Dilma denuncia o “golpe”, mas não cita a preservação dos direitos políticos

Brasília - Após o impeachment, a ex-presidenta Dilma Rousseff faz pronunciamento no Palácio da Alvorada. Ela disse ter sofrido o segundo golpe de Estado em sua vida (José Cruz/Agência Brasil)

Cercada de petistas, Dilma faz seu último discurso

Felipe Pontes
Agência Brasil

Em discurso inflamado no Palácio da Alvorada, duas horas após o Senado aprovar seu impeachment, a ex-presidenta Dilma Rousseff afirmou ter sido vítima de um golpe “misógino”, “homofóbico” e “racista”. Ela afirmou que não gostaria de estar na pele dos que “se julgam vencedores”. Sem demonstrar abalo emocional, Dilma disse que continuará a lutar “incansavelmente por um Brasil melhor”. Ela convocou seus eleitores e as “forças progressistas” a resistirem contra o que disse ser uma agenda de retrocessos sociais do novo governo do presidente Michel Temer, que seria contra as principais bandeiras de movimentos sociais.

Dilma falou sob os olhares sérios do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do presidente do PT, Rui Falcão, bem como de senadores que votaram contra o impeachment e foram prestar solidariedade à ex-presidente. “Isso não vai nos deixar de cabeça baixa, vamos ficar altivos e determinados para que um novo golpe não seja dado contra a Constituição”, afirmou a senadora Gleisi Hoffman (PT-PR), após o discurso.

“Haverá contra eles a mais determinada oposição que um governo golpista pode sofrer”, prometeu Dilma.

SEM PERGUNTAS – Logo após o término do discurso, Dilma foi abraçada pelo senador Jorge Viana (PT-RS) e pelo ex-ministro do Esporte Aldo Rebelo. Ela saiu sem responder a perguntas dos jornalistas. Bastante sério, Lula foi também um dos primeiros a se retirar para o interior do Alvorada, cujo salão da entrada principal ficou lotado de jornalistas brasileiros e estrangeiros. Em seu discurso, Dilma também criticou a imprensa.

“O projeto nacional progressista, inclusivo e democrático que represento está sendo interrompido por uma poderosa força conservadora e reacionária. com o apoio de uma imprensa facciosa venal”, afirmou.

Representantes da mídia alternativa e de movimentos sociais também tiveram a entrada autorizada e permaneceram no local proferindo gritos de ordem contra o agora presidente Michel Temer, até serem retirados pelos seguranças.

APELO ÀS MULHERES – O discurso de Dilma teve também forte apelo às mulheres brasileiras, a quem ela rogou a não recuarem diante da “misoginia” de quem perpetrou o que chamou de golpe.

“Às mulheres brasileiras que me coloriram de flores e de carinho peço que acreditem sempre que vocês podem”, disse, dando como exemplo de superação a sua chegada à Presidência da República. “Abrimos um caminho de mão única rumo à igualdade”, disse Dilma.

CARDOZO INSISTE – Ainda no salão do Alvorada, o advogado de Dilma no processo de impeachment, José Eduardo Cardozo, demonstrou otimismo em ainda conseguir reverter a decisão do Congresso no Supremo Tribunal Federal (STF). Perguntada o que o fazia ainda ter esperança, diante do fracasso de recursos anteriores, ele respondeu que era “o sentimento de justiça e a ideia de que não vamos jogar a toalha antes da hora”.

Cerca de 200 militantes favoráveis a Dilma permanecem em frente ao Palácio da Alvorada. Eles gritam palavras de ordem contra Michel Temer. Mais cedo, houve um princípio de tumulto quando alguns manifestantes passaram a hostilizar jornalistas, chegando a jogar terra contra um repórter, logo após a cassação de Dilma ser aprovada no Senado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Estranhamente, Dilma não se referiu à grande novidade do dia – o fato de ter sido considerada apta a ocupar cargos públicos. Logo voltaremos ao intrigante e instigante assunto. (C.N.)

12 thoughts on “Dilma denuncia o “golpe”, mas não cita a preservação dos direitos políticos

  1. ORGANIZAÇÕES TABAJARA ! kkkaasss
    31/08/2016 20h24 – Atualizado em 31/08/2016 20h32
    Joaquim Barbosa chama impeachment de ‘tabajara’ e ‘patético’
    Ex-presidente do STF diz que Temer não terá o respeito dos brasileiros.
    Para Barbosa, grupo conservador agora no poder ‘não tem votos’.
    O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, voltou a comentar o impeachment de Dilma Rousseff nesta quarta-feira (31) no Twitter, após definida a condenação da presidente no Senado. “Não acompanhei nada desse patético espetáculo que foi o ‘impeachment tabajara’ de Dilma Roussef. Não quis perder tempo”, afirmou.
    “Mais patética ainda foi a primeira entrevista do novo presidente do Brasil, Michel Temer”, prosseguiu.
    “O homem parece acreditar piamente que terá o respeito e a estima dos brasileiros pelo fato de agora ser presidente. Engana-se” disse o agora aposentado juiz.
    Ele também fez comentários em inglês e francês. “É tão embaraçoso! De repente, forças políticas altamente conservadoras tomaram o Brasil. Tomaram tudo! Dominam o Congresso. Cercam o novo presidente (um politico que pode ser comparado aos velhos ‘caudilhos’ latino-americanos)”, prosseguiu. “Eles conduzem a mídia, incluindo as emissoras de TV. Mas sabem de uma coisa? Eles não têm votos. Esperem um par de anos!”, disse.
    Em francês, Barbosa prosseguiu suas críticas: “Michel Temer pensa que um ‘toque de varinha jurídica’ lhe dará legitimidade. O pobre!”
    Nesse trecho, o ex-presidente do STF usou a expressão “coup de baguette juridique”, que, ao mesmo tempo em que significa “toque de varinha jurídica”, inclui também a palavra “coup”, que em francês, separadamente, também significa golpe.

    http://g1.globo.com/politica/processo-de-impeachment-de-dilma/noticia/2016/08/joaquim-barbosa-chama-impeachment-de-tabajara-e-patetico.html

  2. Newton, você agora foi nomeado por mim como consultor. Fala-se em direitos políticos. O que é na verdade direitos políticos? A meu juizo é o direito pleno de cidadania. Refiro-me ao direito de votar e ser votado. Decodifica isso para teus leitores. Obrigado.

    • Exatamente, amigo Aquino, você é que funciona como nosso consultor. Trata-se do direito de votar, ser votado e exercer funções públicas. Ou seja, direito de cidadania plena.
      Quanto à invasão do blog por grileiros e javalis, isso também faz parte do direito de cidadania. Não posso fechar a porta a eles, mas vou recorrer à Vigilância Sanitária.

      Abs.

      CN

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