Dilma conseguiu desmoralizar totalmente o ministro Levy

Carlos Newton

O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, antes festejado como herói da pátria, está hoje totalmente desmoralizado e sequer foi convidado para a reunião da cúpula do governo, no final de semana. A presidente Dilma Rousseff, que insiste em acumular as funções de ministro da Fazenda, deixa com Levy apenas a função de tentar um acordo com as lideranças do Congresso, para ver se aprova o pacote fiscal, que não é criação individual dele e foi confeccionado sob medida para ela.

Cumprindo essa função de leva e traz, Levy esteve nesta segunda-feira no Senado, onde se reuniu com o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL), o líder do PMDB, Eunício de Oliveira (CE) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR).

Na saída, foi cercado pelos repórteres e afirmou que será difícil conduzir junto ao Congresso a discussão dos ajustes propostos pelo governo para reduzir o deficit de R$ 30,5 bilhões do Orçamento deste ano. Mas isso todo mundo sabia, menos ele, o distraído Levy.

SACRIFÍCIO

A repórter Mariana Haubert, da Folha, contou que após o encontro, que durou uma hora e meia, Levy afirmou também que a questão do Orçamento “é uma discussão importante, uma discussão que a gente sabe que é difícil. Porque é lógico que, toda vez que você tem uma desaceleração econômica, há um sacrifício de todo mundo, um esforço de todo mundo, e o esforço nunca é pequeno, mas, enfim, é uma discussão muito importante para a gente dar rumo”, disse Levy.

Como esse comentário, o ministro tocou no ponto principal da questão – o sacrifício de todos. Pois é justamente isso que precisa ser buscado, mas o Planalto e a equipe econômica não se esforça em fazê-lo. O governo não está assumindo sua parte neste sacrifício e está poupando os banqueiros, conforme denuncia o presidente da Confederação Nacional da Indústria, Robson de Andrade, que até tem ironizado o fato de Levy ser empregado do Bradesco.

PACOTE É UMA FARSA

A economia está derretendo e o governo adia cada vez o ajuste fiscal. Não corta despesa, a redução dos ministérios será apenas cosmética, com as pastas maiores absorvendo as menores. Não haverá cortes de despesas de custeio, não será feita a redução de cargos comissionados, assim como não se cogita da extinção dos cartões corporativos nem se almeja o fim dos repasses às ONGs que vivem à custa do poder público.

Até o ex-ministro e ex-deputado Delfim Neto, que desde a posse de Lula em 2003 vinha defendendo o governo, já jogou a toalha e agora diz que o pacote é uma farsa, uma fraude, porque não corta nada.

E a dívida pública, que estava em 51% do PIB, dispara para 67% no final deste ano e se torna impagável, devido ao próximo vencimento da maior parte dos títulos, enquanto a presidente Dilma e seu serviçal Aloizio Mercadante fingem que não está acontecendo nada.

Mas que país é esse?, podemos perguntar ao Francelino Pereira, que nos encaminhará ao Renato Russo, que nos remeterá ao Renato Duque, sem que ninguém responda nada.

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