, a presidente da República rebateu diretamente as declarações de Rui Falcão, presidente do PT, publicadas na véspera pela FSP, nas quais, praticamente em nome do partido, exigiu mudanças nos rumos da política econômica. O confronto, assim, está colocado frontalmente e de forma irrecorrível Ou o ministro muda de objetivo ou, caso contrário, perderá ainda mais apoio na difícil tentativa de reimplantar a CPMF. É necessária emenda constitucional, que depende de aprovação de 373 dos deputados e senadores.

O presidente do Partido dos Trabalhadores não pode recuar, muito menos a presidente Dilma Rousseff. O primeiro seria desmoralizado na hipótese de a bancada votar um conteúdo que ele publicamente condenou. Dilma sofreria um esvaziamento se sua afirmação não vier a confirmar-se. Enfim, como a opinião pública constata, um problema dos maiores. Um risco desnecessário. Para o governo, sobretudo. Porque, em matéria política, os exemplos históricos desaconselham decisões absolutas, ainda mais em nome de terceiros, como fez a chefe do Executivo.

SEM A CPMF

De outro lado, a presidente Dilma afirmou ser muito difícil estabilizar as contas do governo e a economia do país sem contar com a receita a ser produzida pela CPMF. Ela calcula que a arrecadação será de 32 bilhões de reais. Francamente, acentuo eu, é um volume muito pequeno num orçamento superior a 3 trilhões de reais. O que está sendo executado agora, em 2015, é de 2,9 trilhões. A proporção de 32 bilhões de reais, assim, apresenta-se concretamente muito pequena. Além do mais, ao contrário do que costuma afirmar Joaquim Levy, a parcela não representa influência alguma para diminuir a dívida interna brasileira, não significando nem dez por cento dos juros anuais que têm de ser pagos.

Vejam só os leitores, entre eles Flávio Bortolotto e Wagner Pires. Há duas semanas, aproximadamente, o Banco Central informou que a dívida interna federal alcançava 2,6 trilhões de reais. Uma vez o ministro Nelson Barbosa a havia estimado em 62% do PIB, portanto algo em torno de 3,3 trilhões. Mas vamos ficar na escala de 2,6 trilhões. Os juros têm que incidir sobre tal montante. E quanto são esses juros por ano?

Atingem 14,75%. Dessa forma, vemos que a taxa representa uma obrigação de cerca de 400 bilhões a cada doze meses. Eis a diferença entre este compromisso e a projeção calculada para a receita decorrente da CPMF. Com a CPMF, nossa dívida nunca diminui coisa alguma.

5 thoughts on “Dilma assumiu um risco ao assegurar Joaquim Levy na Fazenda

  1. Parabéns Pedro do Coutto pelo artigo:

    Licença Poética =

    Estrofes Militantes

    Quadras PSB Zen

    Antonio Rocha

    Meu Socialismo
    É o de Gandhi
    Oro pelo PSB
    Que seja Grande.

    Seja Ético
    Tenha Moral
    Ajude o Brasil
    É o Principal.

    Não estou falando
    De moralismo barato
    Falo do Filosófico
    Tão Nobre Ato.

    – o presidente do PSB, Carlos Siqueira, me avisou, via e-mail: quinta-feira, 22/10/15, tem programa na TV. Eis os meus votos para a agremiação que tem como símbolo a Pomba do Espírito Santo.

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO, excelente Analista Político-Econômico, nos informa que a presidenta DILMA assumiu um risco calculado bastante alto ao assegurar ontem na Suécia, enfrentando a dura crítica do ex-Presidente LULA e da maioria do PT, a permanência do ministro da Fazenda JOAQUIM LEVY. Concordamos com a análise, existe risco, mas achamos que a Presidenta fez o certo.
    Também concordamos que a proposta de CPMF de 0,20% ou 2/1000, não é uma boa solução, uma vez que é um Imposto em cascata, regressivo, muito prejudicial a Indústria, e que no fundo não arrecada tanto assim, estimado em +- R$ 32 Bi/Ano, nem 10% dos juros da Dívida Pública/Ano.
    Nossa situação em números redondos:
    Total do Orçamento Federal 2015…………………………………………………………………………….R$ 2.900 Bi.
    Previsão Arrecadação de Impostos, com viés negativo devido a recessão…………………..R$ 1.400 Bi.
    Participação Lucros Estatais/Outras receitas…………………………………………………………….R$ 100 Bi.
    Como fazer, para financiar os Juros/2015 de R$ 400 Bi, e R$ 1.000 Bi, para fechar o Rombo?
    Os Juros de R$ 400 Bi, incorporá-los inteiros ao Principal da Dívida em 2015, aumentando os Juros para o ano que vem.
    Os R$ 1.000 Bi, necessários para o giro da Dívida, vender novos Títulos para ir pagando os velhos vencidos.
    Mas vejamos que numa Economia de PIB R$ 5.500 Bi, retirar R$ 1.000 Bi/Ano para girar a Dívida, é tirar muito recurso da Economia Real que gera Emprego/Renda, para alimentar cada vez mais o setor Rentista que não gera Emprego/Renda. Isso não é sustentável. Temos que criar SUPERAVIT PRIMÁRIO. Criado o Superavit Primário, quanto maior melhor, a CONFIANÇA voltará, a Iniciativa Privada voltará a INVESTIR e a Economia voltará a crescer.

    Como criar um Superavit Primário para 2016?
    1- Uma vez que o Banco Central já demonstrou AUTONOMIA, e que a Recessão está maior do que o previsto, reduzir gradualmente a SELIC, já amanhã em 0,25%aa, e a partir dali o máximo que se puder, sabendo que cada redução de 01% de SELIC representa +- R$ 30 Bi/Ano de economia de juros no Orçamento Federal.
    2- Reduzir em 12% a despesa da Folha de Pagamentos Federal que é de R$ 260 Bi/Ano, via um Programa de Lay-Off ( Redução de Carga Horária e Vencimentos), o que daria +- R$ 31,2 Bi/Ano, praticamente o mesmo que a CPMF 0,2%/Ano.
    3- Criar uma Alíquota especial de Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas e Físicas acima do máximo atual de 27,5%, para 32,5%, válida por 3 Anos. Aumentar a CIDE só da Gasolina. Etc.
    4- Dar o bom exemplo de AUSTERIDADE de cima para baixo, em tudo. Abrs.

    • Bons números do Sr. Bortolotto.

      Só vou discordar da redução da taxa selic neste momento. Mesmo porque nem o ajuste fiscal ainda saiu e há um longo caminho até que a inflação mostre convergência para o centro da meta do Banco Central.

      Por culpa da Dilma, principalmente, e agora da disputa política, estamos apenas no início da promessa de ajuste.

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